André Luis do Prado nasceu em Guararema em 7 de junho de 1969 e começou a trabalhar aos 12 anos, como feirante. Antes de entrar na política, foi soldador em uma fábrica de bijuterias, professor de matemática e analista de sistemas. Em 1992, elegeu-se vereador pela primeira vez; três décadas depois, chegou à presidência da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e, em 2026, foi eleito senador por São Paulo pelo Partido Liberal (PL).
Toda a carreira política de André do Prado foi construída no partido comandado nacionalmente por Valdemar Costa Neto, que já se chamou Partido da República e hoje é o PL. Em reportagens publicadas em 2024 e 2025, a Folha de S.Paulo o descreveu como braço direito e pupilo de Valdemar em São Paulo. Antes de comandar a Assembleia, acumulou mandatos em três níveis de governo: Câmara Municipal, Prefeitura de Guararema e Alesp.
Primeiros anos: trabalho, escola e o bairro Itapema
André do Prado fez o ensino fundamental na Escola Estadual Ivan Brasil e o ensino médio na Escola Estadual Dr. Roberto Feijó, ambas em Guararema. O primeiro trabalho veio aos 12 anos, como feirante. Aos 17, foi soldador em uma fábrica de bijuterias no bairro Itapema, onde morava com a família. Aos 21, começou a dar aulas de matemática na Ivan Brasil — foi o primeiro aluno formado pela escola a também lecionar naquela unidade. Depois, trabalhou por cinco anos como analista de sistemas, dividindo a rotina entre São Paulo e Guararema. Formou-se em Análise de Sistemas pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).
Vereador, secretário de Saúde e prefeito de Guararema
A entrada na política ocorreu em 1992, quando foi eleito vereador de Guararema com 241 votos. Foi reeleito em 1996, com 269 votos, e presidiu a Câmara Municipal no segundo mandato. Em 2000, elegeu-se vice-prefeito na chapa de Conceição Alvino e assumiu a Secretaria Municipal de Saúde, pasta que ocupou até 2004.
Em 2004, foi eleito prefeito de Guararema com 7.536 votos. O mandato, entre 2005 e 2008, foi exercido pelo então Partido Liberal, que em 2006 se fundiu ao Prona e deu origem ao Partido da República (PR).
Em 2009, deixou a prefeitura e assumiu a presidência do conselho político estadual do PR, com a tarefa de reorganizar as bases do partido em São Paulo e preparar sua candidatura à Assembleia Legislativa.
Quatro mandatos na Assembleia Legislativa de São Paulo
André do Prado foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2010, com 86.346 votos. Tomou posse em 2011 como único representante do então PR na Casa e, no mesmo ano, assumiu a liderança do partido na Assembleia. Vieram mais três mandatos consecutivos:
- 2010 — 86.346 votos (primeiro mandato)
- 2014 — 164.589 votos
- 2018 — 123.313 votos
- 2022 — 216.268 votos
Entre as proposições que se tornaram lei está o projeto que deu origem à Lei estadual nº 15.301, de 2014, que proibiu a fabricação, a venda e a comercialização de armas de fogo de brinquedo no estado de São Paulo.
Um levantamento da Agência O Globo publicado pela Exame em 2023 mostrou que 184 dos 206 projetos apresentados por Prado nos primeiros doze anos de Alesp tratavam de denominação de vias, criação de datas comemorativas ou classificação turística.
A presidência da Alesp: Sabesp, regra de recondução e reeleição
Em 15 de março de 2023, André do Prado foi eleito presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo para o biênio 2023–2025, com 89 votos; o deputado Carlos Giannazi (PSOL) recebeu cinco. A votação reuniu partidos da base do governador Tarcísio de Freitas e bancadas de oposição — o primeiro-secretário eleito na mesma Mesa foi Teonilio Barba (PT), e o segundo-secretário, Rogério Nogueira (PSDB).
O primeiro grande teste da gestão foi o projeto que autorizou a desestatização da Sabesp, prioridade do governo estadual. Em 6 de dezembro de 2023, manifestantes contrários ao texto entraram em confronto com a Polícia Militar nas dependências da Assembleia; Prado suspendeu a sessão e as galerias foram esvaziadas. Os trabalhos foram retomados, a oposição não participou da votação final e o projeto foi aprovado por 62 votos a um.
