Imagem de capa do perfil de Fernando Corona
Foto de perfil de Fernando Corona

Fernando Corona

Fernando Corona Cabello

Nascimento: 1895 Porto Alegre, Rio Grande do Sul
Ver projetos (4)
Escultor, arquiteto e crítico de arte espanhol radicado em Porto Alegre, projetou prédios modernistas e formou gerações no Instituto de Belas Artes.

Em 4 de março de 1912, um rapaz de 17 anos desembarcou em Porto Alegre com a missão de encontrar o pai, o escultor e arquiteto Jesús Maria Corona, que havia deixado a Espanha e se radicado no sul do Brasil. A viagem deveria durar pouco, mas Fernando Corona Cabello ficou. Aprendeu o ofício na cidade, trabalhou como ornatista e projetista, tornou-se professor e assinou algumas das primeiras obras modernistas da capital gaúcha.

Nascido em Santander, no litoral norte da Espanha, em 26 de novembro de 1895, Fernando Corona foi escultor, arquiteto, ornatista, ensaísta, crítico e professor de arte. Sua formação foi essencialmente prática: dizia ter aprendido nos livros e nas ruas, observando obras, frequentando ateliês e estudando por conta própria. Morreu em Porto Alegre, em 23 de junho de 1979, depois de mais de sessenta anos de atividade artística e intelectual.

Quem foi Fernando Corona?

Filho de Antonia Cabello e de Jesús Maria Corona, Fernando chegou à capital gaúcha ainda adolescente, em 1912, e ingressou como aprendiz na oficina de decoração predial de João Vicente Friedrichs. Ali desenhou ornatos e participou da decoração de fachadas projetadas por arquitetos como Manoel Itaqui e Theo Wiederspahn. Em 1914 passou a trabalhar como escultor-decorador na firma do pai, a Corona & Ghiringhelli, e em 1922, com o retorno do pai à Espanha, assumiu a oficina, que permaneceu ativa até 1932. Foi casado com Benvenuta Rossi, com quem teve Eduardo, Marina Eletra e Luís Fernando — os dois filhos homens seguiram a arquitetura.

A trajetória de Corona mostra como arte e construção civil andavam juntas em Porto Alegre naquele período. Ele combinou o trabalho manual de ornatista com o estudo da forma, o desenho de projetos e a reflexão sobre a cidade, tornando-se uma figura central na transição entre o ecletismo e o modernismo na arquitetura local.

Como um autodidata chegou à arquitetura?

Com o declínio da demanda por decorações prediais, Corona ingressou em 1926 como projetista e arquiteto na construtora Azevedo Moura & Gertum, onde permaneceria cerca de vinte anos. Sem diploma universitário, obteve em 28 de setembro de 1945 o registro no CREA como projetista licenciado, com atribuições para estudos e projetos de edifícios, obras artísticas e monumentais, arquitetura paisagística e decoração arquitetônica.

No início, acompanhou a tendência eclética da cidade, mas logo se aproximou das vanguardas. Apoiou a Semana de Arte Moderna de 1922, participou da organização do Salão de Outono de 1925 — uma das primeiras manifestações modernas no Rio Grande do Sul — e foi um dos primeiros arquitetos locais a empregar a estética modernista. A partir dos anos 1940, aprofundou o estudo de Le Corbusier e acompanhou de perto a produção de Oscar Niemeyer e de Lúcio Costa, referências que aparecem em seus textos e projetos.

Quais obras Fernando Corona deixou em Porto Alegre?

Corona participou e venceu concursos públicos de arquitetura, entre eles o da Escola Normal, atual Instituto de Educação General Flores da Cunha, construída para a Exposição do Centenário Farroupilha de 1935, e o do projeto da Fonte Talavera de la Reina, na Praça Montevidéu, em frente ao Paço Municipal. Assinou as fachadas e as decorações escultóricas do antigo Banco Nacional do Comércio, hoje Farol Santander, na Praça da Alfândega, e o projeto do prédio do Instituto de Belas Artes, atual Instituto de Artes da UFRGS.

Entre suas obras mais conhecidas estão:

  • Edifício Guaspari (1936), marco da modernidade no centro da cidade, com esquinas arredondadas e fachada sem ornatos aplicados;
  • Edifício Jaguaribe (1951), projetado com o filho Luís Fernando Corona e reconhecido como um dos marcos da arquitetura moderna de Porto Alegre;
  • Instituto de Educação General Flores da Cunha (1935), concebido como pavilhão cultural da Exposição Farroupilha;
  • Fonte Talavera de la Reina (1935), homenagem da coletividade espanhola à cidade, com projeto dele e execução do ceramista Juan Ruiz de Luna;
  • Galeria Chaves (1936) e o prédio do Instituto de Belas Artes (1940-1943), entre outros edifícios comerciais e residenciais.

