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Aluísio Napoleão de Freitas Rego

Aluísio Napoleão

Nascimento: 1914 Belém, PA
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Diplomata paraense e escritor. Primeiro embaixador do Brasil em Pequim e autor de Santos Dumont e a conquista do ar.

Aluísio Napoleão de Freitas Rego foi o primeiro embaixador do Brasil em Pequim. Indicado em dezembro de 1974, meses depois de Brasília e a República Popular da China abrirem relações, permaneceu no posto até 1981. Antes da capital chinesa, o mesmo diplomata já tinha organizado papéis do Barão do Rio Branco e escrito, a pedido do Itamaraty, o livro que sustentava a prioridade de Santos Dumont no voo mais pesado que o ar.

Quem busca o nome precisa separar três figuras que o sobrenome cola. O pai, Hugo Napoleão do Rego, foi advogado e deputado federal pelo Piauí. O filho, Hugo Napoleão do Rego Neto, nascido em Portland em 31 de outubro de 1943, foi deputado, senador e governador daquele estado. No meio está o embaixador e escritor nascido em Belém do Pará em 20 de novembro de 1914, morto em Brasília em 14 de setembro de 2006. Em currículo de carreira e na folha de rosto dos livros o prenome também sai como Aluízio.

Quem foi Aluísio Napoleão de Freitas Rego

A vida pública dele não passou pelo voto. Passou pelo Ministério das Relações Exteriores, pela imprensa do Rio e por livros de história diplomática e de aviação. Entre 1932 e 1959 colaborou em jornais cariocas com artigos, contos, crônicas e crítica literária. O primeiro volume, Segredos, saiu em 1935, ainda na faculdade de Direito: uma seleção de contos publicada no Rio pela C. Mendes Junior.

Era filho de Hugo Napoleão do Rego e de Matilde de Freitas. A família paterna vinha do Piauí. O nascimento, porém, foi em Belém. Essa combinação explica por que o nome aparece tanto em verbetes de diplomatas do Pará quanto na Academia Piauiense de Letras, para a qual foi eleito em 1983.

Formação no Rio e a entrada no Itamaraty

De 1924 a 1931 fez o curso primário e o ginasial no Lycée Français do Rio de Janeiro. No fim do curso recebeu a medalha de bronze da Municipalidade de Paris e foi escolhido orador da turma. Em 1936 bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro. O currículo apresentado ao Senado registra o ingresso no Itamaraty em 1939, por concurso, como cônsul de terceira classe.

O primeiro posto no exterior foi o de vice-cônsul em Portland, no Oregon. Ainda nos Estados Unidos casou-se, em 1942, com Regina Margarida. O filho nasceu no ano seguinte, enquanto o pai servia naquele consulado. A escada funcional anotada no mesmo currículo segue o merecimento: cônsul de segunda classe em 1943, primeiro-secretário em 1949, conselheiro em 1953, ministro de segunda classe em 1956 e ministro de primeira classe em 1960, grau equivalente a embaixador. Em 1950 concluiu o Curso Superior de Guerra da Escola Superior de Guerra.

Antes das chefias de missão, o currículo lista segundo-secretário em Washington e primeiro-secretário em Paris e em Ancara. Não são detalhes de ornamentação. Mostram um funcionário de carreira que circulou por arquivo, consulado e embaixada antes de assinar como ministro de primeira classe.

O arquivo do Rio Branco e o livro de Santos Dumont

No ministério, Napoleão organizou o arquivo do Barão do Rio Branco e chegou a responder interinamente pela Mapoteca. Dessa mesa saíram inventários e ensaios, não romance de diplomata viajante. Em 1940 a Imprensa Nacional publicou Os arquivos particulares do Itamaraty. Em 1941 veio o ensaio O segundo Rio-Branco, o homem e o estadista. Em 1951, de novo pela Imprensa Nacional, saiu O arquivo do Barão do Rio Branco. No intervalo apareceram Imagens da América (1945), Rio-Branco e as relações entre o Brasil e os Estados Unidos (1947) e Meu avô José de Freitas (1950), biografia do político piauiense José Almendra Freitas, nascido em Portugal em 1856.

