Em novembro de 2008, a Folha de S.Paulo registrou que Rosana Hermann tinha levado o The BOBs, prêmio da Deutsche Welle, como melhor blog em língua portuguesa. O blog era o Querido Leitor, escrito por ela desde o começo da década, quando publicar na internet ainda era ofício de quem gostava de escrever todo dia. Quem chega ao nome hoje esbarra numa combinação pouco comum: física formada pela USP, roteirista de humor na televisão desde 1983 e colunista do F5.
Rosana Hermann Efraim nasceu em São Paulo em 26 de julho de 1957. Não ficou conhecida por um único programa nem por um único livro. O que se repete, de emissora em emissora, é o crédito de quem escreve para plateia: infantil, auditório, sitcom, jornal da manhã, portal e, mais tarde, coluna sobre o que viraliza. A pergunta prática é onde essa pessoa está agora. A resposta está menos num estúdio fixo e mais na coluna, no X e nos livros sobre tela e impulso.
Da física da USP ao primeiro crédito de televisão
O diploma não anuncia a TV. Em 1978, Rosana concluiu o bacharelado em Física na Universidade de São Paulo. Em seguida fez cerca de dois anos de pós-graduação em Física Nuclear no Instituto de Física e um curso básico de comunicação na Escola de Comunicações e Artes. Nas apresentações de autora, ela mesma resume a troca: saiu da física e foi para o jornalismo.
O trabalho profissional em televisão começa em 1983, como redatora. A data aparece tanto na ficha biográfica quanto na linha de apresentação da coluna no F5. O primeiro emprego citado é na produtora RMC-Editevê. Dali, o caminho não é uma escada dentro de uma emissora só. É uma circulação por programas em que o texto tinha de funcionar em voz alta.
Na TV Cultura, escreveu para a faixa infantil: Revistinha, X-Tudo e Glub Glub. Na Globo, entrou em variedades e humor, com passagens por Xuxa, Domingão do Faustão e, entre 1996 e 1997, a equipe de redatores de Sai de Baixo. No SBT, o nome aparece em Viva a Noite. Na Jovem Pan, escreveu humor para o Boi na Linha. Outro roteirista que também passou pela Jovem Pan, em outra função, é André Vianco, hoje lido pelos romances de terror. O rádio, nos dois casos, ficou atrás do trabalho que o público passou a reconhecer.
O que ela apresentou e o que ficou só no crédito
Apresentar veio depois de escrever, e não substituiu a escrita. No início dos anos 1990, Rosana apresentou o Almanaque na Rede Manchete. Entre 1998 e 2000, ancorou uma fase inicial do Fala Brasil, na Record. Também foi diretora artística da Rede Mulher, cargo de grade, não de bancada.
Em 2008, saiu da redação do Pânico na TV, na RedeTV!, e foi para a Band comandar o Atualíssima ao lado de Leão Lobo. O programa deixou a grade no fim daquele ano. O registro público anota que o contrato com a Band seguiu até 2010. Nesse intervalo, ela fez o quadro Ombudsman dentro de A Noite é uma Criança, de Otávio Mesquita. Em setembro de 2009, a Record a levou para a diretoria de Criação e Produto do portal R7.
A redação de humor voltou na década de 2010 com outro elenco. Do fim de 2013 em diante, Rosana trabalhou na criação e no roteiro de Tudo pela Audiência, no Multishow, apresentado por Tatá Werneck e Fábio Porchat, com temporada no ar em 2014. Entre 2016 e 2018, integrou os roteiristas do Programa do Porchat, na Record. Perfis de palestra também creditam texto em Vai que Cola, no Multishow. Em 2016, passou a coapresentar o Porta Afora com Porchat, programa de viagens que teve temporada no Multishow. Em janeiro de 2018, o Estadão tratou a quarta temporada e um portal de dicas ligado a ela. Currículos profissionais também mencionam a circulação do Porta Afora no YouTube do Porta dos Fundos.
- Texto: Revistinha, X-Tudo, Glub Glub, Sai de Baixo, Faustão, Pânico na TV, Tudo pela Audiência e Programa do Porchat.
- Apresentação: Almanaque, Fala Brasil, Atualíssima e Porta Afora.
- Gestão: direção artística da Rede Mulher e diretoria de Criação e Produto do R7, a partir de 2009.
Querido Leitor, o @rosana e a coluna do F5
A internet entra antes de o smartphone virar assunto de livro. O verbete biográfico marca 1995 como início do trabalho online. O Querido Leitor, em que ela escrevia sobre a vida cotidiana e sobre o que acompanhava, foi o veículo do prêmio de 2008. A Folha tratou o The BOBs como melhor blog em língua portuguesa, com votação popular e júri da Deutsche Welle.
