Frank Jorge é o nome artístico de Jorge Otávio Pinto Pouey de Oliveira, músico, compositor, escritor e professor nascido em Porto Alegre, em 20 de setembro de 1966. Ficou conhecido à frente da Graforréia Xilarmônica e como integrante d'Os Cascavelletes, duas bandas que ajudaram a definir o rock gaúcho dos anos 1980 e 1990, e desde 2000 construiu uma obra solo que atravessa discos, livros, rádio, televisão e sala de aula.
Quem chega até Frank Jorge costuma vir por uma dessas portas: uma canção da Graforréia, como "Você Foi Embora"; uma regravação feita pelo Pato Fu ou pelo Ira!; os livros de crônicas publicados nos anos 2000; o curso de rock da Unisinos que ele ajudou a criar; ou o show de abertura para Paul McCartney no Estádio Beira-Rio, em 2017. São frentes de uma mesma trajetória, hoje dividida entre Porto Alegre e Buenos Aires.
As seções abaixo reúnem a formação musical, as bandas, os discos, os livros e o trabalho como professor, com os canais oficiais para ouvir e acompanhar a carreira.
Quem é Frank Jorge
Na cena de Porto Alegre, ele é chamado simplesmente de Frank, apelido que virou nome artístico e assina discos desde 2000. Multi-instrumentista, toca violão, guitarra, baixo e teclado, canta e escreve. A carreira começou em 1984, nos palcos de bares do Bom Fim e da Cidade Baixa, e ganhou escala nacional na década seguinte, quando artistas como Pato Fu e Ira! gravaram músicas nascidas naquele circuito.
Além dos discos, Frank manteve uma rotina de textos: crônicas de rádio, apresentações de sarau, livros e programas de televisão e rádio. Foi essa mistura entre música e palavra que o levou ao ensino superior, onde ajudou a montar um curso de rock dentro da Unisinos e o coordenou por 16 anos. Em julho de 2023, deixou o cargo para morar em Buenos Aires, de onde segue lançando álbuns e voltando ao Brasil para shows.
Prisão de Ventre, Cascavelletes e Graforréia: a formação no rock gaúcho
Frank cresceu em uma casa de seis filhos onde música e leitura conviviam: o pai, médico natural de Uruguaiana, morreu em 1968; a mãe, porto-alegrense, gostava de MPB e tango. As primeiras aulas de violão vieram entre 1981 e 1986, em um repertório de bossa nova e MPB que não apontava para o rock. O rumo mudou em 1983, quando ele entrou na Prisão de Ventre, banda de colegas de colégio que ensaiava com os irmãos Alexandre e Marcelo Birck, vizinhos de rua no bairro Bom Fim.
A estreia nos palcos foi em 1984, no bar B-52, na Avenida Independência. Depois do serviço militar, em 1985, veio o convite que mudaria tudo: em 1986, o amigo de infância Alexandre Barea chamou Frank para Os Cascavelletes, banda que estreou no bar Ocidente e abriu shows do Capital Inicial. No mesmo período, ele passou no vestibular para Letras na PUCRS e adotou o pseudônimo: já era Frank, virou Frank Malone e, por fim, Frank Jorge, em referência a nomes compostos como Roberto Carlos e Reginaldo Rossi.
Em 1987, os irmãos Birck fundaram a Graforréia Xilarmônica, que ganhou o nome a partir de palavras sorteadas no dicionário. Frank entrou pouco depois e participou da primeira fita demo, "Com Amor, Muito Carinho" (1988). Em 1989, deixou os Cascavelletes para se dedicar à nova banda — antes disso, gravou com eles a demo e o álbum "Os Cascavelletes" (1988), que traz "Menstruada", composta em parceria com Flávio Basso.
Os discos da Graforréia Xilarmônica
O primeiro álbum da Graforréia, "Coisa de Louco II" (1995), colocou o grupo na MTV com o videoclipe de "Você Foi Embora" e fez a banda mineira Pato Fu regravar "Nunca Dica" no disco "Televisão de Cachorro" (1998). "Chapinhas de Ouro" (1998) repetiu a parceria: o Pato Fu releu a faixa "Eu", premiada no VMB de 2001.
A banda encerrou as atividades no bar Ocidente em 2000 e voltou à ativa em meados da década, com o disco ao vivo "Graforréia Xilarmônica ao Vivo" (2006), produzido por Kassin e Berna Ceppas. Depois vieram os festivais Morrostock (2007 e 2011), a turnê de 25 anos e o show no Lollapalooza de 2013. Em novembro daquele ano, uma apresentação no bar Ocidente reuniu a formação clássica para registrar o primeiro DVD do grupo.
