Guilherme Weber entrou no palco em 1991, em Curitiba, e fez do teatro o eixo de uma carreira que depois atravessaria a novela das oito, o cinema e a narração de audiolivros. Em 1993, fundou com Felipe Hirsch a Sutil Companhia de Teatro, grupo que recebeu 17 prêmios no primeiro ano e circulou com força pelo eixo Rio–São Paulo.
Mais de três décadas depois, o nome dele ocupa três frentes distintas: o palco, onde atuou ou dirigiu mais de 20 espetáculos; a televisão, onde ganhou reconhecimento popular como o vilão Tony, de Da Cor do Pecado; e os audiolivros, território em que deu voz a clássicos como O livro do xadrez, de Stefan Zweig, e A morte em Veneza, de Thomas Mann. Este perfil reúne a trajetória, os prêmios e os projetos públicos do ator e diretor.
Quem é Guilherme Weber
Guilherme Weber nasceu em Curitiba, no Paraná, em 6 de maio de 1972. É ator e diretor, formado na prática dos palcos, e construiu a carreira em ritmo de companhia: repertório, temporadas e criação coletiva antes da exposição televisiva.
O reconhecimento público chegou em etapas. Primeiro veio do teatro, com a Sutil Companhia; depois, da televisão, com papéis em novelas e séries da TV Globo e da HBO; e, mais tarde, do cinema, quando assumiu a direção de Deserto. Ele alterna as posições de intérprete e de diretor — traço que ajuda a explicar a longevidade do trabalho e a variedade de registros.
Do palco curitibano à Sutil Companhia de Teatro
A Sutil Companhia de Teatro nasceu em 1993, da parceria com o também curitibano Felipe Hirsch, e virou uma das bases da cena teatral de Curitiba. No primeiro ano de atividades, o grupo recebeu 17 prêmios — resultado de montagens que depois ganhariam temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Em 2000, A Vida é Cheia de Som e Fúria, adaptação do romance Alta Fidelidade, de Nick Hornby, consagrou a dupla no circuito Rio–São Paulo: Felipe Hirsch como encenador e Guilherme Weber como ator. O espetáculo entrou para o repertório como um dos marcos dessa parceria.
No Teatro Popular do Sesi, ele participou de montagens como Temporada de Gripe (2003), Avenida Dropsie (2005) e Educação Sentimental do Vampiro (2007), adaptação do texto de Dalton Trevisan. Foi por esse trabalho no palco que recebeu, em 2007, o Troféu APCA de melhor ator.
A direção teatral se consolidou em paralelo: A Memória da Água (2001), Os Altruístas (2011), Os Realistas (2016) e, mais recentemente, Tudo (2022) e Gargalhada Selvagem (2023), espetáculo que assina como diretor e adaptador. Em 2016, também foi curador do Festival de Curitiba.
Da Cor do Pecado e os papéis que marcaram a TV
A estreia na televisão aconteceu em 2001, com participação em Um Anjo Caiu do Céu. No ano seguinte, passou por Os Normais. Mas foi em 2004 que o grande público passou a associar o rosto dele a um personagem: o vilão Tony Peixoto de Almeida, de Da Cor do Pecado, um dos papéis mais lembrados da novela.
Depois vieram trabalhos em sequência: Belíssima (2005), Malhação (2007 e 2009), Ciranda de Pedra (2008), Queridos Amigos (2008) — pelo qual venceu o segundo APCA —, Tempos Modernos e Passione (2010), Lara com Z e Homens de Bem (2011), O Negócio (2013), Lúcia McCartney (2016), Pega Pega e A Força do Querer (2017), Malhação: Vidas Brasileiras (2018), Reality Z (2020), Nos Tempos do Imperador (2021) e Cara e Coragem (2022). Em 2024, integrou o elenco de Body By Beth e de Volta por Cima.
Alguns personagens ajudam a resumir essa fase:
- Tony, em Da Cor do Pecado (2004) — o vilão que o tornou conhecido do grande público.
- Benny, em Queridos Amigos (2008) — atuação premiada com o APCA de melhor ator.
- Ariel, em O Negócio (2013) — série da HBO sobre o mercado de acompanhantes de luxo.
- Jonathan Azevedo, em Cara e Coragem (2022), e Marco Barros, em Volta por Cima (2024).
Cinema: Olga, Árido Movie e a estreia na direção
No cinema, a estreia veio em 1998, com Cruz e Sousa — O Poeta do Desterro e Fui Rei. Em 2004, interpretou Otto Braun em Olga e Arthur em Nina. Depois atuou em Árido Movie (2006), Meus Dois Amores (2015) e Meu Amigo Hindu (2016), dirigido por Hector Babenco.
Em 2016, estreou como diretor de cinema com Deserto, exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme rendeu a ele o prêmio de melhor diretor no Los Angeles Brazilian Film Festival. No ano seguinte, interpretou o economista Pérsio Arida em Real: O Plano por Trás da História. Vieram ainda Alice & Só (2020) e Acqua Movie (2021).
Audiolivros: a voz em O livro do xadrez e A morte em Veneza
Na Supersônica, editora dedicada a audiolivros, Guilherme Weber assina a narração de dois clássicos da literatura mundial. O primeiro foi O livro do xadrez, novela de Stefan Zweig publicada postumamente, com tradução de Silvia Bittencourt e direção de Daniela Thomas. A obra acompanha uma partida a bordo de um navio entre o campeão Mirko Czentóvic e o misterioso Doutor B.
Em 2026, chegou A morte em Veneza, de Thomas Mann, com tradução de Julia Bussius e direção de Daniela Thomas. O texto de 1912 narra a viagem do escritor Gustav von Aschenbach e sua obsessão por Tadzio na cidade italiana. Ele também participou da leitura de Educação Sentimental do Vampiro, de Dalton Trevisan, ao lado de outros intérpretes.
As duas narrações solo estão disponíveis em plataformas como Audible, Skeelo, Kobo, Google Play, Storytel e Martins Fontes.
Prêmios e reconhecimento
- Troféu APCA de melhor ator (2007), pelo trabalho em Educação Sentimental do Vampiro.
- Troféu APCA de melhor ator (2008), por Queridos Amigos.
- Melhor diretor no Los Angeles Brazilian Film Festival (2016), por Deserto.
- Prêmio TV Press (2004), como ator revelação por Da Cor do Pecado.
Somam-se a isso indicações em premiações como Melhores do Ano (2004), Prêmio Contigo! (2005), Prêmio Cesgranrio de Teatro, por Tudo, e Prêmio Prio do Humor, por Gargalhada Selvagem.
Onde acompanhar o trabalho de Guilherme Weber
O ator mantém presença oficial no Instagram e no Facebook, canais em que divulga projetos de teatro, televisão e cinema. Para créditos completos de filmes e séries, o perfil no IMDb reúne a filmografia; a Enciclopédia Itaú Cultural documenta a trajetória teatral.
Quem se interessa pelo trabalho dele como narrador pode explorar perfis de outras autoridades ligadas à literatura no site e comparar trajetórias. Quem chega pela televisão ou pelo cinema encontra, nos projetos abaixo, os audiolivros que hoje representam sua produção mais acessível ao público brasileiro.



