O que o livro investiga
Publicado em 2008 pela Global Editora, Sexo à moda patriarcal parte da obra de Gilberto Freyre para examinar como o feminino e o masculino foram construídos na sociedade açucareira. Fátima Quintas acompanha as mulheres brancas, indígenas e negras que participaram da vida da casa-grande e mostra como, mesmo submetidas ao poder do patriarca, elas tiveram papel ativo na formação da história brasileira.
O foco não está na biografia do autor de Casa-Grande & Senzala, mas nas relações de gênero que atravessam seus livros. A autora lê os textos freyrianos como documentos de um modelo de família que organizou o cotidiano dos engenhos e deixou marcas duradouras na sociedade brasileira.
A pergunta central do ensaio
Como se formou o ideal de feminino que ainda aparece em novelas, propagandas e conversas de família? Para responder, o livro observa o que Freyre descreveu sobre a vida sexual, o casamento e a autoridade masculina nos engenhos, e contrasta essas imagens com a atuação real das mulheres na economia do açúcar.
Fátima Quintas destaca que a submissão não era passividade: as mulheres administravam casas, criavam filhos, mantinham redes de sociabilidade e transmitiam costumes. O ensaio mostra esse protagonismo nas entrelinhas dos documentos e da literatura, sem transformar as personagens históricas em símbolos abstratos.
Por que o tema interessa hoje
Debates sobre gênero, família e violência doméstica costumam esbarrar no passado colonial. Ao reconstituir esse passado a partir da obra de Gilberto Freyre, o ensaio ajuda a entender de onde vêm certas hierarquias que ainda aparecem em pesquisas sociais e em discussões públicas sobre o papel da mulher.
É leitura útil para estudantes de ciências sociais, história e letras, para professores que trabalham a formação do Brasil e para leitores que já conhecem Gilberto Freyre e querem uma interpretação crítica e documentada de sua obra.
Como se liga à trajetória da autora
O livro condensa a experiência de Fátima Quintas como antropóloga e pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco. Antes dele, ela já havia organizado O cotidiano em Gilberto Freyre (1992) e Casa e família: o cotidiano feminino (1989), volumes que mostram a mesma preocupação com a vida doméstica e com as mulheres na sociedade pernambucana.
Outros títulos da autora ampliam esse mesmo campo de estudo, como Mulheres oprimidas, mulheres vencidas (1996) e A mulher e a família no final do século XX (2005). Quem se interessa pelo assunto encontra, nesse conjunto, uma linha de pesquisa contínua sobre gênero, família e sociedade no Brasil.
O que esperar do ensaio
A escrita combina pesquisa acadêmica e prosa de cronista, com passagens sobre cenas da casa-grande, sobre o papel das mulheres na economia do açúcar e sobre a violência que sustentava a ordem patriarcal. Quem procura um romance ou uma biografia de Freyre não vai encontrar isso aqui; quem procura um estudo sobre gênero na formação brasileira encontra uma obra de referência.
Onde comprar
A edição da Global Editora circula em livrarias e no comércio online, com exemplares novos e usados disponíveis no mercado. Quem quiser conhecer outras obras da autora antes de decidir pode consultar a lista de livros publicados no blog oficial de Fátima Quintas.




