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Criolo

Criolo Doido, Criolo MC, Kleber Cavalcante Gomes

Nascimento: 1975 São Paulo, SP
Cantor, rapper e compositor paulistano do Grajaú, idealizador da Rinha dos MCs e autor de Nó na Orelha, Convoque Seu Buda e Sobre Viver.

Antes de “Não Existe Amor em SP” virar grito coletivo, Kleber Cavalcante Gomes já vinha costurando rimas no Grajaú, na Zona Sul de São Paulo. O nome artístico Criolo — e, em fase anterior, Criolo Doido — carrega o contraste entre periferia e palco grande: professor de artes por 12 anos, idealizador da Rinha dos MCs e um dos rappers brasileiros que mais cruzou hip hop, MPB e samba sem pedir licença a um só gênero.

Quem busca Criolo quer entender como um MC do underground virou referência nacional, por que discos como Nó na Orelha e Convoque Seu Buda ainda soam urgentes e onde a trajetória se encontra com cinema, prêmios e indicação ao Grammy Latino. Este perfil reúne a biografia pública, a discografia central e os elos com a cena contemporânea.

Quem é Criolo

Kleber Cavalcante Gomes nasceu em São Paulo em 5 de setembro de 1975. Filho do metalúrgico Cleon Gomes e da professora, filósofa e escritora Maria Vilani Cavalcante Gomes, cresceu no Grajaú, bairro de periferia para onde os pais migraram do Ceará. O recorte de origem não é enfeite de biografia: atravessa letra, tom de voz e a geografia que ele insiste em nomear.

Artista afro-brasileiro, Criolo atua como cantor, rapper, compositor e ator. A gravadora própria Oloko Records, a partir de 2010, e a presença constante em shows e turnês consolidaram um método de trabalho independente, com base no rap e diálogo aberto com ritmos brasileiros e africanos.

Do Grajaú às batalhas e à sala de aula

Aos 11 anos, começou a escrever rap sob influência de grupos como Racionais MC's, Facção Central e RZO. Em 1989, entrou em disputas de rima. Nos anos 1990, integrou o grupo Pacto Latino. Em 2004, publicava gravações caseiras no Myspace — rota típica de quem ainda não tinha o circuito da indústria, mas já tinha público.

Em paralelo, lecionou artes em escolas por 12 anos. A formação de professor e a rotina da periferia aparecem na escuta: o texto não finge neutralidade e não trata o ouvinte como turista. Em 2006, lançou o primeiro álbum de estúdio, Ainda Há Tempo, ainda sob o nome Criolo Doido, e fundou a Rinha dos MCs com Cassiano Sena e o DJ Dandan — batalha de freestyle, shows e cultura de rua que segue ativa.

Nó na Orelha e o salto para o grande público

O segundo disco, Nó na Orelha (2011), liberado gratuitamente na internet, marcou a redução do nome artístico para apenas Criolo e a fusão de rap com samba-rock, afrobeat e reggae. Faixas como “Subirusdoistiozin”, “Não Existe Amor em SP” e “Mariô” espalharam o repertório para fora do circuito restrito do hip hop underground.

A recepção crítica e o alcance popular se cruzaram: participação no Altas Horas, topo de assuntos no Twitter à época e domínio do Video Music Brasil 2011 da MTV, com vitórias em Álbum do Ano, Música do Ano e Artista Revelação. No VMB, cantou “Não Existe Amor em SP” ao lado de Caetano Veloso — imagem que resume o trânsito de Criolo entre gerações e cenas. No Multishow, levou o Prêmio Experimente em 2011; no Contigo! MPB FM, Nó na Orelha foi melhor álbum de pop/rock em 2012.

Convoque Seu Buda, samba e o ciclo recente

Em 2014 veio Convoque Seu Buda, disco que aprofundou o diálogo com a cidade, a espiritualidade cotidiana e a tensão social sem abandonar o groove. Em 2016, relançou Ainda Há Tempo em nova versão. Em 2017, o salto de gênero: Espiral de Ilusão, álbum de sambas inéditos com capa de Elifas Andreato e turnê por capitais. O projeto lhe rendeu o Prêmio da Música Brasileira de 2018 como melhor cantor de samba.

Singles como “Boca de Lobo” (2018) e “Etérea” (2019) ampliaram o alcance audiovisual: o clipe de “Boca de Lobo” foi indicado ao Grammy Latino 2019 de melhor vídeo em versão curta; “Etérea” concorreu a Melhor Canção em Português. Em 2022, Sobre Viver devolveu o rap à linha de frente, com indicação ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa.

  • Álbuns-chave: Ainda Há Tempo (2006), Nó na Orelha (2011), Convoque Seu Buda (2014), Espiral de Ilusão (2017), Sobre Viver (2022).
  • Marcos de palco e prêmio: Rinha dos MCs, VMB 2011, Prêmio da Música Brasileira 2018, indicações ao Grammy Latino.
  • Colaborações públicas notáveis: turnê e shows com Emicida, parceria de turnê com Ivete Sangalo no projeto Viva Tim Maia, encontros com Milton Nascimento e Gal Costa em singles e regravações.

Cinema, cena e presença digital

Além da música, Criolo participou de filmes e documentários, entre eles Profissão MC, Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha, Tudo que Aprendemos Juntos, Jonas e Chacrinha: O Velho Guerreiro. Em 2018, dividiu turnê com Mano Brown e coleção cápsula com a marca ÖUS — sinais de trânsito entre música, moda e discurso público sobre racismo e desigualdade, temas que ele trata em entrevistas e letras.

Nas redes, o Instagram @criolomc e o canal no YouTube concentram lançamentos, clipes e comunicados. O Bandcamp e as plataformas de streaming mantêm a discografia completa para quem quer ouvir o catálogo na ordem — do first wave de Ainda Há Tempo ao rap de Sobre Viver.

Por que a busca por Criolo continua alta

Há quem chegue pela trilha de “Não Existe Amor em SP”, quem venha do samba de Espiral de Ilusão e quem procure o MC das batalhas. Em comum, a curiosidade sobre um artista que recusou o atalho de um só rótulo: rapper de periferia que venceu o mainstream sem apagar o Grajaú; compositor que fala de segregação e também de fé, luto e afeto; figura pública com indicação ao Grammy Latino e com a Rinha dos MCs ainda no radar da cultura de rua.

Para seguir o trabalho, o caminho mais direto é o catálogo nos streamings, o Instagram oficial e as páginas de cada álbum. Os discos principais estão detalhados abaixo, com contexto de época, proposta e onde ouvir ou comprar quando a edição estiver disponível.

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Projetos de Criolo

Nó na Orelha
Nó na Orelha
Álbum de 2011 em que Criolo funde rap, samba-rock e afrobeat e lança faixas como Não Existe Amor em SP e Subirusdoistiozin.
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Convoque Seu Buda
Convoque Seu Buda
Disco de 2014 em que Criolo aprofunda groove, crítica social e espiritualidade cotidiana após o impacto de Nó na Orelha.
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Espiral de Ilusão
Espiral de Ilusão
Álbum de 2017 com dez sambas — nove autorais — em que Criolo entra de corpo inteiro no gênero e vence o Prêmio da Música Brasileira.
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Sobre Viver
Sobre Viver
Álbum de 2022 que devolve Criolo ao rap urgente, com indicação ao Grammy Latino e faixas sobre luto, luta e abismo social.
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