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Tarcísio de Freitas

Tarcísio

Nascimento: 1975 Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
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Engenheiro, ex-capitão do Exército e ex-ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas governa São Paulo desde 2023 e foi reeleito em primeiro turno em 2026.

Tarcísio Gomes de Freitas trocou o Ministério da Infraestrutura pelo Palácio dos Bandeirantes: depois de comandar a pasta entre 2019 e 2022, no governo de Jair Bolsonaro, tomou posse como o 64º governador de São Paulo em 1º de janeiro de 2023, encerrando um ciclo de 28 anos de governos do PSDB no estado. Em outubro de 2026, foi reeleito em primeiro turno com 62,65% dos votos válidos, derrotando Fernando Haddad.

Engenheiro civil formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e ex-capitão do Exército, ele construiu a carreira pública em órgãos de controle e de infraestrutura — Controladoria-Geral da União (CGU), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e Câmara dos Deputados — antes de se tornar o nome mais associado à agenda de concessões e privatizações do governo federal e, depois, do estado de São Paulo.

Infância, formação militar e engenharia

Nascido no Rio de Janeiro em 19 de junho de 1975, Tarcísio Gomes de Freitas é filho de Amaury Vieira Freitas, que trabalhou no comércio e no Banco do Brasil, e de Maria Alice Gomes Freitas, empregada doméstica. A família mudou-se para Águas Claras, cidade-satélite de Brasília, quando ele tinha três anos, e foi da capital federal que ele saiu aos 19 anos para ingressar na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas.

Na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ), foi declarado aspirante a oficial da arma de Engenharia em novembro de 1996 e chegou a capitão em 2002. Entre 1999 e 2002 cursou engenharia civil no IME, onde também concluiu, em 2008, mestrado em engenharia de transportes. Em 2005 e 2006, chefiou a seção técnica da Companhia de Engenharia do Brasil na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti.

DNIT, CGU e a consultoria legislativa

Deixou o Exército em 2008 para se tornar analista de finanças e controle da CGU, onde foi assessor de auditoria da área de infraestrutura e coordenador-geral de auditoria de transportes. Em 2011 foi indicado para a diretoria executiva do DNIT, durante a gestão do general Jorge Fraxe, e em setembro de 2014 assumiu a direção-geral da autarquia, cargo que ocupou até janeiro de 2015.

No mesmo ano, tornou-se consultor legislativo da Câmara dos Deputados, na área de desenvolvimento urbano, trânsito e transportes — função que mantém como servidor de carreira. Entre 2015 e 2016, foi secretário de Coordenação de Projetos da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), no governo Michel Temer, período em que se aproximou do desenho de concessões e desestatizações que marcaria sua trajetória.

Ministério da Infraestrutura: a agenda de concessões

Indicado por Jair Bolsonaro em novembro de 2018, assumiu o Ministério da Infraestrutura em janeiro de 2019 com a missão de destravar obras e transferir ativos para a iniciativa privada. Naquele ano, o ministério concedeu 27 ativos, entre eles trechos rodoviários como a BR-364/365, o tramo central da Ferrovia Norte-Sul e lotes de terminais portuários e aeroportos. Em 2020 vieram a nova ponte do Guaíba, no Rio Grande do Sul, e as renovações antecipadas de contratos ferroviários, como a Malha Paulista, a Vitória-Minas e a Estrada de Ferro Carajás. Já em 2021, o ministério contabilizou R$ 5,5 bilhões investidos em obras e 39 ativos concedidos, com destaque para as autorizações ferroviárias do Pró-Trilhos, programa criado a partir do Marco Legal das Ferrovias.

A gestão também acumulou controvérsias. Os gastos com dispensas de licitação no DNIT saltaram de R$ 224 milhões, em 2019, para R$ 1,1 bilhão em 2021, segundo dados do Portal da Transparência noticiados pela imprensa. O caso mais visível foi o da Itapemirim Transportes Aéreas, aprovada em 2021 sob o guarda-chuva da pasta e suspensa em dezembro daquele ano, deixando cerca de 40 mil passageiros prejudicados. Tarcísio deixou o ministério em março de 2022 para disputar o governo paulista.

De ministro a governador de São Paulo

Filiado ao Republicanos desde março de 2022, foi confirmado candidato em julho, na coligação "São Paulo Pode Mais", com o ex-prefeito de São José dos Campos Felicio Ramuth como vice. Teve 42,32% dos votos no primeiro turno e venceu o segundo com 55,27%, em outubro de 2022. A posse, em 1º de janeiro de 2023, encerrou quase três décadas de hegemonia tucana no estado.

O primeiro grande teste veio em fevereiro de 2023, com as chuvas recordes do litoral norte e os deslizamentos em São Sebastião, que mataram 65 pessoas. Tarcísio transferiu o gabinete para a região por cerca de dez dias e reuniu o secretariado no litoral para coordenar o resgate e a reconstrução — episódio que marcou o início da gestão.

