Um passarinho me contou, no caso de Rosana Hermann, não é fábula infantil e não é a autobiografia de Biz Stone. É o relato, publicado pela Panda Books, dos quatro primeiros anos dela no Twitter, a partir de 9 de abril de 2007, quando o perfil @rosana entrou no ar. O subtítulo corta a dúvida: relatos de uma viciada em Twitter.
O anúncio contemporâneo, em março de 2011, dizia que o livro sairia em maio pela Panda. A ficha dos sebos e o ISBN 978-85-7888-115-3 confirmam Panda Books, 2011, cerca de 152 páginas, brochura. O verbete biográfico às vezes aponta 2012 na bibliografia. O lançamento anunciado e o ISBN fecham em 2011. A autora, naquele aviso, foi explícita: não era livro técnico. Era um livro que fala do Twitter contando o que ela viveu ali, porque já não cabia num post do Querido Leitor nem num update de 140 caracteres.
O que ela disse que tinha dentro
No texto do anúncio, Rosana enumerou o material sem pose de especialista de plataforma. Ganhou e perdeu seguidores, ensinou e aprendeu truques, deu e assistiu a palestras, foi aplaudida, entrevistada, premiada e provocada. Citou uma ida ao centro de controle da NASA, em Houston, a convite do perfil da agência, e uma conferência de Twitter na Califórnia. Falou em ter sido hackeada num feriado, em palestras para emissoras, agências, empresas e universidades, em cursos em vídeo para uma operadora de celular e em quadros com dicas na web e na TV a cabo. Também admitiu briga, palpite não solicitado e o tanto que cabe de bem e de mal em 140 toques.
Esses episódios estão na voz dela no momento do lançamento. Servem para entender a proposta: um inventário de usuária intensa, escrito por quem já mantinha blog premiado e trabalhava com audiência de televisão. Não são um certificado de cada viagem. São o índice que ela mesma ofereceu aos leitores.
A sinopse que circula nas lojas reforça o mesmo desenho. Há dicas de uso, mas o miolo são situações bem-humoradas da experiência dela. Uma frase de Mauricio Stycer chegou a ser usada na apresentação: se você ainda não entendeu o Twitter, a Rosana explica. O elogio é de orelha, não uma avaliação técnica. O tom combinava com 2011, quando a rede ainda pedia tradução para quem estava de fora.
Por que o título confunde na busca
O nome é armadilha. Existe outro Um passarinho me contou, de Biz Stone, cofundador do Twitter, publicado no Brasil pela Record como autobiografia sobre criatividade. Há ainda livros infantis com título parecido, de outros autores. Nenhum deles é este. O volume da Rosana traz o nome dela na capa, o selo da Panda Books e o subtítulo sobre vício em Twitter. A edição impressa ligada ao ISBN 857888115X é a rota certa para quem quer o livro dela, não o do cofundador americano.
- Autora: Rosana Hermann, perfil @rosana desde abril de 2007.
- Editora: Panda Books, lançamento anunciado para maio de 2011.
- Tamanho: cerca de 152 páginas, não um tratado de ferramenta.
- Matéria: casos, gafes, palestras e costumes da rede na era dos 140 caracteres.
Onde o livro senta na carreira
Em 2011, Rosana já tinha o Querido Leitor premiado pela Deutsche Welle, em 2008, e uma fala no TEDx Santos sobre agilidade mental. O livro é o passo em que a usuária vira cronista da própria rede. Anos depois, Celular, doce lar alargaria o tema do post para o aparelho inteiro, e Adote o PARE tentaria nomear a pausa antes da reação. Este é o primeiro da série, ainda grudado numa plataforma só.
Quem lê hoje encontra um documento de época tanto quanto um guia. O Twitter daquele livro tinha outro dono, outro limite de caracteres e outro lugar na rotina. O valor que sobra é o olhar de alguém que entrou cedo, levou o hábito a sério o bastante para encher um volume, e não fingiu que a rede era só festa. Para achar o exemplar certo, o caminho é o ISBN dela. Preço de sebo e de loja varia, e não faz parte do que o texto precisa prometer.



