Contexto e proposta de Saudades de Mim Mesmo
Saudades de Mim Mesmo reúne cinquenta crônicas de Augusto Frederico Schmidt publicadas entre o fim dos anos 1940 e 1964, período em que ele era personagem frequente na imprensa carioca, na política e no mundo dos negócios. A seleção e a organização são de Letícia Mey e Euda Alvim, com prefácio de Maria Adelaide Amaral, e revelam um lado do autor que as antologias poéticas deixam na sombra.
As crônicas foram escritas para jornais do Rio de Janeiro, onde Schmidt manteve coluna a partir de 1937, passando pelo "Correio da Manhã" e por "O Globo". Nelas, ele trata de cidades, livros, amigos, viagens, costumes e do próprio tempo, com uma prosa que mistura memória, observação de rua e reflexão moral. É um retrato do temperamento: o mesmo homem grave dos poemas aparece aqui mais solto, curioso e disposto a conversar com o leitor.
Por isso o livro funciona como contraponto perfeito às antologias líricas. Quem conhece Schmidt poeta encontra o cronista; quem o associa à política e aos negócios encontra o observador atento do cotidiano. O volume também registra a passagem do país dos anos 1950 para a turbulência do início dos anos 1960, sem tom de tese, no ritmo da imprensa diária.
A leitura é boa para admiradores de crônicas brasileiras, para historiadores da imprensa e para quem quer entender como um intelectual de múltiplas frentes via o próprio país. Combina bem com "Antologia Política", que traz as questões públicas, e com "Melhores Poemas", que traz o lado mais conhecido do autor.





