Em 5 de outubro de 1993, o Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, abriu a primeira edição do Festival Mix Brasil com uma seleção de curtas que havia passado pelo MIX de Nova York. A curadoria era de André Fischer, jornalista carioca que havia apresentado aos americanos a mostra Brazilian Sexualities. O que parecia uma sessão especial de cinema virou um dos principais festivais de cultura da diversidade do país — e ele nunca mais saiu de perto dessa engrenagem.
André Fischer nasceu no Rio de Janeiro, em 1966, e mora em São Paulo desde 1986. Jornalista, DJ, gestor cultural e pesquisador, ele construiu uma trajetória que cruza comunicação, ativismo e produção cultural. Antes de dirigir o festival, assinou a coluna GLS da Revista da Folha, publicou livros de comportamento e ajudou a montar uma das primeiras redes digitais voltadas ao público LGBT+ da América Latina. Hoje, além de continuar à frente do MixBrasil, atua como consultor de comunicação inclusiva, palestrante e pesquisador na área de imagem e som.
Quem é André Fischer
André Fischer é o criador e diretor do Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade, evento que existe desde 1993 e se desdobrou em premiação, mostra de teatro, música e literatura, laboratórios de cinema e plataformas de inovação. Ele também fundou o portal MixBrasil, que durante duas décadas foi uma das principais fontes de notícias e cultura LGBT+ do Brasil, e a Revista Junior, lançada em 2007 como alternativa às publicações que tratavam o público gay apenas pelo viés do entretenimento adulto.
A trajetória dele ajuda a explicar uma pergunta que muita gente faz: por que o nome de André Fischer aparece ligado a tantas frentes diferentes, do rádio à tecnologia? A resposta está na origem profissional. Ele começou a trabalhar com comunicação antes de a internet comercial chegar ao Brasil e aprendeu a operar em várias linguagens ao mesmo tempo — locução, curadoria, edição, produção de eventos e gestão de projetos culturais.
Do BBS ao portal: a internet LGBT+ antes das redes sociais
Em agosto de 1994, André Fischer criou o BBS MixBrasil, um sistema de quadros de mensagens que funcionava por conexão discada e é apontado como o primeiro espaço virtual voltado exclusivamente ao público LGBT+ na América Latina. Com sedes em São Paulo e no Rio de Janeiro, a rede conectava usuários por fóruns, recados e troca de informações sobre cultura, direitos e vivências muito antes de aplicativos de relacionamento e redes sociais.
Dois anos depois, o projeto se transformou no site mixbrasil.com.br, que em 1997 passou a ser hospedado no UOL e, a partir de 2000, entrou no pacote de conteúdo oferecido aos assinantes do portal. Até encerrar as atividades, em 2014, a publicação cobriu direitos humanos, saúde, política, comportamento e agenda cultural, além de servir de vitrine para o próprio festival. Foi nesse ambiente que a sigla GLS — gays, lésbicas e simpatizantes — nasceu, em 1994, para identificar os frequentadores da mostra e acabou incorporada pela imprensa brasileira.
Festival MixBrasil: como o evento cresceu
O festival nasceu de um convite do Departamento de Cinema do Museu da Imagem e do Som, que decidiu sediar no Brasil uma versão do MIX de Nova York. A primeira edição exibiu 76 trabalhos selecionados da programação americana, organizados em 12 programas de curtas. Nas décadas seguintes, a mostra se expandiu para longas-metragens, teatro, música, literatura, conferências, laboratórios e experiências imersivas, com edições anuais em novembro, na cidade de São Paulo, e desdobramentos em outras capitais.
A premiação distribui o Coelho de Ouro e o Coelho de Prata em categorias como melhor longa e melhor curta brasileiros, direção, roteiro e interpretação, além do voto popular e do Show do Gongo, prova em que o público julga os filmes em tempo real. Duas plataformas ligadas ao evento, Mix.XR e MixLab, dedicadas a narrativas imersivas, tecnologias emergentes e formação criativa, foram reconhecidas pelo World Summit Awards, premiação internacional ligada ao ecossistema das Nações Unidas.
O que André Fischer faz hoje
Além da direção do festival, André Fischer é sócio da Inclusive Consultoria e Comunicação, empresa que desenha estratégias de comunicação, formações e projetos culturais para organizações públicas e privadas, com foco em diversidade e inclusão. Entre as frentes de trabalho estão treinamentos e workshops de comunicação inclusiva, curadoria de eventos e espetáculos, pesquisa aplicada em inteligência artificial e desenvolvimento de metodologias personalizadas.