O título que atravessou fronteira foi Santos Dumont e a conquista do ar. A primeira edição, de 1941, também é da Imprensa Nacional. O Itamaraty encomendou o trabalho com base nos documentos reunidos na casa. O livro narra a trajetória do aeronauta e sustenta a prioridade brasileira no voo em aparelho mais pesado que o ar, contra a reivindicação dos irmãos Wright. Houve versão inglesa em 1945, Santos-Dumont and the conquest of the air, impressa no Rio pela National Printing Office, com tradução de Luiz Victor Le Cocq d'Oliveira.

Em 1952 Napoleão integrou a delegação brasileira às solenidades do monumento de Alberto Santos Dumont em Saint-Cloud, perto de Paris. Em 1956, por portaria do ministro da Aeronáutica, entrou na Comissão Executiva Nacional do Ano Santos Dumont. Na esteira dessa data, a Companhia Editora Nacional publicou em 1957 a segunda edição, volume 295 da Coleção Brasiliana. Em 1957 ele também foi eleito sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Uma terceira edição do livro de Dumont sairia em 1988 pela Itatiaia, por iniciativa do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica.

Teerã, Estocolmo e Pequim

Como ministro de primeira classe, chefiou a embaixada em Teerã na década de 1960, durante o reinado de Mohammad Reza Pahlavi. O currículo lido no Senado em 1968 já o colocava no posto desde 1º de fevereiro de 1963. O período seguinte foi Estocolmo: embaixador na Suécia de 1969 a 1974. Em 1972 representou o governo brasileiro no funeral do rei Frederico IX da Dinamarca.

Em 15 de agosto de 1974 o Brasil e a República Popular da China estabeleceram relações diplomáticas. Em 3 de dezembro daquele ano o Jornal do Brasil registrou a indicação de Napoleão para a China. Ele foi o primeiro embaixador brasileiro em Pequim e permaneceu até 1981. Em 24 de outubro de 1981 o Diário de Pernambuco noticiava a embaixada vaga, marco de que o posto já não estava com ele.

Academia Piauiense e os livros tardios

De volta ao Brasil, entrou em 1983 para a Academia Piauiense de Letras. O filho também ocuparia cadeira nessa academia. Em sessão do Congresso de 2018, Hugo Napoleão do Rego Neto referiu-se ao pai como o embaixador Aluizio Napoleão, membro da Academia, ao lado do tio-avô Martins Napoleão. O vínculo não é enfeite genealógico: a escrita dele volta várias vezes ao Piauí, do avô José de Freitas ao pai deputado.

Em 1988 publicou JK: audácia, energia, confiança. Em 1992 saiu Um lutador: Hugo Napoleão e sua época, sobre o pai. O gesto é o mesmo dos anos 1940. Biografia de figura pública, com arquivo e parentesco à vista, sem converter o volume em diário íntimo.

O que o nome responde

  • Nasceu em Belém em 20 de novembro de 1914 e morreu em Brasília em 14 de setembro de 2006.
  • Formou-se em Direito no Rio em 1936 e entrou no Itamaraty por concurso em 1939.
  • Serviu em Portland, Washington, Paris, Ancara, Teerã, Estocolmo e Pequim.
  • Escreveu sobre o arquivo do Barão do Rio Branco e sobre Santos Dumont, com edição na Coleção Brasiliana.
  • Foi sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro desde 1957 e membro da Academia Piauiense de Letras a partir de 1983.

Quem chega pela literatura encontra o autor de Segredos e de biografias históricas, não um romancista de catálogo longo. Quem chega pelo direito encontra o bacharel que transformou papel de chancelaria em argumento sobre Santos Dumont. Os dois leitores esbarram no mesmo funcionário de carreira. Ele escrevia porque o arquivo do ministério estava na mesa, e porque a família piauiense também pedia livro, não porque a literatura fosse um ofício separado da embaixada.

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