Bruno Mazzeo vendeu suas primeiras piadas para a Escolinha do Professor Raimundo por volta dos 13 anos, época em que o pai, Chico Anysio, corrigia os textos na frente dele com uma regra que virou método: não dizer em dez palavras o que se pode dizer em cinco. Quase duas décadas depois, em novembro de 2005, ele levou essa escola para o Multishow e assinou, pela primeira vez do roteiro ao corte final, a série que definiria sua carreira: Cilada.
Roteirista, ator, produtor e comediante, Bruno Mazzeo de Oliveira Paula nasceu no Rio de Janeiro em 3 de maio de 1977 e cresceu entre estúdios, mas construiu uma assinatura própria, reconhecível no humor que extrai das pequenas situações do cotidiano. É essa marca que reaparece em novelas, séries, filmes, espetáculos de teatro e no curso em que ensina o próprio processo de criação de histórias.
Do programa caseiro à redação da TV Globo
A trajetória começa antes da televisão. Aos oito anos, Mazzeo produzia um programa humorístico caseiro chamado O show é nosso, gravado apenas para os amigos e batizado em homenagem aos programas que assistia: o Chico Anysio Show, do pai, A Praça é Nossa, de Carlos Alberto de Nóbrega, e A Festa é Nossa, de Agildo Ribeiro. A brincadeira antecipava a variedade de funções que ele acumularia na vida adulta.
A estreia na TV veio em 1988, como ator mirim. Dois anos depois, já escrevia para a Escolinha do Professor Raimundo, com cachê simbólico por piada usada. Em 1996, chegou ao Chico Total como roteirista e redator final. Quando o programa foi interrompido, integrou a equipe do Sai de Baixo, um marco de aprendizado sobre improviso e atuação, e depois passou por Vida ao Vivo Show e A Diarista.
Nesse período, suas referências de humor se ampliaram: aos nomes que vinham da infância somaram-se o Monty Python, as crônicas de Nelson Rodrigues e, principalmente, Seinfeld, a série americana sobre o nada que o fez querer construir algo parecido no Brasil. Foi com esse repertório que ele bateu na porta do Multishow sem conhecer ninguém no canal.
Cilada, o humor das pequenas coisas
Exibida em seis temporadas entre 2005 e 2009, Cilada foi o primeiro projeto em que Mazzeo assinou tudo, da concepção à atuação, e virou quadro do Fantástico em 2009. O sucesso abriu caminho para os cinemas: Muita Calma Nessa Hora (2010), que ele também roteirizou e produziu, Cilada.com (2011), E Aí... Comeu? (2012), Vai que Dá Certo (2013) e Chocante (2017) firmaram seu nome como comediante de cinema.
Quinze anos depois do último episódio na TV a cabo, a série ganhou duas temporadas como produção original do Globoplay, em 2024 e 2025, com elenco original e Débora Lamm na parceria de cena. Na nova fase, o roteiro é assinado por Bruno Mazzeo e Rosana Ferrão, com colaboração de Gustavo Gessullo e Bárbara Duvivier, e o personagem encara dilemas de um homem de 40 anos.
Novelas, streaming e o Professor Raimundo
Na televisão aberta, Mazzeo atuou em Beleza Pura (2008), como o advogado José Henrique, em Cheias de Charme (2012) e em A Regra do Jogo (2015). Entre 2015 e 2021, viveu o Professor Raimundo Nonato na nova versão da Escolinha do Professor Raimundo, personagem criado pelo pai, em um dos papéis mais simbólicos de sua carreira.
Na Globoplay, além de Cilada, assinou a narração e o roteiro de Filhos da Pátria (2017 a 2019), vencedora do Prêmio ABRA de Roteiro em 2018, e criou e protagonizou Diário de Um Confinado (2020), série gravada durante a pandemia e indicada ao Emmy Internacional 2021 na categoria de curta duração. Em 2022, apareceu na segunda temporada de Arcanjo Renegado e, em 2023, integrou o elenco de Fim.
Teatro, criação de histórias e onde acompanhar
O teatro acompanha essa trajetória desde os anos 1990. Mazzeo assinou o texto de Os Segredos do Pênis e coescreveu Enfim, Nós, espetáculo que estrelou ao lado de Fernanda Souza com texto em parceria com Cláudio Torres Gonzaga. Em 2013, venceu o Prêmio Fita de Teatro como melhor ator por Sexo, Drogas e Rock'n'Roll. Desde 2024, percorre o país com Gostava Mais dos Pais, comédia em que divide o palco com Lúcio Mauro Filho e transforma em esquetes o legado de ser filho de dois ícones do riso brasileiro.
A vontade de ensinar o próprio processo virou curso: em Criatividade, Humor e Storytelling, conduzido on-line e disponibilizado por meio de uma parceria entre a Percursa e a Fenae, Mazzeo mostra caminhos para construir personagens e escrever histórias engraçadas sem abrir mão da emoção. É também autor do livro Brasil 2020 – Socorro!!! O Futuro Chegou (1996), com prefácio de Luis Fernando Verissimo.
Alguns marcos ajudam a resumir o alcance do trabalho:
- Cilada – seis temporadas no Multishow (2005–2009) e revival no Globoplay (2024–2025);
- Diário de Um Confinado – criada e protagonizada por ele, indicada ao Emmy Internacional 2021;
- Gostava Mais dos Pais – espetáculo em turnê nacional ao lado de Lúcio Mauro Filho;
- Criatividade, Humor e Storytelling – curso on-line em que abre o próprio método de escrita.
No cinema, no palco ou na redação, o fio que costura tudo é o mesmo: a observação do detalhe banal que vira piada. Foi assim que Mazzeo construiu uma obra em que o riso nasce das situações mais simples, herança direta das aulas de timing que teve com Chico Anysio, e que hoje ele repassa para novas gerações de roteiristas em salas de aula virtuais.
Para quem quer entender a origem de tudo, vale comparar a trajetória de Mazzeo com a de seu pai, Chico Anysio, que criou centenas de personagens na TV brasileira. Outra ponte interessante é a novela Beleza Pura, primeira e única assinada por Andréa Maltarolli como autora principal, em que Mazzeo interpretou o trambiqueiro José Henrique Pinto. Já o perfil oficial no Instagram, @eumazzeo, é onde ele compartilha os trabalhos em cartaz.




