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César Tralli

Tralli

Nascimento: 1970 São Paulo, SP
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Jornalista e apresentador, César Tralli é âncora do Jornal Nacional desde 2025. Na Globo desde 1993, foi correspondente em Londres e comandou SPTV e Jornal Hoje.

Como César Tralli chegou ao Jornal Nacional

César Tralli assumiu a bancada do Jornal Nacional em novembro de 2025, quando passou a dividir a apresentação com Renata Vasconcellos e a responder, como editor-executivo, pelo telejornal da faixa das 20h da TV Globo. O anúncio foi feito em 1.º de setembro daquele ano, durante as comemorações dos 56 anos do JN, junto com a saída de William Bonner, que ocupava o posto havia 29 anos. Até então, Tralli era o apresentador do Jornal Hoje e acumulava dez anos à frente do SPTV, o que o tornava uma das caras mais conhecidas do noticiário da Globo.

A trajetória que levou o jornalista à principal mesa do telejornalismo brasileiro começou em São Paulo, onde nasceu em 23 de dezembro de 1970, e passou por redações de jornal, rádio e três emissoras de televisão antes de chegar à Globo, em 1993. No caminho, ele cobriu conflitos e catástrofes no exterior, investigou escândalos de corrupção e apresentou telejornais exibidos diariamente para milhões de pessoas.

Formação e os primeiros empregos no jornalismo

Descendente de italianos, Tralli estudou em escolas públicas e começou a aprender inglês aos sete anos, na Cultura Inglesa. O curso rendeu uma bolsa de estudos em Londres aos dezessete anos. De volta ao Brasil, bacharelou-se em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e fez mestrado em ciências sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

A carreira começou longe da câmera: como repórter do extinto jornal A Gazeta Esportiva e da rádio Jovem Pan AM. Na televisão, a estreia veio em 1991, no SBT, como repórter do Aqui Agora. No ano seguinte, apresentou a revista eletrônica independente Flórida On Line, na Record. O convite para integrar a equipe da Globo chegou em 1993.

Cinco anos como correspondente em Londres

Aos 24 anos, Tralli foi escalado como correspondente da Globo em Londres, onde permaneceu de 1995 a 2000, o mais jovem profissional da emissora a ocupar a função. Na base inglesa, produziu reportagens em mais de trinta países e acompanhou episódios que marcaram a década: os conflitos no Oriente Médio, o assassinato do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin, os dez anos do acidente nuclear de Chernobyl, o terremoto que devastou cidades da Turquia e a morte da princesa Diana.

De volta ao Brasil, em 2000, estreou como apresentador eventual do SPTV nos fins de semana e passou a atuar como repórter especial. Foi enviado a Nova York para a cobertura dos ataques de 11 de setembro de 2001 e participou da cobertura de quatro Copas do Mundo (França 1998, Coreia do Sul e Japão 2002, Alemanha 2006 e África do Sul 2010) e de duas Olimpíadas (Atenas 2004 e Pequim 2008).

As reportagens investigativas que marcaram a carreira

Foi na cobertura de corrupção que Tralli construiu parte de sua reputação dentro da emissora. Ele participou de apurações que resultaram em prisões, demissões e mudanças na fiscalização de setores públicos e privados:

  • o esquema comandado pelo juiz Nicolau dos Santos Neto nas obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo;
  • o caso que levou à prisão dos empresários Law King Chong e Armando Mellão Neto;
  • a investigação sobre o banqueiro Edemar Cid Ferreira e a Operação Anaconda;
  • a prisão de Paulo Maluf e de seu filho, Flávio Maluf, noticiada com exclusividade;
  • a Máfia do Apito, que manipulava resultados no futebol brasileiro;
  • as fraudes da gasolina adulterada e o esquema de desvio de gás veicular em postos da capital paulista;
  • o caso Satiagraha, em 2008, que terminou com a prisão do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito Celso Pitta e do empresário Naji Nahas.

Na mesma época, o jornalista revelou ligações de traficantes colombianos presos no Brasil com agentes públicos, cobriu a prisão do megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía, viajou à Colômbia para mostrar o poder de fogo dos cartéis de cocaína e entrevistou em Miami a viúva de Pablo Escobar. Em 2007, suas reportagens sobre irregularidades nas obras do Metrô de São Paulo contribuíram para a demissão do presidente da companhia.

SPTV, Jornal Hoje e GloboNews

Em setembro de 2011, Tralli assumiu a apresentação do SPTV 1ª edição, no horário do meio-dia, substituindo Chico Pinheiro e Mariana Godoy. Ficou dez anos no posto, até 2021. Em abril de 2015, estreou como apresentador eventual do Bom Dia São Paulo; em outubro de 2016, do Jornal Hoje; e, em janeiro de 2018, do Jornal Nacional.

Na GloboNews, passou a ter papel de destaque a partir de março de 2020, como comentarista semanal do Estúdio i e âncora do Jornal GloboNews — Edição das 18h, assumido em definitivo em junho de 2021. No mesmo ano, foi anunciado como apresentador do Jornal Hoje, no lugar de Maju Coutinho, posição que manteve até novembro de 2025, quando Roberto Kovalick assumiu o telejornal. Na GloboNews, foi substituído na Edição das 18h por Natuza Nery.

Olhar Crônico e a temporada internacional

A passagem por Londres rendeu o livro Olhar Crônico, lançado em 2001 e apresentado também ao público norte-americano em 2002. São quarenta crônicas que atravessam as coberturas internacionais e o cotidiano de quem reporta de outro país, material que ajuda a entender a fase em que Tralli deixou de ser repórter de rua para se firmar no jornalismo internacional.

Prêmios e reconhecimento

Ao longo da carreira, Tralli recebeu o Prêmio Embratel de Jornalismo, na categoria Televisão, pela cobertura dos casos de corrupção que envolviam o ex-prefeito Paulo Maluf, e o Prêmio Comunique-se como melhor repórter de vídeo do país. Também conquistou o Grande Prêmio Rede Globo de Televisão por trabalhos como a Máfia dos Motoristas, o acidente com o avião da TAM e a série sobre a prisão do empresário Law King Chong.

Outras marcas do currículo incluem o Troféu Barbosa Lima Sobrinho, principal prêmio do Imprensa Embratel, por uma série de reportagens sobre combustíveis adulterados exibida no Jornal Nacional; o Prêmio Tim Lopes Embratel, em 2011, pelas matérias sobre a fiscalização das fronteiras secas brasileiras; a indicação como finalista do Emmy Awards, em Nova York, pela cobertura do sequestro e assassinato da estudante Eloá Cristina; e a indicação ao Troféu Imprensa de 2025, na categoria melhor jornalista.

A vida fora do telejornal

Casado desde dezembro de 2017 com a apresentadora Ticiane Pinheiro, Tralli é pai de Manuella, nascida em 2019. Fora do ar, mantém presença discreta nas redes sociais e usa o Instagram e o X para divulgar as entrevistas que comanda e conversar com o público.

Projetos de César Tralli

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Olhar Crônico
Olhar Crônico
Coletânea de quarenta crônicas de César Tralli escritas durante os cinco anos em que atuou como correspondente da TV Globo em Londres.
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