As contradições do lulismo: a que ponto chegamos? reúne oito ensaios sobre o intervalo entre o otimismo dos anos de crescimento e a explosão de junho de 2013. A coletânea, publicada pela Boitempo na coleção Estado de Sítio, foi organizada por André Singer e Isabel Loureiro, com textos de pesquisadores de diferentes áreas, e dissecou o período de 2008 a 2014, marcado pelo que os organizadores chamam de ensaio desenvolvimentista tardio.
O mapa das antinomias brasileiras
Os capítulos registram pares que convivem sem se resolver: inclusão social sem cidadania plena, crédito educacional em expansão com crescimento do ensino superior privado, internacionalização de sindicatos com precarização do trabalho, esperança de mobilidade com rebaixamento de expectativas. A proposta não é fechar diagnóstico apressado, e sim mapear as ambiguidades de um modelo que melhorou a vida de muita gente e, ao mesmo tempo, manteve estruturas antigas de poder.
Junho de 2013 como divisor
Na avaliação dos autores, a coexistência aparentemente equilibrada desses opostos começou a desmoronar com as manifestações de junho de 2013, que expuseram o descompasso entre a melhora dos indicadores e a permanência de problemas antigos nos serviços públicos e na representação política. Os ensaios funcionam, por isso, como material para decifrar a conjuntura que se abriu naqueles anos, incluindo a crise que levaria ao impeachment.
Quem assina os ensaios
Além dos organizadores, a coletânea reúne pesquisadores de diferentes áreas das humanidades e traz orelha assinada pela economista Leda Paulani. Os textos foram produzidos no calor do período e revisados para a publicação, o que dá ao volume uma combinação de análise de conjuntura e distanciamento crítico, útil tanto para quem pesquisa o período quanto para quem quer revisitar a década com mais instrumentos.
Como o livro se encaixa na obra de Singer
A coletânea fica entre Os sentidos do lulismo (2012), o livro-síntese do conceito, e O lulismo em crise (2018), a análise do período Dilma. Enquanto os dois volumes assinados sozinho apresentam o argumento central, os ensaios reunidos aqui oferecem o retrato coletivo de uma década de transformações inacabadas. Leitores que acompanham o debate sobre desenvolvimentismo, políticas sociais e crise política encontram no volume um panorama com várias entradas possíveis, seja pelos capítulos individuais, seja pela leitura corrida.




