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Foto de perfil de Zico

Zico

Galinho de Quintino

Nascimento: 1953 Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Arthur Antunes Coimbra, o Zico: ídolo do Flamengo, meia da Seleção em três Copas e símbolo de bola parada no futebol brasileiro.

No Maracanã lotado, a bola parada ainda assusta. Arthur Antunes Coimbra, o Zico, nasceu no Quintino Bocaiuva em 3 de março de 1953 e transformou o meia-armador em ofício de precisão: visão de jogo, falta no ângulo e gols que carimbaram o Flamengo e a Seleção Brasileira. Quem busca o Galinho de Quintino quer saber como um menino franzino do subúrbio carioca virou referência de camisa 10 no Brasil e no exterior.

A trajetória cruza décadas de 1970 e 1980 no Rubro-Negro, passagem pela Udinese, fase no Kashima Antlers, copas do mundo e, depois, o lado de treinador e dirigente. Hoje o nome também vive no Canal Zico 10, no Instagram e no Centro de Futebol Zico, sem perder o vínculo simbólico com o Flamengo e com a memória do futebol brasileiro.

Quem é Zico e por que o nome ainda pesa

Zico é ex-futebolista, ex-treinador e dirigente esportivo luso-brasileiro, conhecido como um dos maiores meio-campistas da história do futebol. No Flamengo, a torcida o trata como ídolo máximo; na imprensa e em prêmios individuais, a comparação frequente com o nível de Pelé o colocou no rol dos grandes meias do planeta. A alcunha “Pelé Branco” circulou na época e ainda reaparece em perfis e reportagens, sempre amarrada à qualidade técnica e à cobrança de falta.

O apelido Galinho de Quintino guarda origem e geografia: o bairro de Quintino Bocaiuva, na zona norte do Rio de Janeiro, e o físico miúdo da juventude. O nome Zico veio do carinho familiar, encurtando Arthurzinho e Arthurzico até a forma que o país inteiro passou a repetir.

Origem no Rio e entrada no Flamengo

Filho do português José Antunes Coimbra e de Matilde da Silva Coimbra, Arthur cresceu em família ligada ao futebol. Os primeiros passos vieram no futsal e em times de bairro, como o Juventude de Quintino e o River Futebol Club, na Piedade. Em 1967, com cerca de catorze anos, chegou à base do Flamengo depois de ser observado em torneio local pelo radialista Celso Garcia, amigo da família.

A estreia no time principal veio em 1971, em clássico contra o Vasco da Gama. A titularidade e a camisa 10 se consolidaram a partir de 1974, depois de preparação física intensa que transformou o corpo franzino em atleta capaz de aguentar o ritmo profissional. No mesmo ciclo, despontaram a Bola de Ouro da revista Placar e o estilo que misturava drible, lançamento e finalização.

A era de ouro no Flamengo

Entre o fim dos anos 1970 e o começo dos 1980, o Flamengo viveu o auge com Zico como cérebro do time. Vieram títulos cariocas, o primeiro Campeonato Brasileiro do clube em 1980 e a sequência que entrou para a história do futebol sul-americano: a Copa Libertadores da América e a Copa Intercontinental de 1981, esta última com vitória sobre o Liverpool em Tóquio, em partida em que Zico foi figura central nas jogadas dos gols.

Em 1982 e 1983, novos Brasileiros reforçaram a hegemonia rubro-negra. Zico se tornou o maior artilheiro da história do Flamengo e também figura associada ao Maracanã, estádio em que sua regularidade goleadora virou marca. A saída para a Itália, em 1983, foi acertada em sigilo e executada logo após mais um título nacional, com a torcida ainda vivendo o auge da “Era Zico”.