Obras e programas que marcaram a gestão

A gestão estadual ficou conhecida pela velocidade dos leilões e pela retomada de obras paradas. O Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas, leiloado em março de 2023 e retomado em abril de 2024, teve seu primeiro segmento entregue em dezembro de 2025. A Linha 17-Ouro do metrô, arrastada desde os preparativos da Copa de 2014, foi inaugurada em 31 de março de 2026. Na habitação, o programa Casa Paulista passou a concentrar a política estadual de moradia para famílias de baixa renda.

Também entraram na lista o Trem Intercidades do Eixo Norte, leiloado em fevereiro de 2024 para ligar São Paulo a Campinas, e o SuperAção SP, programa de inclusão socioprodutiva lançado em maio de 2025 com investimento inicial de R$ 500 milhões. No centro da capital, o governo leiloou em fevereiro de 2026 a Parceria Público-Privada do Novo Centro Administrativo Campos Elíseos, que prevê R$ 6,1 bilhões em investimentos, e lançou o Boulevard São João, projeto de requalificação urbana no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João.

  • 2019 a 2022 — ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro
  • 2023 — assume o governo de São Paulo após 28 anos de gestões do PSDB
  • 2024 — leilão do Trem Intercidades Eixo Norte e privatização da Sabesp
  • 2025 — entrega do primeiro segmento do Trecho Norte do Rodoanel e criação do SuperAção SP
  • 2026 — inauguração da Linha 17-Ouro e reeleição em primeiro turno

Privatizações, segurança e temas sob contestação

O eixo mais polêmico do governo é o das privatizações. A Sabesp foi vendida em julho de 2024 por R$ 14,8 bilhões, operação criticada por entidades sindicais, que apontam venda abaixo do valor de mercado e perdas de cerca de R$ 4,5 bilhões aos cofres estaduais, além de reajustes posteriores nas tarifas. Na educação, o Tribunal de Justiça de São Paulo anulou leilões de escolas públicas realizados em 2024 e suspendeu o processo de privatização, e a PEC aprovada em 2024 flexibilizou parte do orçamento obrigatório do ensino. Na segurança pública, o governo foi criticado por cortes no programa de câmeras corporais, pelo aumento das mortes em ações policiais e por operações denunciadas à ONU e à OEA.

Na pauta fundiária, a aplicação da Lei Estadual 17.557/2022 para regularizar terras devolutas no Pontal do Paranapanema virou alvo de ação no Supremo Tribunal Federal. Já o fim do regime especial de ICMS para bares e restaurantes, decretado em dezembro de 2024, e os cortes na Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, também geraram embate com os setores afetados.

Família e fé

Tarcísio é casado desde 1997 com Cristiane Freitas, natural de Parnamirim (RN), e tem dois filhos, Matheus e Letícia. Antes de se fixar em São Paulo, a família morou em Manaus, no Rio de Janeiro e em Belo Jardim (PE), acompanhando as transferências da carreira militar. Católico praticante, ele sancionou a lei que declara a Marcha para Jesus patrimônio cultural imaterial do estado.

A reeleição de 2026

Cotado durante anos como possível candidato à Presidência, Tarcísio declarou em 22 de janeiro de 2026 que disputaria a reeleição e reafirmou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto. Em 1º de agosto de 2026, o Republicanos oficializou sua candidatura em convenção no Ginásio do Ibirapuera, com Felicio Ramuth (MDB) novamente como vice e uma coligação de 13 partidos. Reeleito em 4 de outubro de 2026 com 62,65% dos votos válidos, ele venceu a disputa em 639 dos 645 municípios paulistas, segundo a apuração divulgada pela imprensa.

No segundo mandato, a agenda declarada segue a mesma direção dos últimos anos: reduzir o tamanho do Estado, ampliar concessões, privatizações e parcerias com a iniciativa privada, e atrair investimentos para projetos de infraestrutura — a marca que o levou do Exército e da auditoria pública ao comando do maior estado do país.

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Projetos de Tarcísio de Freitas

Programa Casa Paulista
Programa Casa Paulista
Programa habitacional do governo de São Paulo criado em 2023 para reduzir o déficit de moradias e ampliar o acesso de famílias de baixa renda à casa própria.
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Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo
Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo
Monotrilho de 6,7 km que liga o Aeroporto de Congonhas à malha metroferroviária de São Paulo, inaugurado em março de 2026 após mais de uma década de obras.
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Trem Intercidades – Eixo Norte
Trem Intercidades – Eixo Norte
Concessão do trem de passageiros entre São Paulo e Campinas, leiloada em 2024, com 101 km de extensão e viagem estimada em cerca de 60 minutos.
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Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas
Trecho Norte do Rodoanel Mário Covas
Última etapa do Rodoanel Mário Covas, com 44 km previstos entre a Dutra e o entorno da capital; o primeiro segmento foi entregue em dezembro de 2025.
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Pró-Trilhos
Pró-Trilhos
Programa federal lançado em 2021 para atrair investimento privado para ferrovias por meio de autorizações, com base na Lei das Ferrovias.
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