O lulismo em crise: um quebra-cabeça do período Dilma (2011-2016) enfrenta a pergunta que dominou o debate político brasileiro nos anos 2010: o que transformou a presidente mais bem avaliada do mundo em alvo de um impeachment em menos de quatro anos? André Singer parte do arranjo que havia explicado em Os sentidos do lulismo e remonta as peças daquele quebra-cabeça, uma a uma, até a crise que marcou a política brasileira na década.
A tese central identifica duas vigas estruturantes do lulismo: a relação com o capital financeiro e a aliança com o PMDB, descrito pelo autor como o "partido do interior". O afastamento dessas duas vigas teria custado caro ao governo, que passou a enfrentar, ao mesmo tempo, oposição no Congresso, desconfiança do mercado e perda de apoio na base.
Da nova matriz econômica a junho de 2013
O livro reconstrói a aposta da chamada nova matriz econômica, com juros menores, câmbio desvalorizado e incentivos ao setor industrial, e mostra por que a estratégia não se sustentou. Em seguida, examina as manifestações de junho de 2013, que expuseram uma insatisfação difusa nas grandes cidades, e acompanha a reeleição apertada de 2014 até o processo que terminou no afastamento da presidenta.
Uma interpretação original do sistema político
O diferencial da obra está na conexão entre economia, eleições e funcionamento do sistema partidário. Singer não trata o impeachment como acidente: descreve um encadeamento de decisões e alianças que deixou o governo sem as bases que sustentaram Lula nos anos anteriores. Para quem acompanhou os fatos pela imprensa diária, o livro oferece o mapa de fundo; para quem estuda o período, entrega uma interpretação sistemática e documentada.
O contexto de lançamento
O livro chegou às livrarias em 2018, ano de eleição presidencial e de forte polarização. A distância do calor imediato dos acontecimentos permitiu ao autor trabalhar com documentos, dados econômicos e uma linha do tempo detalhada do período Dilma, sem abrir mão de uma interpretação própria sobre o papel das instituições e dos partidos no desfecho da crise.
Para quem é a leitura
O texto interessa a estudantes e pesquisadores de ciência política, a profissionais que cobrem o Legislativo e a economia e a leitores que querem entender a crise política brasileira para além das manchetes. A obra é a continuação natural de Os sentidos do lulismo e dialoga com As contradições do lulismo (2015), coletânea organizada pelo autor com Isabel Loureiro. Quem procura as três etapas da análise pode encontrá-las reunidas na página do autor na Amazon, em edições impressas e digitais.




