Contexto e proposta de Seleção Nunca Vista
Seleção Nunca Vista reúne um conjunto de fotografias que ficou seis décadas longe do público. Em abril de 1958, o repórter fotográfico Antonio Lucio acompanhou a concentração da Seleção Brasileira em Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais — a primeira preparação considerada realmente séria antes de uma Copa do Mundo. Meses depois, aquele grupo conquistaria o primeiro título mundial do Brasil, na Suécia.
As imagens mostram o cotidiano do elenco longe dos gramados: treinos, refeições, quartos, sessões de fisioterapia, os jogadores em momentos de ócio e também a estrutura montada pela delegação. Entre os retratados está um Pelé de 17 anos, prestes a se tornar o maior jogador do planeta. Durante muito tempo, esse material permaneceu inédito no acervo de Antonio Lucio (1930-2000), um dos fotógrafos mais premiados da imprensa brasileira.
O livro foi produzido pela jornalista Silvia Herrera, filha do fotógrafo, e publicado pela Capella Editorial em 2018, com 143 páginas. Os textos são de Antero Greco, que assina a narrativa que acompanha e contextualiza as imagens — uma escolha coerente com a trajetória do jornalista, leitor de literatura e autor acostumado a contar a história do esporte com olhar de cronista.
O lançamento ocorreu em 28 de maio de 2018, no Museu do Futebol, em São Paulo, junto da exposição Primeira Estrela, que exibiu parte das fotografias. Um trecho do acervo também foi publicado na plataforma Google Arts & Culture, na exposição digital "A Seleção em Poços de Caldas".
Para quem se interessa pela história da Seleção Brasileira, pela Copa de 1958 ou pelo fotojornalismo esportivo nacional, o livro abre uma janela rara: é o retrato de um time em formação, registrado antes de virar lenda — pelas lentes de quem estava dentro da concentração quando aqueles jogadores ainda não eram vistos como personagens históricos.