Em outubro de 2024, a Assembleia promulgou a Emenda Constitucional nº 54, que passou a permitir a recondução dos membros da Mesa Diretora para um segundo mandato consecutivo no mesmo cargo, vedando uma terceira recondução seguida. A proposta foi aprovada por aclamação, em pouco mais de um minuto, após acordo entre as bancadas, com registro de posição contrária do PSOL. Parlamentares de oposição acusaram a Casa de atuar com proximidade excessiva do Executivo estadual; Prado rejeitou a avaliação, afirmou que a Assembleia mantinha independência e disse que a mudança havia sido discutida por cerca de seis meses.
Com a nova regra em vigor, foi reeleito presidente em 15 de março de 2025, com 88 votos; a deputada Paula da Bancada Feminista (PSOL) recebeu quatro.
A relação com Valdemar Costa Neto
Prado é filiado desde 1992 ao partido comandado por Valdemar Costa Neto e passou a ocupar funções de direção na estrutura estadual a partir de 2009. A relação aparece em episódios de articulação: em 2012, segundo a Folha de S.Paulo, foi ele quem solicitou, em nome de Valdemar, a reunião entre o dirigente e o então governador Geraldo Alckmin para discutir apoio na eleição municipal de São Paulo. Em 2022, já no segundo turno da disputa estadual, Valdemar pediu publicamente a Tarcísio de Freitas que apoiasse Prado na presidência da Alesp.
Em fevereiro de 2026, a Assembleia concedeu a Valdemar o Colar de Honra ao Mérito Legislativo do Estado de São Paulo, em cerimônia organizada por iniciativa de Prado. No evento, o presidente da Casa afirmou que Valdemar teve participação no início de sua vida pública, em 1992, e manifestou gratidão pela relação política construída desde então.
Senador eleito por São Paulo em 2026
Em 2026, André do Prado disputou uma das duas cadeiras de São Paulo no Senado Federal pelo PL, com o número 222, tendo Fernando Godoy e Rute Costa como suplentes. Foi eleito ao lado de Guilherme Derrite (PP), em campanha apoiada pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo senador Flávio Bolsonaro.
Em setembro de 2026, a Justiça Eleitoral suspendeu e proibiu a reexibição de uma inserção televisiva da campanha que usava de forma reiterada a imagem, o nome e o slogan de Tarcísio de Freitas. Na decisão liminar, a juíza auxiliar da propaganda eleitoral entendeu que a participação do governador ultrapassava o limite de 25% do tempo permitido a apoiadores e fixou multa de R$ 10 mil por eventual reexibição. A assessoria de Prado informou que ele não se pronunciaria sobre a decisão.
Controvérsias na prefeitura e na Assembleia
Contratos da prefeitura de Guararema assinados na gestão de André do Prado foram julgados irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Em 2007, o tribunal julgou irregulares a concorrência e o contrato de locação de veículos e gestão da manutenção da frota, com multa de 300 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesp) aplicada ao então prefeito; em 2008, o Plenário deu provimento parcial ao recurso, revogou a multa, mas manteve a irregularidade nos demais pontos. Em outro processo, sobre o contrato de transporte escolar, a Segunda Câmara aplicou multa de 100 Ufesp, decisão confirmada em grau de recurso; em 2017, o Plenário não conheceu de ação rescisória apresentada por Prado. O TCE-SP também considerou irregulares atos relativos a um contrato de publicidade e marketing da prefeitura, decisão mantida em 2014.
Em ação judicial de improbidade administrativa relacionada à renovação de contratos de publicidade originados na administração municipal anterior, Prado foi condenado em primeira instância; a condenação foi anulada em recurso, segundo a Folha de S.Paulo.
Entre 2013 e 2016, Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro, ocupou o cargo de assessor especial parlamentar no gabinete de Prado na Alesp, com remuneração mensal superior a R$ 17 mil. Em abril de 2016, reportagem do SBT Brasil afirmou que ele não comparecia regularmente à Assembleia e trabalhava em seus estabelecimentos comerciais em Miracatu; Renato foi exonerado no mesmo dia em que a reportagem foi exibida. Prado negou que se tratasse de funcionário fantasma e afirmou que o assessor exercia atividades políticas no Vale do Ribeira. O caso foi analisado pelo Ministério Público de São Paulo e arquivado em 2017.
Canais oficiais
André do Prado mantém site oficial, com páginas de perfil e trajetória, além de canal no YouTube e perfis no Instagram e no Facebook. O perfil institucional na Assembleia Legislativa reúne a produção legislativa e a agenda do parlamentar. É por esses canais que circulam notícias, pronunciamentos e posicionamentos sobre pautas em votação.



