Quem é Fátima Quintas
Fátima Quintas nasceu no Recife em 28 de fevereiro de 1944 e fez da escrita uma forma de pesquisa. Antropóloga, ensaísta, contista e cronista, ela é pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco, ocupa a cadeira 31 da Academia Pernambucana de Letras e presidiu a instituição entre 2012 e 2016. Boa parte de seus livros persegue uma pergunta que seus leitores também fazem: como a vida nos engenhos e nas casas-grandes moldou um jeito brasileiro de organizar família, poder e desejo.
Filha do historiador pernambucano Amaro Quintas, ela cresceu entre livros e arquivos e dedicou ao pai um livro de memórias. Antes de se tornar uma das principais intérpretes da obra de Gilberto Freyre, formou-se em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco e cursou pós-graduação em Antropologia cultural em Lisboa.
Formação, pesquisa e o Seminário de Tropicologia
A formação em Ciências Sociais e a passagem por Portugal deram a Fátima Quintas o repertório que ela levaria para a Fundação Joaquim Nabuco, onde atua como pesquisadora e coordenou o Seminário de Tropicologia, espaço de debate sobre a formação social brasileira que reuniu estudiosos da obra de Gilberto Freyre.
Essa base acadêmica explica o método presente em seus ensaios: partir de documentos, textos e arquivos para discutir temas amplos, como a condição feminina, a família patriarcal e a civilização do açúcar. No lugar de teses genéricas, a autora costuma acompanhar personagens e cenas concretas da vida pernambucana.
Gilberto Freyre como fio condutor
Nenhum nome aparece tantas vezes na bibliografia de Fátima Quintas quanto o de Gilberto Freyre. Ela organizou O cotidiano em Gilberto Freyre (1992), assinou As melhores frases de Casa-Grande & Senzala (2005) e publicou em 2008 o ensaio Sexo à moda patriarcal, sobre o feminino e o masculino na obra do autor de Casa-Grande & Senzala.
Mais tarde vieram Joaquim Nabuco e Gilberto Freyre, face a face (2013) e Um passeio imaginário com Gilberto Freyre (2019), em que a antropóloga mistura ensaio e memória para revisitar a casa e o universo intelectual do escritor. Entre as duas pontas, publicou ainda A civilização do açúcar (2007) e Recife: Passeio à antiga (2008), títulos que reforçam seu vínculo com a história social da região açucareira.
Cadeira 31 e a presidência da Academia Pernambucana de Letras
Fátima Quintas tomou posse na Academia Pernambucana de Letras em 3 de abril de 2003, ocupando a cadeira 31. Presidiu a entidade de 26 de janeiro de 2012 a 26 de janeiro de 2016, período em que defendeu a abertura da academia ao público e à discussão contemporânea.
A experiência rendeu o livro A Academia Pernambucana de Letras de portas abertas (2016), em que relata a história da instituição e o funcionamento de suas atividades. O tema reaparece em Rostand Paraíso (1930-2019) entrevistado por Fátima Quintas (2019), registro de uma conversa com o escritor e imortal pernambucano.
Crônicas, rádio e blog
Além dos livros, Fátima Quintas mantém presença constante na imprensa e na vida cultural do Recife. Assina crônicas semanais no Jornal do Commercio e apresentou o programa radiofônico Quintas às quintas na Rádio Universitária AM da UFPE, entre julho de 2005 e julho de 2006.
No blog oficial, a autora publica crônicas e textos autorais que mostram outro lado de sua escrita: a observação do cotidiano, a memória da cidade e a intimidade de quem transforma rotina em literatura. É um espaço útil para quem quer acompanhar textos novos antes de procurar os livros em catálogos, sebos e livrarias.
Clarice Lispector, memória e ficção
O olhar da antropóloga também se volta para a literatura. Em Clarice Lispector: introspecção e simbolismo - 100 anos (2020), publicado na efeméride do centenário da escritora, Fátima Quintas investiga os recursos de interioridade e simbolismo na obra de Clarice Lispector.
Na ficção, publicou A ilustre casa dos fantasmas (2006) e Assombrações e coisas do além (2009), antes de lançar o romance A Casa dos Fantasmas (2021), que retoma o ambiente dos engenhos para narrar os desacertos de uma família. As memórias aparecem em Amaro Quintas, meu pai (2014) e em Tempos Partidos, livro em que a autora costura lembranças da infância e da juventude.
Perguntas frequentes
Onde Fátima Quintas nasceu?
No Recife, em 28 de fevereiro de 1944. A cidade, seus engenhos, casas antigas e personagens aparecem em vários de seus livros, de Recife: Passeio à antiga a crônicas publicadas no Jornal do Commercio.
Por que Fátima Quintas é associada a Gilberto Freyre?
Porque boa parte de sua pesquisa se dedica à obra do autor, em livros como Sexo à moda patriarcal e Um passeio imaginário com Gilberto Freyre, além da coordenação do Seminário de Tropicologia na Fundação Joaquim Nabuco.
Quais livros de Fátima Quintas procurar primeiro?
- Sexo à moda patriarcal (2008): ensaio sobre o feminino e o masculino na obra de Gilberto Freyre.
- Amaro Quintas, meu pai (2014): memórias sobre o historiador pernambucano e a relação entre pai e filha.
- Clarice Lispector: introspecção e simbolismo - 100 anos (2020): ensaio sobre a escritora.
- A Casa dos Fantasmas (2021): romance ambientado no universo dos engenhos de açúcar.
Os títulos circulam em livrarias, sebos e no catálogo da Cepe Editora, que mantém páginas próprias para as obras assinadas pela autora.





