Em 2 de julho de 2019, o Senado aprovou o relatório da CPI de Brumadinho com pedido de indiciamento de 14 pessoas por homicídio com dolo eventual — entre elas Fábio Schvartsman, presidente da Vale na época da tragédia. O texto tinha a assinatura do relator, um senador de primeiro mandato que, meses antes, apresentava programas de rádio e televisão em Minas Gerais: Carlos Viana.
Nascido em Braúnas (MG), em 22 de março de 1963, Viana passou mais de duas décadas no jornalismo — em veículos como TV Alterosa, Record Minas e Rádio Itatiaia — antes de se eleger senador em 2018. No Congresso, as comissões de inquérito marcaram seu mandato: foi relator de uma das principais CPIs da década e, depois, presidente da CPMI que apurou descontos indevidos em benefícios do INSS. A trajetória ajuda a entender como um âncora de telejornal mineiro chegou à relatoria de investigações de alcance nacional.
Formação e primeiros passos fora das redações
Formado em jornalismo e pós-graduado em Gestão Estratégica de Marketing pelo CEPEAD, o centro de pós-graduação e pesquisas em administração da UFMG, Viana iniciou a vida profissional longe da televisão. Trabalhou seis anos como representante da Deutsche Lufthansa no Brasil, desenvolvendo projetos de divulgação da Alemanha em Minas Gerais — período em que visitou 16 países e acompanhou feiras e eventos alemães com grupos de brasileiros. Também lecionou em universidades de Belo Horizonte, com passagens pela PUC-MG, UNI-BH e Newton Paiva.
Rede Minas, Globo, Alterosa e Record: duas décadas de TV, rádio e jornal
A carreira na televisão começou em 1996, como repórter da Rede Minas. Em 1998, entrou na Globo por meio de um programa de trainee em Belo Horizonte e foi enviado à TV Bahia, onde atuou como repórter por um ano. De volta a Minas, em 1999, tornou-se repórter e apresentador do Jornal da Alterosa, na TV Alterosa, e ganhou visibilidade no estado. Em 2004, deixou o telejornal para apresentar e editar o Alterosa Urgente, que estreou em 16 de junho daquele ano com notícias de Belo Horizonte e do interior.
No fim de 2004, foi para os Estados Unidos: em Cliffside Park, Nova Jersey, atuou como editor-chefe do National – The Brazilian Newspaper. Retornou ao país em 2007, contratado pela Rádio Itatiaia para apresentar o Plantão da Cidade. No mesmo período, ancorou por quase um ano o Balanço Geral, da TV Record Minas. Voltou brevemente à TV Alterosa em 2008 e, meses depois, retornou à Record Minas, onde apresentou o MG Record até junho de 2018. Na Itatiaia, ficou até 15 de dezembro de 2018, quando deixou o rádio para assumir o mandato no Senado.
A eleição de 2018 e a chegada ao Senado
Carlos Viana foi eleito senador por Minas Gerais em 2018, pelo PHS, com 3.568.658 votos — 20,22% do total. Tomou posse em fevereiro de 2019 e, no Senado, passou por sucessivas trocas de partido: do PHS ao PSD ainda em 2019, depois MDB (2021), PL (2022), Podemos (2023) e de volta ao PSD em março de 2026, às vésperas da campanha pela reeleição.
CPI de Brumadinho: o relatório e os 14 indiciamentos
A CPI de Brumadinho foi instalada em 13 de março de 2019, semanas depois do rompimento da barragem da Vale, em 25 de janeiro, que deixou 246 mortos e 24 desaparecidos. Viana foi escolhido relator da comissão presidida por Rose de Freitas e conduziu a apuração que ouviu 27 pessoas, entre especialistas, funcionários da mineradora e engenheiros de empresas de consultoria.
O relatório final, aprovado em 2 de julho de 2019, recomendou o indiciamento de 14 pessoas por homicídio com dolo eventual — o ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman, 11 funcionários da empresa e dois engenheiros da TÜV SÜD —, além do indiciamento das próprias Vale e TÜV SÜD por crimes ambientais. O documento propôs ainda três projetos de lei, sobre segurança de barragens de rejeitos, tributação da mineração e penas mais duras para crimes ambientais. O detalhamento está na página do projeto CPI de Brumadinho.
CPMI do INSS: presidência, números e prorrogação
Em agosto de 2025, Viana foi eleito presidente da CPMI do INSS, comissão mista criada para investigar fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A relatoria ficou com o deputado Alfredo Gaspar. No balanço apresentado ao fim daquele ano, a comissão contabilizava 28 reuniões, 4,8 mil documentos, 26 testemunhas ouvidas, 43 quebras de sigilo aprovadas e 108 empresas identificadas como suspeitas, além de quatro prisões em flagrante determinadas durante depoimentos.
“Nosso compromisso é com o aposentado, e não com o criminoso”, afirmou o senador em dezembro de 2025, ao anunciar que pediria ao Supremo Tribunal Federal a suspensão de quase 2 milhões de contratos de empréstimo consignado com indícios de irregularidade. Os trabalhos foram prorrogados para 2026, com a fase final dedicada a oitivas de bancos, financeiras e plataformas digitais. O balanço completo está na página do projeto CPMI do INSS.
A trajetória eleitoral em cinco disputas
Antes de chegar ao Senado, Viana já havia disputado uma eleição municipal. As cinco campanhas que fez desde então resumem sua alternância entre o jornalismo e a vida pública:
- 2004 — vereador de Belo Horizonte (PSC): 3.298 votos, terminou como suplente;
- 2018 — senador por Minas Gerais (PHS): 3.568.658 votos, eleito;
- 2022 — governador de Minas Gerais (PL): 783.800 votos, terceiro lugar;
- 2024 — prefeito de Belo Horizonte (Podemos): 12.712 votos, não eleito;
- 2026 — senador por Minas Gerais (PSD): 3.583.487 votos, não reeleito.
Na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte, em 2024, licenciou-se do mandato no Senado durante a campanha. Em 2026, ficou fora das duas vagas em jogo em Minas: os eleitos foram Domingos Sávio, com 24,21% dos votos, e Marília Campos, com 19,44%.
A apuração sobre emendas em 2026
Em março de 2026, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o senador se manifestasse sobre R$ 3,6 milhões em emendas destinadas, entre 2019 e 2025, à Fundação Oásis, instituição ligada à Igreja Batista da Lagoinha, no contexto das investigações do caso Banco Master. Viana confirmou o envio de duas emendas, de R$ 1,4 milhão e R$ 1 milhão, e afirmou que os recursos foram para o município de Capim Branco (MG), cabendo à prefeitura a definição da entidade executora. O senador negou irregularidades. Em 30 de março, Dino apontou insuficiência de transparência e rastreabilidade nos repasses e deu prazo para que as prefeituras de Belo Horizonte e de Capim Branco se manifestassem.
Onde acompanhar o trabalho de Carlos Viana
O senador mantém o site senadorcarlosviana.com.br, com notícias do mandato, agenda e a área de investimentos em Minas Gerais. Nas redes, está no Instagram (@carlosviana), no Facebook, no YouTube (@carlosaviana), no X (@carlosaviana) e no Flickr, onde reúne um acervo fotográfico.
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