Um retrato feito pela filha
Amaro Quintas, meu pai nasceu de um exercício difícil: escrever sobre o próprio pai sem transformar memória em homenagem vazia. Fátima Quintas escolheu o caminho das cenas: a personalidade melancólica do historiador, o espírito galanteador, o hábito de ler e anotar, o apego minucioso ao trabalho e a convivência com os livros que ocupavam a casa da família.
Publicado em 2014 pela Cepe Editora, com 216 páginas, o volume mistura retrato biográfico e depoimento pessoal. A autora conta como foi crescer ao lado de um pesquisador que fazia da história ofício diário e revela sua própria saudade de filha sem pai.
Quem foi Amaro Quintas
Amaro Quintas foi um historiador pernambucano que dedicou a vida ao estudo da formação social do Nordeste e à pesquisa em arquivos. O livro não é um manual acadêmico sobre sua obra, mas um mergulho na rotina e no caráter do homem que influenciou a vocação intelectual da filha.
Por isso o relato interessa para além do círculo familiar: quem estuda a historiografia brasileira encontra ali pistas sobre os bastidores e as redes de pesquisadores que atuaram em Pernambuco ao longo do século XX, em um tempo anterior à digitalização dos acervos.
Memória e história no mesmo texto
A narrativa costura lembranças, trechos de correspondência e cenas domésticas em capítulos curtos, de leitura fluida. Fátima Quintas descreve o pai como um observador dos detalhes, mais dado a gabinetes e a livros do que a aparições públicas, e mostra que o método de pesquisa que ela adotou nos próprios livros tem raiz nessa convivência.
O resultado não fica restrito à intimidade: ao falar do pai, a autora fala também de uma geração de intelectuais pernambucanos, das instituições que frequentavam e das dificuldades de viver de pesquisa e ensino no Nordeste do século passado.
Para quem é o livro
Leitores de memórias e biografias, pesquisadores da história de Pernambuco e admiradores da obra de Fátima Quintas estão entre o público natural desta obra. Também funciona como porta de entrada para quem ainda não conhece a autora: pela via íntima, o leitor percebe de onde vem a sensibilidade que aparece nas crônicas e nos ensaios sobre a civilização do açúcar.
Professores podem usar o volume em aulas sobre memória e escrita de si, gênero textual em que a autora transita entre a documentação e a lembrança pessoal sem perder o rigor. Quem escreve sobre a própria família encontra no livro um exemplo de como transformar lembrança em narrativa sem perder o vínculo com a pesquisa.
Ficha e disponibilidade
O livro tem 216 páginas, formato 16x22 cm, ISBN 978-85-7858-139-8 e integra o catálogo de biografias e perfis da Cepe Editora. A livraria virtual da própria editora mantém a página do título com sinopse completa.
A capa traz um retrato em preto e branco do historiador e o selo da Coleção Perfis Acadêmicos, que identifica o título no catálogo da editora. Como a tiragem é antiga, sebos e colecionadores também costumam oferecer exemplares usados, muitas vezes em bom estado. Vale acompanhar os dois caminhos antes de desistir da compra.




