Por 24 anos, Carlos Tramontina ancorou a 2ª edição do SPTV e se tornou uma das vozes mais reconhecíveis da televisão brasileira. A história dele, porém, começou antes da bancada do telejornal: nasceu em Adamantina, no interior de São Paulo, em 11 de maio de 1956, filho de professores, e se mudou para a capital para estudar jornalismo.
Formado pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) em 1977, entrou na TV Globo logo depois de deixar a faculdade e permaneceu 43 anos na emissora — de repórter do Bom Dia São Paulo a âncora do SPTV, com passagens por Jornal Nacional, Jornal da Globo e GloboNews. Quando se despediu da Globo, em abril de 2022, já era autor de três livros e uma presença frequente em eventos corporativos como palestrante. Hoje, divide a agenda entre media training, novos projetos de comunicação e causas que abraçou, como o saneamento básico.
De Adamantina à redação da Globo: o começo da carreira
Antes do diploma, veio o primeiro emprego na área: estagiário do departamento de imprensa da Volkswagen, em São Bernardo do Campo. Assim que se formou, ingressou na TV Globo como repórter do Bom Dia São Paulo, participou do programa Café da Manhã, entrevistando personalidades, e assinou matérias especiais para o Jornal Nacional.
Em 1986, tornou-se subeditor do Bom Dia São Paulo e, no fim daquela década, chegou a editor-chefe do telejornal. No início dos anos 1990, assumiu a apresentação do São Paulo Já, projeto-piloto dos telejornais locais da emissora, que ajudou a estruturar a cobertura da Globo em centenas de municípios paulistas.
SPTV e Antena Paulista: duas décadas como a voz de São Paulo
Em 1998, Tramontina passou a apresentar o SPTV e, na 2ª edição, permaneceu por 24 anos — longevidade que o transformou em uma das presenças mais constantes da televisão brasileira. Na bancada, sucedeu Carlos Nascimento. Em paralelo, foi editor-chefe e apresentador do Antena Paulista, atração dominical de reportagens especiais sobre a capital e o interior de São Paulo.
Em 2000, apresentou o Jornal da Globo em caráter interino, até a contratação de Ana Paula Padrão. Ainda naquele período, comandou o N de Notícia, da GloboNews. Em 1992, durante as comemorações do aniversário de São Paulo, transmitiu o telejornal direto do Parque do Ibirapuera — experiência pioneira que depois se repetiria em locais inusitados, como um helicóptero.
Em 2019, um tropeço ao vivo virou fenômeno nacional: ao apresentar o boletim Radar SP, trocou o horário pelo assunto da matéria e falou "seis e ônibus". O episódio viralizou, virou piada dentro e fora da TV e foi incorporado por ele com bom humor — a frase teve os direitos registrados no INPI e dá nome a um dos quadros do canal que mantém no YouTube. No mesmo ano, representou São Paulo na comemoração dos 50 anos do Jornal Nacional.
Ao longo da carreira, recebeu o prêmio de melhor apresentador do ano da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).
Depois da Globo: CNN, Flow e os próximos passos
A saída da Globo, anunciada pelo próprio jornalista em abril de 2022, encerrou 43 anos de casa. No ano seguinte, ele assinou com a CNN Brasil para apresentar o Freedom Project (Projeto Liberdade), atração da CNN International sobre escravidão moderna, que se encerrou no mesmo ano.
Também em 2023, chegou à vertical Flow News, dos Estúdios Flow, onde apresentou programas como o Tramonta News e o Portas Abertas e conduziu entrevistas e debates sobre política, economia e sociedade para uma audiência mais jovem. Em 2026, encerrou o ciclo no Flow e falou publicamente sobre a decisão em entrevista ao The Noite, do SBT, sinalizando novos projetos profissionais.
Alpinismo, livros e o rio Tietê
Fora do estúdio, o alpinismo sempre foi o contraponto do noticiário — e rendeu livro. Já o envolvimento com o rio Tietê começou na infância, no interior, quando o conheceu em todo o seu esplendor, antes de testemunhar a degradação do curso d'água na capital. Os três livros resumem bem essas duas paixões:
- Entrevista — arte e história dos maiores apresentadores da TV brasileira (1997): a trajetória da televisão contada por meio de suas figuras mais populares;
- A Morada dos Deuses — um repórter nas trilhas do Himalaia (2004): o relato da expedição que fez à cordilheira, publicado pela Sá Editora;
- Tietê, presente e futuro (2011): livro da editora BEĨ sobre o rio que acompanha desde a infância.
Embaixador do saneamento e a agenda de palestras
Tramontina é embaixador do Instituto Trata Brasil, organização dedicada a avançar o saneamento básico no país. Em seu depoimento no site do instituto, ele lembra que viajou até a Coreia do Sul para conhecer a experiência de recuperação de um rio urbano e devolver água limpa à população. "Rio limpo, saneamento básico, água limpa e esgoto tratado... tudo isso significa vida", resume.
No mundo corporativo, atua como palestrante, mestre de cerimônias e condutor de treinamentos de media training, com foco em credibilidade, gestão de imagem, poder da comunicação e adaptação a cenários de transformação. Empresas e associações o convidam para conduzir premiações, convenções e painéis — papel em que a experiência de mais de quatro décadas de jornalismo ao vivo funciona como credencial. É uma agenda construída nos anos finais na Globo e ampliada depois da saída da emissora.
Onde acompanhar Carlos Tramontina
Além dos eventos presenciais, ele mantém um canal no YouTube com vídeos sobre cultura, viagens, gastronomia e curiosidades de São Paulo e do mundo, e publica a rotina profissional no Instagram. Para quem pesquisa a história da televisão brasileira, o perfil no Memória Globo reúne a trajetória detalhada na emissora.






