Sai da Frente é a comédia de 1952 em que Amácio Mazzaropi entra no cinema e a Companhia Cinematográfica Vera Cruz ganha, por um tempo, folga de caixa. Abílio Pereira de Almeida dirige. Tom Payne fica como diretor adjunto e como parceiro do argumento. O roteiro, na ficha da Cinemateca Brasileira reproduzida pelo Museu Mazzaropi, é de Abílio, a partir de uma ideia de Payne. A produção é de Pio Piccinini, nos estúdios da Vera Cruz em São Bernardo do Campo, com locações em São Paulo. O lançamento foi em 25 de junho de 1952, no cine Marabá e num circuito de salas da cidade.
Um dia de mudança até Santos
Isidoro tem um caminhão caindo aos pedaços, apelidado Anastácio, e um pastor-alemão chamado Coronel, vivido pelo cão Duque, já astro dos filmes da Vera Cruz. A história cabe num dia de trabalho: uma mudança de São Paulo para Santos, a descida da serra pela Anchieta, repartição, polícia, um circo e uma noiva fugitiva escondida num armário. Não é o caipira que depois colou na marca de Mazzaropi. É um motorista de subúrbio, comédia de contratempo urbano.
O Museu Mazzaropi reconta o convite a partir de uma noite no Nick Bar, ao lado do Teatro Brasileiro de Comédia. Renato Consorte teria apontado Mazzaropi na televisão — o programa Rancho Alegre — para Abílio e para Tom Payne, em busca de alguém com cara de São Paulo, distante da chanchada carioca. Mazzaropi fez o teste, foi aprovado e fechou contrato nos estúdios de São Bernardo. Até então a carreira dele estava no circo, no rádio e na televisão. Sai da Frente é a porta da tela grande.
Quem assina o filme
- Direção de Abílio Pereira de Almeida, com Tom Payne na direção adjunta.
- Argumento dos dois; roteiro de Abílio.
- Fotografia de Nigel C. Huke e música de Radamés Gnattali.
- Elenco central: Mazzaropi como Isidoro, Ludy Veloso como Maria, Leila Parisi, A. C. Carvalho e Nieta Junqueira.
- Preto e branco, cerca de 80 minutos, 35 mm. Ludy Veloso recebeu o Prêmio Saci de 1952 de melhor atriz secundária.
O cartaz da época, guardado em acervo público, anuncia o filme “com Mazzaropi” e credita a direção a Abílio Pereira de Almeida, com distribuição associada à Columbia e apresentação da Universal Filmes, conforme a mesma ficha. A Wikipedia do longa registra que o sucesso comercial tirou a Vera Cruz, temporariamente, das dificuldades financeiras. Não é um filme de autor no sentido estreito: é comédia de produtora, feita para plateia larga, com o secretário do TBC no comando do set.
O que o filme não é
Sai da Frente não traz as peças do TBC. Paiol Velho, Santa Marta Fabril S.A. e Moral em Concordata continuam sendo teatro, com outra lógica e outro público. O longa também não esgota o cinema de Abílio. No fim dos anos 1950 ele produz, pela Brasil Filmes, Moral em Concordata, O Sobrado e Estranho Encontro. A razão de separar este título é objetiva: é a estreia de Mazzaropi, é direção assinada por Abílio e é o ponto em que a Vera Cruz de Franco Zampari e o dramaturgo da Rua Major Diogo aparecem no mesmo cartaz.

