Carlos Barros Méro nasceu em Penedo, cidade histórica às margens do Rio São Francisco, em 5 de abril de 1949, e fez da palavra o eixo de uma trajetória que cruza o Direito, a magistratura e a ficção. Filho do poeta Ernani Otacílio Méro e de Nair Barros Méro, cresceu entre os sobrados e as igrejas coloniais que reaparecem em seus contos, memórias e romances — origem que ajuda a explicar tanto o advogado que chegou a procurador-geral quanto o escritor publicado no Brasil e na França.
Ele reside em Maceió e é um dos nomes que o leitor encontra quando procura literatura alagoana contemporânea, a Academia Alagoana de Letras ou livros de contos editados por casas como Scortecci e Marco Zero. As seções a seguir reúnem a formação, os cargos públicos, a passagem pela academia literária e a obra que sustenta sua presença pública.
De Penedo ao curso de Direito em Maceió
Os primeiros estudos de Carlos Méro foram no Colégio Imaculada Conceição, no Grupo Escolar Gabino Besouro e no Colégio Diocesano, todos em Penedo. Ainda adolescente, mudou-se para Maceió, onde concluiu o terceiro ano do então curso Científico no Liceu Alagoano e prestou vestibular para a Faculdade de Direito de Alagoas, na Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
Na faculdade, foi eleito presidente do Centro Acadêmico Guedes de Miranda. Formou-se em Direito e fez especialização em Direito Público pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió (CESMAC), base que sustentaria décadas de atuação no serviço público e no ensino jurídico, como professor na UFAL e no CESMAC.
Quais cargos públicos Carlos Méro ocupou
A carreira jurídica de Carlos Méro passou por funções de destaque no estado e na capital. Entre os cargos que ocupou estão:
- Promotor de Justiça;
- Procurador de Estado;
- Procurador-Geral do Poder Judiciário de Alagoas;
- Diretor-Geral do Tribunal de Contas do Estado de Alagoas;
- Secretário do Gabinete Civil e da Indústria e Comércio do Estado;
- Desembargador Eleitoral;
- Procurador-Geral de Maceió.
Hoje ele atua como advogado, atividade que mantém em paralelo à literatura e à vida acadêmica.
Academia Alagoana de Letras: a cadeira 2 e a presidência
Carlos Méro tomou posse na Academia Alagoana de Letras em 17 de setembro de 1999, na cadeira de número 2, cujo patrono é Pedro Paulino da Fonseca, sucedendo a Aloísio Costa Melo. Entre 2010 e 2017 presidiu a instituição: foram dois mandatos completos e um terceiro interrompido por renúncia apresentada em outubro de 2017, por motivos de saúde, quando foi sucedido por Alberto Rostand Lanverly. Ele permanece como membro da academia.
Além da AAL, integra o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, a Academia Penedense de Letras e a União Brasileira de Escritores, e é Membro Louvado da Confraria Queirosiana — Associação dos Amigos do Solar Condes de Resende, em Vila Nova de Gaia, Portugal. Também presidiu a Fundação Pierre Chalita.
Que livros Carlos Méro publicou
A obra de Carlos Méro reúne novelas, contos, poesia, teatro, memórias e ensaios. Entre os títulos mais conhecidos estão:
- Vida, Paixão e Morte do Irmão das Almas (novela, 1999);
- O Herdeiro das Trevas (novela, 1999);
- O Beco das Sete Facadas e Outras Estórias Alucinadas (contos, 2005);
- Travessias (contos, 2013, em coautoria com Cristina Duarte-Simões);
- Dias Assombrados em Roma (memórias, 2015);
- O Chocalho da Cascavel e outros relatos de maldizer (contos, 2016);
- Contos Covidianos (contos, 2021);
- Relato de um Delírio – Aconteceu em Lisboa (romance, 2025).
Antes da ficção, publicou livros ligados à sua formação, como Estudos e pareceres jurídicos (1985) e o didático Curso básico de filosofia (1972), escrito com Nabor Bulhões. A relação com a obra de Graciliano Ramos rendeu o ensaio em francês Graciliano Ramos: Un monde de peines (2015).
Como a obra circulou fora do Brasil
Parte da produção de Carlos Méro foi publicada na França. O conto "A Lua de Fel do Casal Valhamor" saiu na revista L'Ordinaire des Amériques, da Universidade de Toulouse II – Le Mirail, em 2010 — mesmo número que trouxe o estudo "Carlos Méro, écrivain d'Alagoas", assinado por Cristina Duarte-Simões. Em 2011, a revista Caravelle, da mesma universidade, publicou o conto "O Azedo Regresso da Desesperança", nas páginas 247 a 256.
O que o leitor encontra na obra de Carlos Méro
Nos contos e novelas, a memória de Alagoas aparece como matéria viva: Penedo, o Rio São Francisco, a migração, o folclore e as desigualdades do Nordeste atravessam narrativas que misturam humor, tensão e experimentação com a linguagem. O texto de apresentação de O Beco das Sete Facadas, publicado pela Marco Zero, observa que o autor "parece brincar com as palavras e a sintaxe" ao conduzir as histórias.
O interesse pela obra também passa pelos registros em vídeo e áudio. Em 2026, Carlos Méro participou do podcast PodLetras, da Academia Alagoana de Letras, para analisar a evolução do romance na literatura — um exemplo de como sua atuação como acadêmico e autor segue pública.
Como ler e acompanhar Carlos Méro hoje
Quem quer conhecer a obra pode começar pelas coletâneas de contos e pelo romance mais recente, disponíveis em livrarias online. O perfil do autor na Amazon reúne os títulos em catálogo, e o acervo físico aparece em sebos e bibliotecas, especialmente no Nordeste.
Para ampliar a leitura, vale navegar por outros perfis de literatura e de direito no site, além da página de Lêdo Ivo, poeta que também ocupou uma cadeira da Academia Alagoana de Letras.





