Atilio Bari fez do palco assunto de televisão: idealizou e apresenta o Persona, programa da TV Cultura que desde 2015 coloca atores, diretores e dramaturgos para conversar sobre o ofício diante de uma plateia de estudantes de teatro. É a mesma voz que, toda quarta-feira, comenta espetáculos, livros e a cena cultural brasileira no rádio.
Ator, dramaturgo, diretor e escritor, Atilio José Bari nasceu em São Paulo, em 11 de maio de 1952. A trajetória passa pelo teatro de grupo, pela literatura infantojuvenil premiada e pela criação de programas de cultura na TV Cultura — são nove livros publicados, dezenas de montagens e mais de três décadas de conversas com quem faz arte no Brasil.
Quem é Atilio Bari e por que o nome dele é buscado
Quem procura o nome dele costuma chegar por três caminhos: quer saber quem é o apresentador que conduz as entrevistas do Persona, procura os livros infantis que circulam em escolas ou acompanha as colunas de rádio sobre teatro. Os três caminhos levam à mesma pessoa: um homem de palco que passou a vida explicando o teatro para quem está fora dele.
Na televisão, recebe convidados como Reynaldo Gianecchini, Danielle Winits, Caco Ciocler, Daniel Boaventura e Giulia Gam. No rádio, comenta o que está em cartaz e o que vale ser lido. Na literatura, escreve para crianças e jovens com o mesmo respeito pelo leitor que aprendeu nos grupos teatrais.
Do Grupo Theatralha à criação de programas na TV Cultura
Antes da televisão, veio o palco. Bari fundou o Grupo Theatralha & Cia., com o qual montou espetáculos que receberam prêmios em festivais de teatro de São Paulo e do Rio de Janeiro. A experiência de dividir autoria, produção e atuação marcou a forma como ele passou a produzir cultura depois.
Na TV Cultura, criou os programas Baú de Histórias e Agendinha e assinou adaptações de textos teatrais para a emissora. Também coordenou projetos de popularização do teatro pela Secretaria Estadual de Cultura de São Paulo, como o Domingo no Teatro, em 2003 e 2004, o Teatro Por Um Real e a Campanha de Popularização do Teatro da Apetesp, entre 1999 e 2001.
Desde 1990, produz e apresenta o Em Cartaz, programa ao vivo da TV Aberta de São Paulo dedicado à agenda cultural, com destaque para teatro, música, exposições e eventos de entrada franca. Assinou ainda a produção do Entrada Franca, co-idealizou o Direções (2007), adaptou textos para a série Senta que lá vem Comédia (2005-2006) e dirigiu e apresentou a série Novela — 65 Anos de Emoções (2017).
Persona: a entrevista como conversa de ofício
O Persona estreou em 30 de junho de 2015, na TV Cultura, com um formato diferente dos talk shows: as entrevistas são conduzidas por duas pessoas ligadas ao convidado, em um ambiente descontraído, com plateia formada por estudantes de teatro e jovens atores. Bari idealizou o programa e o apresenta desde o início; a partir de 2021, Chris Maksud passou a dividir a bancada.
Pela conversa já passaram nomes como Reynaldo Gianecchini (2024), Danielle Winits e Caco Ciocler (2025), Daniel Boaventura (2025) e Giulia Gam, que abriu a temporada de 2026. O programa vai ao ar aos domingos, às 21h, e os episódios ficam disponíveis no canal do Persona no YouTube.
Livros premiados para crianças, jovens e palcos
A literatura de Atilio Bari circula entre a ficção infantojuvenil e o texto teatral. O Gato do Teatro recebeu os prêmios João de Barro e Cidade de Belo Horizonte como melhor obra de literatura infantojuvenil. Lilavati, história que já havia passado pelos palcos em 1997, venceu o Concurso Agostinho de Cultura em 2013 e foi publicada pela Editora Adonis. Julgamento no Velho Chico, texto teatral premiado no concurso Coleção Vertentes, da Universidade Federal de Goiás, em 2014, saiu pela Editora UFG. No mesmo ano, o autor venceu o Concurso de Dramaturgia Cidade de Manaus com Meu Querido Anarquista.
Entre os títulos infantis estão também:
- 10 que valem 30!
- A samambaia, o vira-lata e o blufiano
- Barriga e Minhoca, marinheiros de Cabral
- Bem-me-quer, mal-me-quer!
- O tesouro do pirata Pão-duro, que traz ao fim do volume dicas para montar a peça e o texto teatral.
Teatro: atuação, autoria e direção
A lista de montagens em que atuou, escreveu ou dirigiu acompanha as décadas:
- A Mandrágora (1987), de Maquiavel, com direção de Jamil Dias;
- O Pequeno Imperador (1992), escrito e interpretado por ele;
- Lilavati (1997);
- Filoctetes (2000), de Sófocles;
- Ai, Caçarola (2005-2006), com texto, direção e atuação;
- O Homem que Calculava (2007), adaptação da obra de Malba Tahan que dirigiu e interpretou;
- O Tesouro do Pirata Pão-duro (2008), escrito e dirigido por ele;
- Lilavati — Uma Aventura das Índias... e de Outros Lugares Também (2010);
- Pigs — Os 3 Porquinhos, Uai! (2012);
- Eu Te Amo, Meu Brasil (2015);
- Caras de Plauto (2019).
Rádio, coluna semanal e podcast
Toda quarta-feira, Bari participa do Estação Cultura, da Rádio Cultura FM, com uma coluna sobre teatro, literatura, cinema e eventos culturais. O conteúdo também é publicado em formato de podcast: o Coluna Atílio Bari reúne mais de 120 episódios e permite acompanhar a programação cultural sem depender do horário da rádio.
É nesse espaço que ele comenta peças em cartaz, lançamentos de livros e a atualidade — do teatro de grupo às grandes produções, de clássicos da dramaturgia a espetáculos recém-estreados. Quem acompanha o Persona encontra ali o complemento: a mesma curiosidade sobre o ofício, em outro formato e com outra frequência.
Onde acompanhar Atilio Bari hoje?
O Persona vai ao ar na TV Cultura aos domingos, às 21h. A coluna semanal pode ser ouvida no Estação Cultura, na Rádio Cultura FM, e no podcast Coluna Atílio Bari. No Instagram, ele fala do programa, de teatro e de cultura em geral.
Por onde começar a ler Atilio Bari?
Para leitores infantis, O Gato do Teatro é a porta de entrada mais direta, pela premiação e pela linguagem acessível. Quem gosta de narrativa de aventura pode começar por Lilavati; quem procura texto teatral encontra em Julgamento no Velho Chico um exemplo do humor e da crítica social que marcam a dramaturgia dele. Para conhecer a produção adulta, A Fabulosa Companhia de Bardo Amarante leva ao universo mambembe que ele conhece desde os tempos do Grupo Theatralha. Quem quiser continuar a busca por literatura brasileira e por podcasts encontra outras vozes nas páginas de tags.






