Em 11 de setembro de 2001, Ana Paula Padrão passou horas ao vivo na bancada da Globo acompanhando os ataques aos Estados Unidos ao lado de Carlos Nascimento. Aquela cobertura, vista por milhões de brasileiros, coroa a primeira metade de uma carreira construída em redações e estúdios de televisão — e ajuda a explicar a decisão que viria quatro anos depois, quando ela deixou um dos cargos mais cobiçados do jornalismo brasileiro para trilhar um caminho próprio na comunicação e nos negócios.
Nascida em Brasília, em 25 de novembro de 1965, formou-se em Jornalismo pela Universidade de Brasília e começou a trabalhar em TV em 1986, na sucursal brasiliense da Rede Manchete. Nas décadas seguintes, tornou-se uma das âncoras mais conhecidas do país, com passagens por Globo, SBT e Record, antes de se firmar como apresentadora do MasterChef Brasil na Band e como empresária à frente de projetos voltados à liderança feminina.
De Brasília ao posto de correspondente internacional
Ainda menina, dançou balé dos seis aos dezenove anos e chegou a dar aulas antes de prestar vestibular para Jornalismo, área que, segundo ela, parecia reunir ciências humanas, idiomas e história. Em 1987, um ano depois de estrear na TV Brasília, foi contratada pela Globo. Ficou na emissora até 2005 e viveu uma das fases mais intensas da profissão: foi correspondente internacional em Londres e em Nova York até 2000, cobrindo conflitos como a Guerra do Kosovo e a guerra no Afeganistão.
De volta ao Brasil, assumiu a bancada do Jornal da Globo como apresentadora e editora-executiva, função que exerceu por cinco anos. No período, também entrou na rotação de âncoras do Jornal Nacional, dividindo a bancada com William Bonner e outros nomes da casa. A cobertura dos atentados de 11 de setembro, quando ficou horas no ar, tornou-se um marco de sua trajetória.
Por que Ana Paula Padrão deixou a Globo em 2005
A saída, anunciada em maio de 2005, surpreendeu o mercado: ela pediu demissão e assinou com o SBT, onde comandou o SBT Brasil como apresentadora e editora-chefe. Em entrevista ao The Noite, do SBT, anos depois, descreveu o período na Globo como um trabalho que a deixava "tristonha" — e disse que romper com aquela rotina a tornou uma pessoa mais leve.
No SBT, além do telejornal, apresentou o SBT Realidade, programa de documentários e reportagens especiais que estreou em 2007 e durou até 2009. No mesmo ano, foi contratada pela Record para apresentar o Jornal da Record ao lado de Celso Freitas. Em março de 2013, deixou a emissora para se dedicar às empresas que já administrava, entre elas a agência de comunicação Touareg e o Tempo de Mulher.
MasterChef: dez anos apresentando a gastronomia brasileira
Em 2014, Ana Paula Padrão assinou com a Band e estreou no comando do MasterChef Brasil, em setembro daquele ano. Viajou ainda em 2014 ao continente africano para uma reportagem especial sobre o surto de Ebola. À frente do reality, comandou as versões amadora, profissionais e + do formato, além de programas derivados, e permaneceu no posto por dez anos, até 2024 — tempo em que o MasterChef se consolidou como vitrine da nova gastronomia brasileira e ela passou a ser reconhecida por um público muito além do telejornalismo.
Na BandNews TV, apresentou o Conexão com The New York Times, entre 2016 e 2020, e o Cidade Viva, em 2021. As incursões pelo entretenimento não apagaram o lastro jornalístico: os anos de bancada seguem como parte central de sua identidade pública.
Tempo de Mulher e Unna: a virada para os negócios
Antes mesmo de sair da televisão diária, Ana Paula Padrão já construía uma segunda carreira como empresária. Criou no início da década de 2010 o Tempo de Mulher, plataforma de conteúdo voltada a mulheres que trabalham — e que, a partir de 2018, ganhou um encontro presencial anual. O evento, hoje co-liderado por Lia Rizzo e por mais de 70 lideranças executivas, reúne mulheres C-level e empreendedoras em São Paulo e chegou à sexta edição em 2026, no WTC Events Center.
Sua atuação em empreendedorismo e liderança feminina se ampliou com a Unna, comunidade de formação e conexão de lideranças criada em parceria com a Conquer, na qual assina como fundadora e CEO. A comunidade reúne mais de mil mulheres, com mentorias, encontros, clubes de leitura e uma newsletter semanal escrita por ela.
O livro, os prêmios e o que ela faz hoje
Em 2014, publicou o livro de memórias O amor chegou tarde em minha vida, pela editora Paralela, no qual revisita a infância em Brasília, os anos como correspondente internacional e os dilemas de ser mulher em posições de comando — tema que atravessa também sua atuação empresarial.
Entre os reconhecimentos acumulados na época de bancada estão:
- Troféu Imprensa, em 2003 e 2004;
- Prêmio Comunique-se, em 2004;
- Troféu Mulher Imprensa, em quatro edições consecutivas, de 2004 a 2007;
- Prêmio Mulher do Ano e Prêmio Personalidade do Ano na Comunicação, ambos em 2005;
- Menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, em 2007, pela reportagem "Trem da Escravidão".
Hoje, Ana Paula Padrão divide a agenda entre a direção da Unna, a rede Tempo de Mulher, a produção de conteúdo para mulheres que lideram, palestras e a rotina de mestre de cerimônias em eventos corporativos. Depois de quatro décadas de televisão, segue na comunicação com um negócio próprio de alcance nacional — feito raro entre jornalistas de sua geração.