No Twitter, o perfil @rosana existe desde 9 de abril de 2007. A data coincide com o que ela contou ao anunciar, anos depois, um livro feito desses quatro primeiros anos na rede. Em maio de 2011, a Panda Books publicou Um passarinho me contou: relatos de uma viciada em Twitter. Não era manual de botão. Era o estoque de gafes, brigas, convites, palestras e truques que já não cabiam num post. O título se confunde fácil com a autobiografia homônima de Biz Stone, cofundador do Twitter, publicada no Brasil pela Record. O livro da Rosana é o outro: relatos dela, não a memória do cofundador. Em abril de 2011, ela falou no TEDx Santos sobre agilidade mental, tema que agências de palestra ainda listam ao lado de redes e de celular.
O blog antigo no R7 não é o endereço principal de agora. No F5, da Folha, a apresentação oficial a descreve como jornalista, roteirista de TV desde 1983 e produtora de conteúdo. A coluna segue no ar, com textos sobre televisão, plataformas e o que a audiência empurra para o topo. Na bio do X, ela indica publicação às quartas e às sextas. No começo da década de 2010, um perfil da época também a liga ao quadro de tecnologia Rosana InDica, na Record News.
Há cargos de meio de caminho que convém datar. Em 2005, tornou-se sócia da Synapsys, empresa de marketing e mídia, atuando como repórter, roteirista e editora. Um perfil de 2017 no Portal dos Jornalistas também a registra dando aulas de roteiro avançado no curso de Rádio e TV da FAAP. São etapas públicas. Não autorizam tratar a sala de aula ou a sociedade na empresa como atividade de hoje.
Três livros e o que cada um resolve
Os livros próprios não reencenam o currículo da TV. Eles organizam o que ela viu de dentro das redes.
Um passarinho me contou, de 2011, fecha a fase de usuária intensa do Twitter. Celular, doce lar, lançado pela Sextante em 3 de agosto de 2018, pergunta como o telefone virou companhia permanente. O volume traz prefácio de Fábio Porchat, quadrinhos de André Dahmer e depoimentos de Luciano Huck, Camila Pitanga, Milton Jung, Leo Jaime e Rafinha Bastos, entre outros. Editora, Estadão e O Globo descrevem humor, dados de psicologia comportamental e de neurociência, e caminhos para usar o aparelho com menos automatismo. Na entrevista ao Globo, Rosana situou o excesso no momento em que passou a mentir para si mesma sobre o tempo de tela. O Estadão, em setembro de 2018, ligou o livro a um ano de entrevistas e de observação do próprio uso, incluindo a decisão de largar um jogo no celular depois de calcular quanto tempo levaria para chegar ao nível máximo.
Em 6 de novembro de 2025, ela anunciou no X o livro Adote o PARE, à venda na Amazon em ebook e em papel. A proposta pública é um protocolo de quatro passos: pare, atente, respire, enfrente. A página do título fala em neurociência, psicologia e atenção plena, com exercícios para abrir um intervalo entre o estímulo e a resposta. É o livro mais recente e o único em que o procedimento ganha nome próprio. Os anteriores contam a rede. Este tenta interromper o reflexo.
Há obras de parceria que não ocupam o mesmo lugar. Com o psiquiatra Isaac Efraim, com quem a biografia pública registra casamento desde 1992 e dois filhos, assinou Tudo o que a Grande Mente Capta, pela editora Gente, em 1993. Perfis jornalísticos também citam Presas na teia, da Moderna, em 2008, O Livro das Piadas da Jovem Pan, da L&A, em 1995, e a coordenação de Maturidade Revista, da Gente, em 2003. Quem quiser a voz dela em livro inteiro encontra terreno mais firme nos três títulos de rede e de comportamento.
Como ela se apresenta fora da ficha de emissora
Nas bios de autora e de palestra, Rosana acrescenta uma rotina que o crédito de programa não mostra: tricô, crochê, corrida amadora de meia maratona e a palavra entusiasmo como favorita. São dados que ela mesma coloca na apresentação, não marcas conferidas por federação. O mapa para acompanhar o trabalho também é espalhado. Não há um site pessoal que concentre coluna, vídeo e livro. O conjunto público hoje passa pelo Instagram @rosana, pelo TikTok @rosanahermann, pelo Facebook, pelo canal no YouTube, pelo X @rosana, pela coluna no F5 e pela página de autora na Amazon.