Nas obras dos anos 1930, Corona combinou transparência, linhas contínuas e ausência de decoração aplicada — recursos que dialogam com a arquitetura europeia do período e antecipam a verticalização do centro. Já nos edifícios da década seguinte, como o Jaguaribe, adotou a linguagem moderna com clareza, trabalhando em parceria com o filho arquiteto.

O que ele ensinou no Instituto de Belas Artes?

Em 1938, a convite de Tasso Corrêa, Corona criou e assumiu a cátedra de Escultura e Modelagem do Instituto de Belas Artes, com a tese Fídias, Miguel Ângelo, Rodin. Lecionou no curso Técnico de Arquitetura a partir de 1939, foi um dos fundadores do Curso Superior de Arquitetura em 1944 e permaneceu na instituição até a aposentadoria compulsória, em 26 de novembro de 1965. Dizia ser um “escultor de escultores”, expressão que resume a dedicação ao ensino e o acompanhamento de seus discípulos ao longo das carreiras.

Além da sala de aula, atuou como agente institucional e ajudou a defender a autonomia e o reconhecimento do Instituto de Belas Artes em momentos decisivos, como a incorporação definitiva à UFRGS, em 1962. A partir de 1951, organizou excursões de alunos à Bienal de São Paulo e escreveu sobre os artistas que apresentava, ampliando o contato dos estudantes com a arte contemporânea.

O que Fernando Corona escreveu sobre arte?

Corona foi um dos primeiros críticos de arte profissionais da imprensa gaúcha, publicando textos desde 1928. Colaborou assiduamente com o Correio do Povo e a Revista do Globo entre 1940 e 1979, além de outras publicações, e escreveu crônicas de viagem, ensaios e artigos sobre o ambiente artístico brasileiro. Em seus textos, aproximou-se das ideias de Mário de Andrade, cuja obra admirava, e defendeu uma arte ao mesmo tempo enraizada na cultura local e conectada ao que se produzia no mundo.

Parte dessa produção foi reunida no livro Caminhada nas Artes — 1940-76, publicado em 1977 pela Editora da UFRGS e pelo Instituto Estadual do Livro, com 93 artigos. Também publicou Amêndoas e Mel: crônicas de Espanha (1969) e Fídias, Miguel Ângelo, Rodin (1938), além de ensaios como Casas da Cidade (1940) e 100 anos de formas plásticas e seus autores (1956), divulgado na Enciclopédia Rio-Grandense.

Qual é o legado de Fernando Corona?

Corona viveu a transformação de Porto Alegre de cidade provinciana em metrópole, e sua obra acompanha essa passagem. Como escultor, deixou relevos, máscaras e peças em prédios públicos, na Pinacoteca Barão de Santo Ângelo e no acervo do MARGS. Como arquiteto, assinou edifícios que ajudaram a definir a paisagem do centro. Como professor e crítico, formou gerações e registrou a vida artística local em textos que ainda hoje são consultados por pesquisadores, estudantes e leitores de literatura e história da arte.

Seu depoimento gravado no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa, com cerca de quarenta minutos, é uma das fontes em que ele próprio narra a formação, o trabalho e as escolhas que o fizeram ficar em Porto Alegre. Museus, editoras e pesquisadores seguem revisitando sua obra, e edições usadas de seus livros continuam a circular entre colecionadores e bibliotecas.

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Fernando Corona

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Projetos de Fernando Corona

Caminhada nas Artes (1940-76)
Caminhada nas Artes (1940-76)
Coletânea de 93 artigos de Fernando Corona publicados entre 1940 e 1976, com crítica de arte, crônicas e memória das artes plásticas no Rio Grande do Sul.
00%
00%
Edifício Guaspari
Edifício Guaspari
Edifício modernista projetado por Fernando Corona em 1936, no centro de Porto Alegre, com esquinas arredondadas e fachada sem decoração aplicada.
00%
00%
Edifício Jaguaribe
Edifício Jaguaribe
Prédio de 26 pavimentos projetado por Fernando Corona e Luís Fernando Corona em 1951, um marco da arquitetura moderna de Porto Alegre.
00%
00%
Fonte Talavera de la Reina
Fonte Talavera de la Reina
Monumento da Praça Montevidéu projetado por Fernando Corona para o centenário Farroupilha, com azulejos espanhóis em azul-cobalto e amarelo-ocre.
00%
00%