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Foto de perfil de Renato Russo

Renato Russo

O Trovador Solitário

Nascimento: 1960 Rio de Janeiro, RJ
Cantor, compositor e líder da Legião Urbana; voz do rock brasileiro dos anos 1980 e 1990, com discos solo e livros póstumos.

Antes de virar monumento de camiseta e playlist, Renato Russo era o brasíliense que tratava rock como diário em voz alta: letras longas, tom confessional e zero vontade de encaixar a juventude brasileira num refrão inocente. Quem busca o nome hoje quer entender de onde veio a voz da Legião Urbana — e por que canções como Eduardo e Mônica, Faroeste Caboclo e Tempo Perdido ainda atravessam rádios, cinema, livros e conversas de geração em geração.

Nascido Renato Manfredini Júnior no Rio de Janeiro em 27 de março de 1960, e falecido na mesma cidade em 11 de outubro de 1996, ele foi cantor, compositor, multi-instrumentista e autor. Da cena punk da capital federal aos discos solo em inglês e italiano, a trajetória misturou pós-punk, pop rock e escrita pessoal. No catálogo cultural brasileiro, Renato ocupa um lugar próximo de outras vozes que moldaram o imaginário sonoro do país, como Rita Lee, Caetano Veloso e Gilberto Gil — cada um em rota própria, todos com obra que ultrapassou o momento em que foi gravada.

Quem foi Renato Russo e por que a busca não esfria

Renato Russo ficou conhecido como líder, vocalista e principal letrista da Legião Urbana, banda fundada em Brasília no início dos anos 1980 e lançada em escala nacional pela EMI a partir de 1985. Antes disso, passou pelo Aborto Elétrico e pela fase solitária chamada O Trovador Solitário, tocando violão de doze cordas. O apelido artístico reuniu referências a Bertrand Russell, Jean-Jacques Rousseau e Henri Rousseau — um sinal cedo de que a música dele conversaria com filosofia, literatura e imagem, não só com riff e hit de rádio.

A procura pelo nome costuma misturar biografia, discografia, contexto da ditadura e da redemocratização, sexualidade assumida em público e o impacto da morte precoce. Em 2008, a lista dos 100 maiores artistas da música brasileira da Rolling Stone Brasil colocou Renato Russo na 25.ª posição. Décadas depois, a obra continua em circulação em streaming, relançamentos, filmes inspirados em canções e livros do próprio autor publicados postumamente pela Companhia das Letras.

Origem, Brasília e a formação do olhar

Filho do economista Renato Manfredini e da professora de inglês Maria do Carmo, Renato nasceu na Ilha do Governador, no Rio. Na infância, a família viveu em Nova Iorque por causa do trabalho do pai no Banco do Brasil; o contato com o inglês e a cultura norte-americana marcou a fala e o repertório. Nos anos 1970, a família se estabeleceu em Brasília, na Asa Sul — cenário que se tornaria o laboratório afetivo e político de muita letra futura.

Na adolescência, enfrentou epifisiólise, doença óssea que o levou a cirurgia e a um longo período de recuperação. Nesse intervalo, a música entrou com força: discos, rádio, leitura e a construção de um gosto que ia do punk britânico e norte-americano ao rock de estúdio mais elaborado. Chegou a prestar vestibular de Jornalismo na UnB e, ainda jovem, lecionou inglês na Cultura Inglesa, com fluência suficiente para representar a escola em ocasião de visita oficial. Também atuou em rádio, inclusive em programa ligado a direitos do consumidor e em espaço dedicado aos Beatles.

  • Nome civil: Renato Manfredini Júnior
  • Nascimento e morte: 27 de março de 1960 – 11 de outubro de 1996 (Rio de Janeiro)
  • Formação de cena: Brasília (Aborto Elétrico, Legião Urbana)
  • Obra principal: álbuns da Legião Urbana e discos solo (inglês e italiano)
  • Escrita: diários, romance e listas publicadas postumamente

Aborto Elétrico, O Trovador Solitário e a Legião Urbana

No final dos anos 1970, Renato entrou no circuito punk de Brasília. No Aborto Elétrico, dividiu o palco com Fê Lemos e outros músicos da cena; desentendimentos levaram à saída e à dissolução do grupo. Em seguida veio a persona do Trovador Solitário e, pouco depois, a banda com Marcelo Bonfá, depois completada por Dado Villa-Lobos e, por um período, o baixista Renato Rocha — a formação clássica da Legião Urbana.

