Em 1982, o compacto de "Você Não Soube Me Amar" vendeu 100 mil cópias em três meses e colocou a Blitz no centro do primeiro grande ciclo do rock brasileiro. Na frente da banda estava Evandro Mesquita, vocalista e idealizador do grupo — um carioca vindo do teatro experimental que, nas décadas seguintes, alternou os palcos com novelas, séries, cinema, dublagem e livros infantis. É essa mistura de música e dramaturgia que atravessa a carreira dele até hoje.
Evandro Nahid de Mesquita nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de fevereiro de 1952, descendente de libaneses. Estudou no Colégio Estadual André Maurois e cursou três anos de educação física antes de trocar a quadra pelo palco, quando entrou para o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone, no início dos anos 1970.
Do Asdrúbal Trouxe o Trombone à criação da Blitz
No Asdrúbal, Evandro conviveu com Regina Casé, Luiz Fernando Guimarães e Patrícia Pillar num grupo que misturava humor, improviso e crítica de costumes, e que marcou toda uma geração de atores. A experiência teatral virou método quando ele começou a montar, em 1981, a banda que tocaria na inauguração de um bar em São Conrado: era o embrião da Blitz, batizada por Lobão em referência às blitze policiais que os músicos enfrentavam para chegar aos ensaios. O show de estreia, em fevereiro daquele ano, chamou atenção de banhistas e frequentadores; em janeiro de 1982, a apresentação no Circo Voador levou a EMI a assinar contrato com o grupo.
O single "Você Não Soube Me Amar" saiu em julho de 1982 e virou fenômeno. O primeiro álbum, As Aventuras da Blitz, vendeu 300 mil cópias e fixou a imagem que o público associa à banda até hoje: figurinos coloridos, letras bem-humoradas e um vocalista de óculos escuros no comando.
A Blitz e o rock nacional dos anos 1980
Com a formação que reunia Fernanda Abreu e Márcia Bulcão nos vocais de apoio, Ricardo Barreto na guitarra, Antônio Pedro no baixo, Billy Forghieri nos teclados e Lobão na bateria, a Blitz se tornou uma das precursoras do rock nacional. "Mais Uma de Amor (Geme Geme)" esbarrou na censura; "Dois Passos do Paraíso" e a ácida "Betty Frígida" ampliaram o repertório, enquanto Radioatividade (1983) e Blitz 3 (1984) mantiveram o grupo nas paradas.
Em janeiro de 1985, a banda tocou para 110 mil pessoas no primeiro Rock in Rio e voltou ao palco do festival dias depois, para um público de 200 mil. Ainda naquele ano, o grupo se apresentou na União Soviética, durante o 12º Encontro Mundial da Juventude Democrática, em show transmitido pela rádio estatal soviética. A primeira formação terminou em março de 1986, e Evandro seguiu carreira solo.
Quando Evandro Mesquita virou o Paulão da Regulagem
A dramaturgia nunca saiu de cena. Ele integrou o elenco de novelas como Top Model (1989), Vamp (1991) e Mulheres de Areia (1993), passou por humorísticos como Sai de Baixo e Os Normais e, em 2005, entrou em A Grande Família como o mecânico Paulo Wilson, o Paulão da Regulagem — mulherengo, semianalfabeto e um dos personagens mais lembrados do seriado, vivido por ele até o fim da série, em 2014, ao lado de nomes como Marco Nanini e Pedro Cardoso.
Depois vieram a nova Escolinha do Professor Raimundo, como Armando Volta (2015 a 2020); Tapas & Beijos (2015); Rock Story (2017); Espelho da Vida (2018); Tem que Suar (2023); Justiça 2 e a sitcom Tô Nessa (2024); e, em 2025, Encantado's, que revisitou Paulão para celebrar os 60 anos da TV Globo. Em 2026, aparece na série Emergência 53.
Cinema, dublagem e um Kikito de melhor roteiro
No cinema, estreou em O Segredo da Múmia (1982), de Ivan Cardoso, e atuou em Menino do Rio no mesmo ano. Em 1991, escreveu e estrelou Não Quero Falar Sobre Isso Agora, trabalho que lhe rendeu o Kikito de melhor roteiro no Festival de Gramado. Vieram ainda Como Ser Solteiro (1998), Os Normais — O Filme (2003), Um Lobisomem na Amazônia (2005), Depois a Louca Sou Eu (2021), O Palestrante (2022), Carga Máxima (2023) e Dona Lurdes — O Filme (2024).
Como dublador, deu voz ao vilão Balthazar Bratt em Meu Malvado Favorito 3 (2017) e ao Seu Genésio na série animada O Menino Maluquinho (2022). Entre um projeto e outro, segue produzindo, dirigindo e roteirizando filmes, peças e discos.
Discos, livros e as voltas da Blitz
A carreira solo rendeu quatro discos: Evandro (1986), Planos Aéreos (1988), Procedimento Normal (1989) e Almanaque Sexual dos Eletrodomésticos e Outros Animais (1991), fase de que saiu um dos maiores sucessos solo de Evandro, "Babilônia Maravilhosa". A Blitz voltou ao palco em 1994, com o álbum Blitz ao Vivo, e gravou Línguas em 1997. A reunião definitiva veio em 2006, coroada pelo DVD Blitz ao Vivo e a Cores (2007), pelo álbum Eskute Blitz (2009) e pelo DVD Eskute & Veja Blitz (2010). Em 2017, o álbum Aventuras II (2016) rendeu à banda uma indicação ao Grammy Latino de melhor álbum de rock brasileiro. Supernova (2023) e NuDusOutros (2025) mostram que a banda segue em atividade.
- Idealizador e vocalista da Blitz desde 1981
- Roteirista premiado com o Kikito de Gramado por Não Quero Falar Sobre Isso Agora (1991)
- Intérprete do Paulão da Regulagem em A Grande Família (2005–2014)
- Elenco de Top Model, Vamp e Mulheres de Areia na virada dos anos 1980 para os 1990
- Voz do vilão Balthazar Bratt em Meu Malvado Favorito 3 (2017)
- Indicação da Blitz ao Grammy Latino com Aventuras II (2017)
Em 2009, assinou o livro infantil Meu Pequeno Tricolor, pela BelasLetras, volume sobre a torcida do Fluminense na série Meu Time do Coração.
O que Evandro Mesquita faz hoje
Aos 74 anos, Evandro Mesquita mantém três frentes de trabalho ativas: os shows da Blitz, as gravações de televisão e cinema e os projetos como produtor, diretor e roteirista de filmes, peças e discos. A banda segue lançando material novo — caso de NuDusOutros (2025) — e circulando pelo país em turnê, enquanto o ator continua em cartaz na TV. Quem quiser acompanhar a agenda e os registros de shows e gravações encontra o perfil público dele no Instagram, @evandromesquita.





