Aos 13 anos, Breno Perrucho perdeu o pai num acidente de carro e herdou cerca de R$ 70 mil que só poderia mexer aos 18. Quando o dinheiro chegou — já próximo de R$ 90 mil na poupança —, o jovem carioca da Tijuca descobriu que a escola não tinha ensinado o que fazer com ele. Essa lacuna virou combustível: ele criou o canal Jovens de Negócios, virou referência em educação financeira para uma geração que prefere vídeo a cartilha e, depois, levou o mesmo método para dentro da sala de aula.
Hoje Breno é buscado por quem quer entender como um criador de conteúdo saiu do quarto, na Tijuca, para montar empresa, virar sócio de Thiago Nigro e do Grupo Primo, e empurrar educação financeira, empreendedora e socioemocional para a educação básica no Brasil. Nascido no Rio de Janeiro em 15 de fevereiro de 1997, ele fala de dinheiro, negócio e mentalidade com linguagem de quem cresceu no YouTube — e de quem já testou os próprios erros de investidor iniciante.
Quem é Breno Perrucho
Breno Perrucho é empreendedor, autor e criador do canal Jovens de Negócios, com mais de 2,5 milhões de inscritos no YouTube. Sua marca pública mistura didática leve, história pessoal e foco em quem está começando: reserva, renda fixa, empreendedorismo e a distância entre o que a escola promete e o que a vida financeira exige.
Ele também é fundador e CEO da Jovens for Schools, braço que leva programas de educação financeira e competências empreendedoras para escolas. O projeto evoluiu no Programa Lidere, apresentado como iniciativa que integra finanças, empreendedorismo e inteligência socioemocional na educação básica, com base no quadro europeu EntreComp.
Origem, herança e o primeiro choque com o dinheiro
Cresceu em família de classe média no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro: nada faltava de forma dramática, mas também não sobrava em abundância. Estudou em escola pública e, ainda adolescente, usava o YouTube para postar músicas — tocava piano, bateria, violão e ukulele.
A morte do pai mudou o mapa. A herança ficou bloqueada até a maioridade e, quando liberada, forçou uma pergunta prática: como investir sem virar refém de conselho aleatório? Breno mergulhou em canais e livros de finanças pessoais. Entre as referências que ele mesmo cita no início da jornada estão Nathalia Arcuri, Thiago Nigro e Bruno Perini — nomes que já moldavam a conversa digital sobre dinheiro no Brasil.
Medicina, engenharia e a virada para o YouTube
Depois do ensino médio, entrou em medicina com a ideia de, um dia, abrir o próprio consultório com o dinheiro da herança. A disciplina Saúde da Família, com visitas a comunidades do Rio, acendeu outro alarme: a falta de informação financeira não era detalhe de planilha, era vida concreta. Breno trancou medicina e migrou para engenharia de produção na UFRJ.
Foi num projeto acadêmico de gestão de empresa — negociar com clientes, medir indicadores, liderar equipe — que o interesse por negócios ganhou corpo. Percebeu que colegas inteligentes ainda não sabiam investir. A resposta foi gravar. Em 4 de outubro de 2018 nasceu o canal Jovens de Negócios, com câmera já usada nos vídeos de música e um softbox barato. Em poucos meses, trancou a faculdade e se dedicou de madrugada a estudar, escrever e editar.
Como o canal Jovens de Negócios cresceu
O formato apostava em linguagem jovem e direta sobre investimentos, empreendedorismo, economia e temas que raramente entram no currículo escolar. O público acompanhou: em cerca de sete meses o canal chegou a dezenas de milhares de inscritos; anos depois, passou da marca de milhões e se tornou o núcleo de uma empresa de educação, não só de um perfil de vídeo.
Em janeiro de 2020, a operação se consolidou com sociedade. Depois de aparecer no ecossistema do PrimoCast e de conversas sobre parceria comercial, Breno entrou em negócio com Thiago Nigro e, na sequência, com participação maior envolvendo o grupo ligado a Guilherme Benchimol e à XP, segundo relatos públicos da época. O canal deixou de ser “só YouTube” e passou a carregar marca, equipe e produtos de formação.