O primeiro álbum, Legião Urbana (1985), abriu caminho nacional. Dois (1986) e Que País É Este 1978/1987 (1987) consolidaram o grupo entre crítica e público. As Quatro Estações (1989) ampliou o alcance com canções que viraram patrimônio afetivo de uma geração. Os anos 1990 trouxeram V, O Descobrimento do Brasil, A Tempestade ou O Livro dos Dias e, já póstumo, Uma Outra Estação. Em gravações e participações, Renato cruzou caminhos com nomes como Herbert Vianna, Adriana Calcanhotto, Cássia Eller, Erasmo Carlos e Paulo Ricardo.

A relação com o público chegou a ser descrita como quase messiânica — o trocadilho “Religião Urbana” circulava entre fãs, e o próprio Renato rejeitava o culto. A força estava menos no mito e mais na letra: narrativa de cidade, desejo, política, solidão e humor ácido, num português que o rádio jovem entendeu de imediato.

Discos solo, literatura e o lado fora da banda

Paralelo à Legião, Renato construiu uma carreira solo com outro sotaque. The Stonewall Celebration Concert (1994) reúne interpretações em inglês em homenagem aos 25 anos da Rebelião de Stonewall. Equilíbrio Distante (1995) mergulha no repertório italiano e se tornou um dos discos solo mais relembrados. O Último Solo (1997) saiu postumamente, reunindo material que dialoga com as duas frentes anteriores. Mais tarde, o arquivo ainda gerou O Trovador Solitário (2008), com gravações da fase acústica inicial.

A escrita em prosa também ganhou prateleira. Só por hoje e para sempre (Companhia das Letras, 2015) reúne o diário e exercícios feitos durante internação para tratamento de dependência em 1993. The 42nd St. Band (2016) publica romance escrito em inglês sobre uma banda imaginária. O Livro das Listas (2017) organiza preferências de músicas, discos, atores e outras obsessões culturais do autor. Quem chega por esses títulos encontra menos “mito da rockstar” e mais o diário de um leitor obsessivo — ponte natural com a tag de literatura e com o campo mais amplo da música no diretório.

Vida pública, saúde e legado

Em 1990, em entrevista à revista Bizz, Renato declarou-se gay; em outras falas públicas, usou o termo pansexual para descrever a própria sexualidade. O gesto importa no contexto de um Brasil ainda hostil a essas conversas no mainstream do rock. Nos anos finais, o diagnóstico de HIV, o tratamento e as internações por dependência de álcool e outras drogas alteraram a rotina da banda, com mais foco em estúdio e menos turnê intensa, segundo relatos de companheiros de grupo.

Renato Russo morreu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, de complicações ligadas à AIDS. Deixou o filho Giuliano Manfredini. Dias depois, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e o empresário Rafael Borges anunciaram o fim da Legião Urbana. A estimativa de vendas do grupo ao longo da trajetória gira em torno de dezenas de milhões de discos no Brasil — número que, mesmo discutido em faixas, ajuda a medir a escala da presença.

O legado se espalhou em outras mídias: o filme Somos Tão Jovens (2013) dramatiza a juventude e o início de carreira; Faroeste Caboclo e Eduardo e Mônica levaram canções à tela grande. Em 2004, Renato foi condecorado in memoriam com a Ordem do Mérito Cultural. O site oficial renatorusso.com.br mantém biografia, discografia e presença institucional da obra, com perfis oficiais em Instagram, Facebook e YouTube ligados à memória e aos lançamentos.

Como acompanhar a obra hoje

Para quem chega agora, um caminho honesto é ouvir a ordem da Legião do primeiro álbum a As Quatro Estações, depois mergulhar nos discos solo em inglês e italiano, e só então abrir os livros póstumos se a curiosidade for pela prosa e pelas listas. As redes oficiais e o site concentram novidades de catálogo; em livrarias e lojas de música, os títulos solo e as edições da Companhia das Letras costumam ser a porta de entrada para quem prefere objeto físico. A pergunta que permanece não é se Renato “ainda importa” — a circulação diária das canções responde — e sim qual fatia da obra cada ouvinte ainda não conhece: o punk de Brasília, o pop de estádio, o intérprete em italiano ou o diarista da reabilitação.

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Projetos de Renato Russo

Equilíbrio Distante
Equilíbrio Distante
Álbum solo de 1995 em que Renato Russo interpreta repertório em italiano, longe do português da Legião Urbana.
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Só por hoje e para sempre
Só por hoje e para sempre
Diário do recomeço escrito em 1993 durante internação e publicado em 2015 pela Companhia das Letras.
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