No meio acadêmico, é doutorando e mestre em Imagem e Som pela UFSCar, com doutorado sanduíche na Aix-Marseille Université, na França. Sua pesquisa atual investiga inteligência artificial na produção audiovisual independente LGBT+ do Brasil, tema que também levou a jornadas e colóquios na ECA-USP e em congressos de comunicação. A formação inclui ainda cursos de Gestão Estratégica de Digital Analytics pela FGV-SP, Marketing Digital e Data Science pela FIAP e Economia pela UFRJ.
No áudio, apresenta desde 2012 o Podcast Inclusive, ao lado de Marcelo Guimarães, sobre comunicação inclusiva, curadoria transmídia e produção cultural. Antes, comandou o programa CBN MixBrasil, na Rádio CBN, ao lado de Petria Chaves, o Boletim MixBrasil na Energia 97 e o DJ Mix, da Rádio UOL, entre 1998 e 2011. Na televisão, apresentou o Cine MixBrasil, de curtas-metragens, no Canal Brasil, e foi colunista do MTV Notícias.
Livros e comunicação inclusiva
Autor de sete livros, André Fischer começou na literatura com obras de comportamento e humor, como Sozinho na Cozinha (2005), Dicas de sexo para mulheres por um homem gay (2006), 1º Almanaque de Banheiro (2007) e Como o mundo virou gay? (2008). Em 2021, publicou pela Editora Matrix o Manual Ampliado de Linguagem Inclusiva, obra que propõe uma revisão consciente de expressões e termos para evitar preconceitos no dia a dia de empresas, escolas e veículos de comunicação.
O manual se tornou uma das portas de entrada para o trabalho de consultoria do autor e é usado em formações sobre escrita e fala inclusivas. Temas como letramento digital, narrativas transmídia, sustentabilidade e festivais também aparecem entre os interesses de pesquisa que ele mantém na universidade e em publicações acadêmicas.
Gestão pública e reconhecimento internacional
Entre maio de 2019 e março de 2024, André Fischer implementou e dirigiu o Centro Cultural da Diversidade da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, no bairro do Itaim Bibi. O espaço recebeu teatro, exposições, cinema, debates e oficinas, além de um programa de residências artísticas criado durante a pandemia. Ele também foi membro do conselho e diretor de Comunicação da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, cuidando da divulgação do evento e da relação com a imprensa.
Em 2025, recebeu a condecoração de Chevalier de l'Ordre des Arts et des Lettres, concedida pelo Ministério da Cultura da França a nomes que se destacam na promoção das artes e da cultura. O reconhecimento coroa uma trajetória iniciada nos anos 1980, quando ele deixou o Rio de Janeiro para trabalhar em São Paulo e passou a circular entre redações, pistas de dança e projetos de visibilidade.
Marcos da trajetória de André Fischer
- 1993 — criação do Festival Mix Brasil, a partir da curadoria da mostra Brazilian Sexualities no MIX de Nova York;
- 1994 — lançamento do BBS MixBrasil, primeiro espaço virtual voltado ao público LGBT+ da América Latina;
- 1996 — início do site mixbrasil.com.br, hospedado no UOL a partir de 1997;
- 2007 — lançamento da Revista Junior e publicação do 1º Almanaque de Banheiro;
- 2019 a 2024 — direção do Centro Cultural da Diversidade, em São Paulo;
- 2021 — publicação do Manual Ampliado de Linguagem Inclusiva;
- 2025 — condecoração como Chevalier de l'Ordre des Arts et des Lettres.
Perguntas frequentes sobre André Fischer
Quem criou o Festival MixBrasil?
O festival foi criado por André Fischer em 1993 e segue sob sua direção. A curadoria de filmes e a direção administrativa contam com outros profissionais, como João Federici e Josi Geller, que ajudam a manter a programação anual em São Paulo.
André Fischer é a mesma pessoa do portal MixBrasil?
Sim. Ele idealizou o BBS MixBrasil, em 1994, e o portal que deu sequência ao projeto, no ar até 2014. O festival e a produtora Associação Cultural MixBrasil mantêm o nome e a marca, embora sejam estruturas diferentes do antigo site de notícias.
Como acompanhar o trabalho de André Fischer?
O site oficial andrefischer.com.br reúne artigos, informações sobre consultoria e a agenda acadêmica. O festival divulga programação e inscrições em mixbrasil.org.br. Nas redes, o autor mantém perfil no Instagram (@andrefischer), no LinkedIn e no X, além do Podcast Inclusive, disponível em plataformas de áudio.






