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André Singer

Nascimento: 1958 São Paulo, SP
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Cientista político, professor da USP e jornalista, cunhou o conceito de lulismo e escreveu livros de referência sobre a política brasileira recente.

André Singer colocou um nome no fenômeno político que dominou o Brasil por boa parte das últimas duas décadas: o lulismo. O conceito apareceu no artigo "Raízes sociais e ideológicas do lulismo", publicado pela revista Novos Estudos, do Cebrap, em 2009, e virou chave de leitura para entender por que os eleitores mais pobres passaram a sustentar um governo que preservava a política econômica conservadora. O cientista político, professor da USP e jornalista se consolidou, desde então, como uma das principais referências na interpretação da política brasileira, do auge da popularidade de Lula à crise que terminou no impeachment de Dilma Rousseff.

Filho do economista Paul Singer, professor da USP e conhecido pelos estudos sobre economia solidária, e da linguista Evelyn Helene Ines Pape, ele construiu uma trajetória pouco comum: passou por redações, trabalhou no Palácio do Planalto e voltou à academia, onde virou professor do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. A circulação entre jornalismo e universidade, entre o centro do poder e a pesquisa, marca o jeito de escrever do autor: dados eleitorais, interpretação histórica e linguagem direta na mesma página.

Formação na USP e os anos de redação

Nascido em São Paulo, em 1958, Singer graduou-se em Ciências Sociais em 1980 e em Jornalismo em 1986, os dois cursos na USP. Na segunda metade dos anos 1980 entrou na Folha de S.Paulo, onde foi secretário de redação entre 1987 e 1988 e permaneceu até 2001. Em paralelo, construiu a carreira acadêmica na área de Ciência Política: mestrado em 1993, doutorado em 1998 e livre-docência em 2011, todos pela FFLCH. Comportamento eleitoral, partidos políticos e teoria política moderna estão entre os temas que pesquisa desde então.

Marcos da trajetória de André Singer

  • 1980 e 1986: graduação em Ciências Sociais e em Jornalismo na USP;
  • 1987 a 1988: secretário de redação da Folha de S.Paulo;
  • 1993, 1998 e 2011: mestrado, doutorado e livre-docência em Ciência Política na FFLCH-USP;
  • 2003 a 2007: porta-voz da Presidência da República e secretário de imprensa do Palácio do Planalto;
  • 2009: artigo "Raízes sociais e ideológicas do lulismo" dá origem ao conceito;
  • 2012 e 2018: publicação de Os sentidos do lulismo e de O lulismo em crise.

O que é o lulismo, segundo André Singer

Na formulação de Singer, lulismo não é sinônimo de petismo nem de popularidade de um líder. O termo descreve um realinhamento eleitoral: os mais pobres, beneficiados pela inclusão social e temerosos da desestabilização econômica, passaram a apoiar um governo que combinava reformismo fraco, ou seja, mudanças graduais sem confronto com os interesses consolidados, e pacto conservador com o capital financeiro. A equação explicava a força eleitoral de Lula e também os seus limites.

Desenvolvido a partir de dados de levantamentos de opinião e resultados de eleições presidenciais, o argumento ganhou livro em Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador (Companhia das Letras, 2012). O conceito circulou rápido: passou a ser empregado por pesquisadores, por jornalistas e pelos próprios personagens da disputa política, muitas vezes em sentidos divergentes. Essa difusão incomum de um termo acadêmico é um dos motivos pelos quais o autor segue sendo convocado a explicar o Brasil em entrevistas, cursos e debates.

De porta-voz da Presidência à volta à academia

Entre 2003 e 2007, Singer ficou no centro do poder: foi porta-voz da Presidência da República no primeiro governo de Lula e secretário de imprensa do Palácio do Planalto entre 2005 e 2007. Depois do período no governo, retomou a vida universitária na USP. Hoje é professor do Departamento de Ciência Política e pesquisador do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic). A passagem pelo Planalto deu a ele uma experiência rara entre os analistas da área: conhecer o jogo por dentro e, ainda assim, submetê-lo a crítica acadêmica nos livros seguintes.

O lulismo em crise e o que o período Dilma revelou

Em O lulismo em crise: um quebra-cabeça do período Dilma (2011-2016) (Companhia das Letras, 2018), Singer examina como o arranjo político dos anos Lula se desfez. A tese central aponta o afastamento de duas vigas estruturantes, a relação com o capital financeiro e a aliança com o PMDB, como fator de custo alto para o governo Dilma. O livro percorre a nova matriz econômica, as manifestações de junho de 2013, a reeleição apertada de 2014 e a crise que resultou no impeachment de Dilma Rousseff. É leitura frequente de quem procura entender as origens da crise institucional daquela década.

Entre os dois livros-assinatura, o autor ainda organizou, com Isabel Loureiro, a coletânea As contradições do lulismo: a que ponto chegamos? (Boitempo, 2015), que reúne ensaios sobre os impasses do período 2008-2014. As três obras formam, na prática, uma trilogia sobre o ciclo político mais estudado do Brasil recente.

Os principais livros de André Singer

  • O PT (Publifolha, 2001);
  • Esquerda e direita no eleitorado brasileiro (Edusp, 2002);
  • Os sentidos do lulismo (Companhia das Letras, 2012);
  • As contradições do lulismo (Boitempo, 2015), organizado com Isabel Loureiro;
  • O lulismo em crise (Companhia das Letras, 2018).

Onde encontrar a obra e as análises

Os títulos de Singer circulam em edições impressas e digitais, e há uma página do autor na Amazon com a lista de publicações. Quem quer acompanhar a produção acadêmica encontra caminho no Departamento de Ciência Política da FFLCH-USP e no acervo da revista Novos Estudos, do Cebrap, onde o artigo de 2009 foi publicado. Em 2026, ano de eleição presidencial, o cientista político segue sendo chamado a analisar o impasse brasileiro em entrevistas e debates, aplicando a mesma lente de comportamento eleitoral a um cenário novo.

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