Cowboys Espirituais e as parcerias de estrada
Em 1997, Frank se juntou a Júlio Reny e Márcio Petracco para formar os Cowboys Espirituais, projeto que lançou um disco homônimo em 1998. A faixa "Jovem Cowboy" ganhou videoclipe e o prêmio de Revelação da América Latina do canal CMT. Frank ficou pouco tempo na banda, mas seguiu contribuindo em trabalhos futuros.
Músicas nascidas nos discos dele circularam por outros repertórios:
- "Nunca Dica" e "Eu", faixas da Graforréia regravadas pelo Pato Fu;
- "Homem de Neanderthal", regravada pelo Ira! no disco "Entre Seus Rins" (2002);
- composições gravadas por Wander Wildner, parceiro de várias fases.
Sarau Elétrico e os livros de Frank Jorge
No fim dos anos 1990, Frank escrevia crônicas para o programa Ouvinte Eletrônico, da Ipanema FM, e colaborava com o movimento cultural Não. Foi essa rotina de textos que o levou ao Sarau Elétrico, projeto semanal criado em 1999 depois de uma entrevista da jornalista Katia Suman com o professor e escritor Luís Augusto Fischer. Como apresentador, ele precisava produzir material próprio para ler no palco — e desse material saíram os livros.
- Realidades e Chantillys Diversos (2000, Artes e Ofícios);
- Crocâncias Inéditas (2001, Sagra-Lusato);
- Vida de Verdade (2002, Sagra-Lusato);
- Sem Aparente Significado Especial (2004, AMEOP), em uma série de livros de poemas organizada por Ricardo Silvestrin e Alexandre Brito.
Na rádio, assinou o programa Crocâncias Diversas, na Ipanema FM, entre 2011 e 2012. Na televisão, foi diretor e apresentador do Programa Radar, da TVE RS, entre 2001 e 2003. Também passou pela FM Cultura e dirigiu a Usina do Gasômetro, na Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.
O curso de rock da Unisinos e a carreira acadêmica
Em 2005, um convite do escritor Fabrício Carpinejar, colega de Sarau Elétrico, levou Frank a trabalhar na Secretaria Municipal de Cultura de São Leopoldo. No ano seguinte, ele escreveu o rascunho de um curso de música diferente dos modelos tradicionais, reunindo Direito, softwares de áudio e história da música popular. Assim nasceu o curso de Formação de Produtores e Músicos de Rock da Unisinos, com a primeira turma em 2007 — chamado pela imprensa de "Escola de Rock" à época do lançamento.
Frank iniciou o mestrado em Comunicação na Unisinos em 2011 e se tornou mestre em Ciências da Comunicação em 2017. Coordenou o curso de Produção Fonográfica da universidade por 16 anos, até julho de 2023.
Abertura para Paul McCartney e a carreira solo
Em 13 de outubro de 2017, Frank Jorge abriu o show de Paul McCartney no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, acompanhado do músico Luciano Albo, seu colega na época dos Cascavelletes. A apresentação de abertura foi confirmada após anúncio nas redes e virou um dos momentos mais lembrados da passagem do ex-Beatle pela cidade.
A carreira solo, iniciada em 2000, rendeu discos como "Carteira Nacional de Apaixonado" (2000), "Vida de Verdade" (2003), "Volume 3" (2008), "Escorrega Mil Vai Três Sobra Sete" (2016) e "Histórias Excêntricas ou Algum Tipo de Urgência" (2018). No Prêmio Açorianos, venceu como compositor em 1998 e como compositor de pop/rock em 2000, com indicações também em 1999 e 2009.
Depois da mudança para Buenos Aires, em 2023, lançou o álbum em espanhol "Un Tipo Muy Raro" (2024) e, em setembro de 2025, "Existe um Mundo Lá Fora", com dez faixas.
Onde ouvir e acompanhar Frank Jorge
Os canais oficiais concentram a discografia e a agenda:
- YouTube — canal oficial, com álbuns completos, videoclipes e registros de shows;
- Instagram — @frankjorge2267, com novidades, turnês e lançamentos;
- Apple Music — discografia solo disponível para streaming;
- Nas Nuvens Music Group — catálogo, ficha técnica e contato para shows.
Para situar Frank Jorge na cena em que ele se formou, vale navegar pela tag música, que reúne outros nomes da música brasileira, e pela tag literatura, para a produção de crônicas e poemas.
Quem procura por Frank Jorge encontra, no fim das contas, um artista que nunca separou a canção da palavra escrita — e que segue publicando nas duas frentes.






