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Fernando Brant

Nascimento: 1946 Caldas, MG, Brasil
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Compositor e letrista mineiro (1946–2015), parceiro de Milton Nascimento em clássicos como Travessia e Maria, Maria, presidente da UBC e autor de crônicas, livros e trilhas.

Fernando Brant entrou na música por um convite de amigo. Em 1966, Milton Nascimento pediu que ele colocasse letra em uma melodia nova, e o resultado foi "Travessia", canção inspirada em Grande Sertão: Veredas que ganhou o segundo lugar no II Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, e abriu caminho para uma das parcerias mais duradouras da música brasileira. A partir dali, o rapaz que lia e assistia a filmes em Belo Horizonte se tornou um dos letristas centrais do Clube da Esquina.

Brant nasceu em Caldas, no sul de Minas Gerais, em 9 de outubro de 1946, e morreu em Belo Horizonte em 12 de junho de 2015, aos 68 anos. Entre uma data e outra, assinou mais de 200 canções com Milton Nascimento, escreveu crônicas e livros, criou roteiros para balés, teatro, cinema e novelas e presidiu a União Brasileira de Compositores (UBC), entidade que representa autores musicais no país. As canções que ajudou a criar seguem sendo gravadas e cantadas por artistas de diferentes gerações.

Quem foi Fernando Brant

Compositor, letrista e jornalista, Fernando Rocha Brant foi uma das vozes do movimento que ficou conhecido como Clube da Esquina, turma de músicos mineiros que misturou bossa nova, jazz, rock, música folclórica e erudita. Enquanto Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta e Wagner Tiso cuidavam das melodias e dos arranjos, Brant escrevia letras sobre infância, amizade, despedida e o cotidiano das cidades, ao lado de parceiros como Márcio Borges e Tavinho Moura.

Em cinco décadas de trabalho, ele atuou em várias frentes:

  • letrista de canções que marcaram a música popular brasileira, em parceria com Milton Nascimento, Lô Borges, Tavinho Moura e Nelson Angelo;
  • cronista de cultura do jornal Estado de Minas, entre 2001 e 2014;
  • autor de livros de crônicas, de memória e de literatura infantil;
  • presidente da União Brasileira de Compositores (UBC), na defesa dos direitos autorais;
  • roteirista de balés, espetáculos de teatro, trilhas de cinema e novelas.

De Caldas a Belo Horizonte: a formação de um letrista

Nascido em Caldas, Brant mudou-se com a família para Diamantina aos 5 anos e, aos 10, para Belo Horizonte. Estudou no Grupo Barão do Rio Branco, no Colégio Arnaldo, no Colégio Batista Mineiro e no Colégio Estadual Central, antes de concluir o ensino médio no recém-criado Colégio Técnico da UFMG. Leitor voraz e cinéfilo, formou-se em Direito como o pai e começou a trabalhar como jornalista, escrevendo para publicações como O Cruzeiro, A Cigarra e os Diários Associados.

Foi nesse ambiente de leituras, discos e cineclubes que ele conheceu Milton Nascimento e Márcio Borges, amigos que o levariam para a música. O convite de Milton, em 1966, mudou o rumo da carreira: a letra de "Travessia" mostrou que o jornalista tinha ouvido para imagem e ritmo, e logo ele estava escrevendo para as melodias do grupo que se reunia na esquina que batizou o Clube da Esquina.

A parceria com Milton Nascimento e as canções do Clube da Esquina

Com Milton Nascimento, Fernando Brant formou uma das duplas mais férteis da música brasileira. São mais de 200 canções, entre faixas de discos antológicos e composições que atravessaram gerações. "Travessia" abriu a porteira em 1967, no disco de estreia de Milton; em 1972 veio o álbum Clube da Esquina, e em 1978, Clube da Esquina 2, que traz "Maria, Maria".

  • "Travessia";
  • "Maria, Maria";
  • "Canção da América";
  • "Ponta de Areia";
  • "Paisagem da Janela";
  • "Nos Bailes da Vida";
  • "Encontros e Despedidas";
  • "San Vicente";
  • "Saudade dos Aviões da Panair (Conversando no Bar)";
  • "O Vendedor de Sonhos".