- YouTube: canal Jovens de Negócios, com milhões de inscritos e foco em educação financeira e empreendedorismo.
- Livro: O que o ensino não te ensina, com prefácio de Thiago Nigro.
- Formação digital: treinamentos como Escola de Dinheiro e, mais recentemente, a Mentoria PILAR.
- Escolas: Jovens for Schools e Programa Lidere na educação básica.
- Marcas ligadas à empresa: menções públicas a braços como Kraüss Studios, The Compass e Vila Mônaco.
Livro, cursos e a mentoria PILAR
Em O que o ensino não te ensina, Breno traduz a crítica que o tornou conhecido: a escola ensina pouco sobre dinheiro, relações e construção de carreira fora do roteiro tradicional. O livro fala de empreendedorismo, investimentos e inteligência emocional sem se vender como manual mágico — e virou ponto de entrada para quem chegou pelo canal.
No digital, a Escola de Dinheiro aparece em biografias e materiais da Finclass como treinamento do zero ao avançado em organização financeira, economia, renda fixa, ações, fundos imobiliários e montagem de carteira. Já a Mentoria PILAR, apresentada em seu site oficial, combina educação financeira, inteligência socioemocional e empreendedorismo em encontros ao vivo, hotseats e rede de mentorados, com lista de espera pública.
Na Finclass, Breno também assina a aula “Primeiros Passos”, voltada a quem ainda tem medo de começar a investir: ativo e passivo, reserva de emergência, renda fixa e variável, diversificação e como reagir a crises.
Da tela para a escola: Jovens for Schools e Programa Lidere
O passo seguinte foi institucional. Como CEO da Jovens for Schools, Breno passou a vender a ideia de que educação financeira e empreendedora precisam entrar cedo, na educação básica, e não só no feed de quem já pesquisa “como investir”. O Programa Lidere, com Thiago Nigro e Juarez Junior entre os nomes associados publicamente, se apresenta como programa pioneiro no país a integrar finanças, empreendedorismo e competências socioemocionais com base no EntreComp da União Europeia.
Fontes institucionais e entrevistas falam de dezenas de milhares de alunos e presença em dezenas de escolas em vários estados. O recorte importa: o mesmo criador que ensina reserva e CDB no YouTube tenta virar política pedagógica de sala de aula — com materiais, plataforma e discurso de competência, não só de “dica de investimento”.
Como ele fala de investimentos e de carreira
No começo, Breno conta ter começado pelo Tesouro Direto e pela renda fixa com proteção do FGC, depois experimentado ações, fundos imobiliários e até produtos que ele mesmo classifica como erro, como opções binárias. Depois da consolidação da empresa, declarações públicas apontam carteira mais conservadora, com peso em dividendos e fundos imobiliários, e a própria empresa como grande fatia do patrimônio.
A voz pública permanece didática: desmontar o que “ensinaram errado”, separar ativo de passivo, priorizar reserva antes de arriscar. Não se vende como guru de tip, e sim como alguém que transformou curiosidade de herdeiro inseguro em negócio de mídia e educação.
Por que Breno Perrucho importa agora
Quem busca o nome quer, em geral, três respostas: quem é o cara do Jovens de Negócios; se o conteúdo e os produtos valem a atenção; e o que ele faz além do YouTube. A trajetória responde com fatos encadeados — herança, faculdades abandonadas, canal de 2018, sociedade com o Grupo Primo, livro, mentoria e entrada nas escolas.
No ecossistema brasileiro de educação financeira, Breno ocupa a faixa geracional que fala com quem tem menos de 35 anos sem diluir o tema em jargão de corretora. Se o interesse for o criador, o livro e o canal; se for o empresário da educação, o Programa Lidere e a Jovens for Schools; se for o método de formação, a Escola de Dinheiro e a Mentoria PILAR. Em todos os casos, o fio condutor é o mesmo: o que a escola deixou de fora e o que a vida financeira cobra cedo demais.




