Cynthia Benini passou treze anos no comando de telejornais do SBT, um ciclo que começou em 2003, a convite de Silvio Santos, e terminou em setembro de 2015. Antes de se firmar como âncora, ela já tinha sido modelo internacional, atriz de novelas na Globo, na Record e no próprio SBT e fundadora de uma revista voltada ao público LGBT. Hoje, vive em Jurerê, em Florianópolis, e divide com a filha um podcast que se tornou seu principal projeto público.
Quem procura o nome dela costuma ter duas perguntas em mente: em que emissoras Cynthia Benini trabalhou e o que ela faz depois de sair da televisão. As respostas atravessam três décadas de carreira — da passarela às novelas, das novelas ao jornalismo, do jornalismo para uma vida fora dos grandes centros — e ajudam a explicar por que o rosto dela segue associado a uma fase marcante do telejornalismo brasileiro.
De modelo internacional à teledramaturgia
Cynthia de Moraes Benini nasceu em São Paulo, em 28 de janeiro de 1973. A vida na frente das câmeras começou cedo: em 1988, aos quinze anos, foi convidada por um produtor de moda para trabalhar como modelo. Entre 1989 e 1996, morou na China, no Japão, na Turquia, na Alemanha, em Portugal e na Itália, fotografando para grifes e desfilando.
De volta ao Brasil, estreou na televisão em 1996, no MTV al Dente, e no ano seguinte comandou o Decoração – Sugestões & Soluções, no Canal Superstation (atual National Geographic), em que entrevistava profissionais sobre casas ecológicas e sustentáveis. Em 1998, foi para o SporTV com o Basketmania e fundou a revista Hy-P Book, publicação dirigida ao público LGBT onde atuou como editora-chefe, editora executiva e diretora comercial.
No mesmo ano, a carreira de atriz engatou: vieram participações em Era Uma Vez e Pérola Negra e o papel da radialista Bia na segunda fase de Estrela de Fogo, na Record. Em 1999, entrou na quinta temporada de Malhação; em 2000, viveu Isabel em Laços de Família, na Globo. No SBT, foi a antagonista Emília em O Direito de Nascer (2001), participou do reality Casa dos Artistas e atuou em Pequena Travessa (2002), seu último trabalho como atriz antes de migrar de vez para o jornalismo.
A fase de âncora: Jornal do SBT, SBT Brasil e SBT Manchetes
A transição para o jornalismo aconteceu em etapas. Ela fez reportagens para o Al Dente, cobriu a São Paulo Fashion Week para o canal E! e trabalhou como editora no site Super11. Em 2003, veio o contrato fixo com o SBT: convidada por Silvio Santos ao lado de Analice Nicolau, assumiu o Jornal do SBT – 1ª Edição, um telejornal em formato de revista, sem bancada, com as duas sentadas em poltronas.
Em 2005, as duas foram remanejadas para o SBT Notícias Breves, que resumia o dia em poucos minutos e saiu do ar com a chegada de Ana Paula Padrão à emissora. No mesmo período, Cynthia comandou o programa online Saúde e Beleza, do site Pod Brasil, com entrevistas e reportagens sobre qualidade de vida.
O salto para a bancada principal veio em 2007, quando passou a ancorar o SBT Brasil ao lado de Carlos Nascimento — ela substituiu Ana Paula Padrão no telejornal. Ainda naquele ano, os dois apresentaram o SBT Manchetes, que durou um mês, e Cynthia passou a ancorar e redigir o Jornal do SBT. Em 2009, deixou o SBT Brasil para se dedicar ao noticiário da noite; em 2012, encerrou cinco anos à frente do Jornal do SBT, alegando que o programa entrava no ar muito tarde e que precisava de tempo para outros projetos.
Em 2013, assumiu os boletins vespertinos do SBT Brasil e o comando do telejornal aos sábados. O vínculo com a emissora terminou em 11 de setembro de 2015, quando o contrato não foi renovado — encerrando um período de treze anos. Dois anos depois, ela reapareceu à frente de um programa de TV: em 2017, apresentou o Duelo de Salões, na Band.
O podcast Sobre Nós e a vida longe dos estúdios
Depois de deixar a bancada, Cynthia Benini passou a investir em projetos próprios e em uma rotina que ela mesma descreve como mais próxima da natureza — yoga, viagens e trabalho remoto, na definição de "nômade digital" que usa nas redes sociais. A mudança de endereço é parte da história: ela escolheu Jurerê, em Florianópolis, para morar, como contou em entrevista ao podcast Jurerê+, do canal Viva Jurerê TV.
O principal projeto atual é o podcast Sobre Nós, lançado em 2025 e apresentado ao lado da filha, Valentina, nascida em 2003, do casamento com o ator André Gonçalves. Os episódios discutem temas do cotidiano e dos sentimentos — a alegria, a saudade, o medo, as escolhas e até o cinema — sempre em conversas entre mãe e filha. O programa está disponível no canal oficial da jornalista no YouTube, onde ela também mantém um acervo com trechos de novelas, campanhas publicitárias e entrevistas.
Marcos da trajetória:
- 1988 — começa a carreira como modelo, aos quinze anos;
- 1998 — funda a revista Hy-P Book e passa a atuar em novelas;
- 2003 — assina contrato fixo com o SBT;
- 2007 — assume a bancada do SBT Brasil ao lado de Carlos Nascimento;
- 2015 — encerra o ciclo no SBT;
- 2025 — lança o podcast Sobre Nós com a filha, Valentina.
Onde encontrar Cynthia Benini hoje
O canal oficial no YouTube concentra os episódios do podcast e o acervo da carreira; o perfil no Instagram é onde ela publica reflexões e novidades do dia a dia. A trajetória também está registrada na ficha pública do Portal dos Jornalistas e na página da Wikipédia, que documentam a passagem por Globo, Record e SBT. Para quem acompanhou os telejornais dos anos 2000, o material disponível hoje funciona como uma revisita guiada — agora contada pela própria protagonista.



