Só por hoje e para sempre: Diário do Recomeço reúne o material escrito por Renato Russo durante a internação de cerca de vinte e nove dias, entre abril e maio de 1993, em clínica de reabilitação no Rio de Janeiro. Publicado em 2015 pela Companhia das Letras, o livro atende ao desejo do autor de ver esse registro sair do arquivo privado e chegar ao leitor — décadas depois da morte do músico.
Não é autobiografia linear nem coletânea de letras. É diário de recomeço, com exercícios ligados ao programa dos Doze Passos e ao lema “só por hoje”, conhecido em grupos de apoio. O título ecoa também uma canção de O Descobrimento do Brasil, criando ponte direta entre a prosa e a discografia da Legião Urbana.
O que o livro entrega
Nas páginas, Renato registra rotina de clínica, medos, humor, fé, recaída mental e a tentativa de reorganizar a vida longe do excesso. O texto interessa a quem pesquisa a biografia com responsabilidade — sem transformar sofrimento em espetáculo — e a quem estuda a relação entre criação artística e recuperação. A edição da Companhia das Letras situa o material no catálogo literário brasileiro contemporâneo, não apenas na prateleira de “livros de celebridade”.
Para quem ler
O volume serve a leitores da obra musical que querem a voz em primeira pessoa; a quem pesquisa dependência e cultura; e a quem prefere fonte primária a biografia de terceiros. Não substitui discos nem reportagens: complementa. Em livrarias, o ISBN 978-85-359-2609-5 identifica a edição de referência.
Lugar na obra
Ao lado de The 42nd St. Band e de O Livro das Listas, este diário completa o eixo literário póstumo de Renato Russo. Se os álbuns solo mostram o intérprete, Só por hoje e para sempre mostra o escritor em estado de urgência — documento humano que explica, sem didatismo, por que a busca pelo nome ainda mistura música, biografia e leitura.