  • Flamengo: base, estrelato e títulos nacionais e continentais
  • Libertadores e Intercontinental em 1981
  • Brasileiros de 1980, 1982 e 1983, além do módulo Copa União de 1987 no retorno
  • Maior artilheiro da história do clube, com centenas de gols oficiais

Udinese, retorno e despedida dos gramados no Brasil

Na Udinese, entre 1983 e 1985, Zico chegou com o peso de transferência recorde na Itália e respondeu em campo: na temporada 1983–84 marcou 19 gols na Serie A, ficando logo atrás de Michel Platini na artilharia, em um time modesto que brigava por posições intermediárias. Lesões e desgaste pesaram na segunda temporada. Em 1985 voltou ao Flamengo.

O retorno foi marcado por uma lesão grave no joelho em confronto com o Bangu, seguida de reabilitação e de momentos altos, como o Carioca de 1986. A última partida oficial com a camisa rubro-negra veio no fim de 1989; o adeus em amistoso de estrelas aconteceu em fevereiro de 1990. A carreira de jogador ainda teve capítulo no Japão, no Kashima Antlers, entre 1991 e 1994, clube com o qual seu nome permanece ligado até o papel de diretor técnico em fases posteriores.

Seleção Brasileira e a camisa 10 da geração de 1982

Pela Seleção Brasileira, Zico disputou as Copas do Mundo de 1978, 1982 e 1986. A equipe de 1982, com Sócrates, Falcão, Júnior e Cerezo, virou referência de futebol ofensivo mesmo sem o título. O pênalti perdido na Copa de 1986, contra a França, entrou na memória coletiva e ainda alimenta debates sobre justiça e destino no esporte.

O currículo de seleção e clube o colocou em listas de Hall da Fama da FIFA e em indicações a times dos sonhos e prêmios históricos. Para o leitor que compara gerações, o paralelo natural no próprio diretório inclui nomes como Romário, Ronaldinho Gaúcho e Neymar, cada um com recorte distinto de posição, época e estilo.

Treinador, dirigente e o futebol fora de campo

Depois de parar de jogar, Zico acumulou funções de coordenação, direção técnica e comando de equipes. Passou por Kashima Antlers, Seleção Japonesa (com título da Copa da Ásia em 2004), Fenerbahçe, Bunyodkor, CSKA Moscou, Olympiacos, Seleção do Iraque, Al-Gharafa e FC Goa, entre outros trabalhos documentados. Também teve passagem como diretor de futebol do Flamengo e, no início dos anos 1990, atuou como Secretário Nacional de Esportes, período ligado à chamada Lei Zico e a debates sobre organização do esporte no país.

No Japão, o vínculo com o Kashima e com a seleção reforçou a imagem de embaixador do futebol brasileiro no exterior. No Brasil, o nome segue associado a comentários, presença em mídia e projetos de formação.

Canal Zico 10, redes e Centro de Futebol Zico

O Canal Zico 10 no YouTube concentra histórias de carreira, convidados e conteúdo sobre o legado do Galinho, com base de assinantes na casa dos milhões. No Instagram oficial @zico, a comunicação pessoal e institucional se mistura a parcerias e aparições públicas. Em 1996, Zico fundou o Centro de Futebol Zico Sociedade Esportiva (CFZ do Rio), clube-empresa e estrutura de formação em categorias de base, com ramificações históricas como o CFZ de Brasília.

Esses braços — canal, rede social e centro de futebol — explicam por que a busca por Zico não se encerra na nostalgia dos anos 1980: o nome continua ativo em formação, memória e conversa com o torcedor.

Estilo de jogo e o que ficou na memória

O jogo de Zico unia visão, técnica de bola parada e capacidade de finalizar de média distância. Cobranças de falta, passes em profundidade e presença no Maracanã viraram material de arquivo e de comparação com meias posteriores. Prêmios como melhor da América do Sul em ciclos dos anos 1970 e 1980, reconhecimento da Guerin Sportivo e da World Soccer, e a permanência em debates de “melhores da história” sustentam a reputação pública sem precisar de exagero retórico.

Para quem chega agora, o atalho é simples: Flamengo de ouro, Seleção de copas, Itália e Japão como capítulos de expansão, e uma vida adulta em que o Galinho de Quintino virou referência de futebol, formação e presença midiática.

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