Muitas dessas letras nasceram de lembranças concretas: cenários mineiros, viagens, a cidade grande e a amizade como assunto. "Canção da América" virou uma das canções brasileiras mais conhecidas sobre despedida e amizade, cantada em coro há décadas. A parceria com Milton não impediu Brant de escrever com outros nomes do Clube da Esquina — ele assinou canções como "Canoa, Canoa" (com Nelson Angelo) e "Paixão e Fé" (com Tavinho Moura), além do musical Fogueira do Divino, criado ao lado de Tavinho Moura.

Livros, crônicas e a cidade como personagem

Brant manteve o hábito da prosa ao longo de toda a carreira. Foi colunista de cultura do Estado de Minas entre 2001 e 2014, período de que saiu boa parte das crônicas reunidas em seus livros. Na memória e na crônica, Belo Horizonte ocupa papel central: o Mercado Central, os bares, as ruas e os tipos da cidade aparecem em títulos como BH, a cidade de cada um e Clube dos gambás. Ele também escreveu para crianças, em livros que unem poesia e imagem.

  • Clube dos gambás (2004), reunião de crônicas sobre política, literatura, música e vida pessoal;
  • Casa Aberta (2012), crônicas publicadas no Estado de Minas que atravessam o luto e a chegada de uma nova geração;
  • BH, a cidade de cada um, vol. 2: Mercado Central (2012), sobre o mercado mais famoso da capital mineira;
  • Chico, o caminhador (2005), livro infantil feito com as imagens de Ana Raquel;
  • Maria Maria (2005), assinado com Milton Nascimento.

Direitos autorais: a atuação na UBC

A partir dos anos 1980, Brant presidiu a União Brasileira de Compositores, entidade que arrecada e distribui direitos de autores e editores musicais. No cargo, tornou-se uma das vozes públicas da defesa dos direitos autorais no Brasil, tema que ganhou ainda mais peso com a chegada da internet e do streaming. Em 2014, participou da audiência pública no Supremo Tribunal Federal sobre alterações na Lei de Direitos Autorais, um dos debates mais importantes daquele período para o setor musical.

Essa frente de trabalho explica uma parte menos lembrada da trajetória: para além do letrista, Brant foi um articulador do setor musical, atuando em entidades e em debates públicos sobre o lugar do autor na cultura brasileira.

Morte e legado

Fernando Brant morreu na noite de 12 de junho de 2015, em Belo Horizonte, por complicações após um segundo transplante de fígado. No velório, amigos cantaram versos de "Travessia" e "Canção da América", e o caixão foi coberto com a bandeira do América Futebol Clube, time da capital mineira.

O que fica é uma obra que ajudou a definir o som de Minas Gerais e uma maneira de escrever: letra como conversa, imagem e memória. As canções seguem na voz de Milton Nascimento e de dezenas de intérpretes; os livros continuam encontrando leitores; e o Clube da Esquina permanece como um dos capítulos mais originais da música popular brasileira. Para quem quer entender a literatura de memória mineira, seus livros de crônicas também são uma porta de entrada para a literatura feita em Minas.

Quem pesquisa Fernando Brant costuma chegar pelas canções — "Travessia", "Maria, Maria", "Canção da América" — e descobre, no caminho, o cronista, o jornalista e o defensor dos direitos autorais. É essa soma que faz dele uma figura central da cultura brasileira do século 20.

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Clube dos gambás
Clube dos gambás
Coletânea de crônicas de Fernando Brant publicada pela Record, com textos sobre política, literatura e música e memórias ligadas ao Clube da Esquina.
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Casa Aberta
Casa Aberta
Livro de crônicas em que Fernando Brant reúne textos publicados no Estado de Minas e transforma a memória familiar em reflexão sobre o tempo.
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Chico o caminhador
Chico o caminhador
Livro infantil com texto poético de Fernando Brant a partir das imagens de Ana Raquel criadas com o povo da beira do rio São Francisco.
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Maria Maria
Maria Maria
Obra assinada por Fernando Brant e Milton Nascimento que leva para o livro o encontro dos dois autores da canção Maria, Maria.
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