Helena Chagas comandou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República entre janeiro de 2011 e janeiro de 2014, depois de coordenar a imprensa da campanha que levou Dilma Rousseff ao primeiro mandato. A passagem pelo centro do poder é apenas uma parte de uma trajetória construída em redações, no serviço público e em programas de análise política. Antes de assumir a cadeira de ministra, ela já havia dirigido a sucursal de Brasília de O Globo, a área de jornalismo do SBT e a Diretoria de Jornalismo da EBC/TV Brasil.
Nascida no Rio de Janeiro em 1961, Helena Maria de Freitas Chagas é filha do jornalista político Carlos Chagas e formou-se na Universidade de Brasília. Começou a carreira em O Globo, em 1982, e desde então acumulou funções de repórter, editora, colunista e executiva de redação. Hoje, é gerente de marketing e comunicação da ApexBrasil e mantém a atividade pública como colunista do Brasil 247 e comentarista da TV 247.
Da redação de O Globo ao comando da Secom
A primeira etapa profissional de Helena Chagas foi na cobertura política. Em O Globo, acompanhou a inauguração da Nova República e a Assembleia Nacional Constituinte de 1987, dois momentos que moldaram a linguagem do jornalismo brasileiro sobre o poder. Depois, ingressou por concurso no Senado Federal, onde atuou como repórter e produtora de programas da casa legislativa.
Em 1995, voltou a O Globo como coordenadora da área de política. Na função, chefiou a redação e dirigiu a sucursal de Brasília, período em que passou a assinar colunas e a participar de forma mais intensa do debate público sobre o Congresso e o governo federal. Também escreveu para o Diário de S. Paulo e manteve blogs de análise política no g1, no IG, no Comunique-se e no portal do próprio O Globo.
Em 2005, recebeu a Ordem de Rio Branco no grau de oficial suplementar. No ano seguinte, assumiu a diretoria de jornalismo da sucursal de Brasília do SBT. A experiência em televisão aberta a levou, em 2007, à Diretoria de Jornalismo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), onde participou da implantação da TV Brasil e acompanhou a operação da Agência Brasil e das rádios da Radiobrás.
O que Helena Chagas fez à frente da Secom
A Secretaria de Comunicação Social é o órgão da Presidência responsável pela articulação da comunicação do governo federal, pela publicidade oficial e pela relação cotidiana com a imprensa. Helena Chagas assumiu a pasta em 1.º de janeiro de 2011, substituindo Franklin Martins, e permaneceu no cargo até 31 de janeiro de 2014, quando foi substituída por Thomas Traumann em uma reforma ministerial no início do ano eleitoral.
O período coincidiu com o primeiro mandato de Dilma Rousseff, marcado por uma agenda intensa de infraestrutura, programas sociais e preparação para a Copa do Mundo de 2014. À frente da Secom, Helena Chagas precisou conciliar a divulgação das ações do governo com a cobrança crescente da imprensa e de setores da sociedade por respostas mais rápidas e transparentes. A saída dela do governo ocorreu no início do ano eleitoral, em um momento de reorganização da equipe de comunicação.
Para quem acompanha a relação entre jornalismo e poder, a passagem dela pela Secom funciona como um retrato de uma geração que circulou entre a cobertura independente e a gestão pública. Helena Chagas não construiu a reputação apenas no governo: chegou ao cargo depois de mais de duas décadas de redação e deixou a função para retomar a atividade de consultoria, análise e comentário político.
Senado, EBC e a comunicação pública
A experiência no Senado Federal é uma das menos conhecidas da trajetória de Helena Chagas, mas ajuda a explicar o interesse dela por comunicação pública. Como servidora concursada, atuou como repórter e produtora de programas da casa legislativa, acompanhando o funcionamento do Congresso por dentro. Essa vivência precedeu a passagem pela TV Brasil, pela Agência Brasil e pelas rádios da Radiobrás, onde defendeu uma programação voltada à cidadania.
Na EBC, a jornalista participou da estruturação de uma emissora pública em um país acostumado a concentrar a produção audiovisual em poucos grupos privados. A experiência também rendeu a ela um conhecimento raro sobre licitação, contratos de comunicação e rotinas de assessoria, temas que mais tarde seriam cobrados na Secom. É uma trajetória diferente da de colunistas que nunca passaram pela máquina pública e da de gestores que nunca trabalharam em redação.
Análise política, colunas e o programa na TV 247
Depois de deixar o governo, Helena Chagas passou a se dedicar à consultoria de comunicação e à análise política. Foi sócia e colunista do site Os Divergentes, escreveu para diferentes publicações e se tornou colunista do Brasil 247, onde mantém uma coluna regular sobre o Congresso, o Executivo e o comportamento da imprensa. Também atua como comentarista da TV 247.
Em maio de 2022, estreou ao lado de Mario Vitor Santos o programa Helena & Mario Vitor, exibido pela TV 247 no YouTube. A atração vai ao ar às terças e quintas-feiras, às 10h, logo depois do Bom Dia 247, e se dedica a analisar os principais fatos da política brasileira, com espaço para os bastidores dos Três Poderes e para a memória de momentos importantes da vida nacional.
A coluna e o programa consolidaram uma segunda fase pública da jornalista, mais analítica e menos ligada à cobertura diária. O repertório de quem cobriu a Constituinte, dirigiu sucursal e comandou a comunicação do governo aparece na forma como ela explica a disputa política: com atenção às instituições, aos bastidores e ao papel da mídia na construção da narrativa.
Formação, família e reconhecimento
Helena Chagas formou-se em Comunicação pela Universidade de Brasília, instituição que também marcou a trajetória do pai, o jornalista Carlos Chagas, professor emérito da UnB. A relação entre os dois é um capítulo à parte na história da imprensa brasiliense: Carlos construiu uma carreira de comentarista e professor, e Helena seguiu um caminho próprio, com passagens por redações, televisão pública e governo.
Além da Ordem de Rio Branco, recebida em 2005, a jornalista acumula reconhecimento público por sua atuação em veículos de diferentes perfis. A trajetória inclui marcos que ajudam a situar sua importância no jornalismo político brasileiro:
- 1982: início profissional em O Globo, na cobertura política.
- 1987: cobertura da Assembleia Nacional Constituinte.
- 1995: retorno a O Globo como coordenadora de política e diretora da sucursal de Brasília.
- 2005: condecoração com a Ordem de Rio Branco.
- 2006: diretoria de jornalismo da sucursal de Brasília do SBT.
- 2007: Diretoria de Jornalismo da EBC/TV Brasil.
- 2010: coordenação de imprensa da campanha de Dilma Rousseff.
- 2011 a 2014: ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social.
- 2022: estreia do programa Helena & Mario Vitor, na TV 247.
Como acompanhar o trabalho de Helena Chagas
Quem procura a produção recente da jornalista encontra colunas no Brasil 247, participações na TV 247 e o arquivo do programa que apresenta com Mario Vitor Santos. O perfil dela no X (antigo Twitter) e a página profissional no LinkedIn reúnem atualizações sobre a carreira e os temas que ela acompanha. Para quem estuda comunicação pública, vale consultar também a biografia no Museu da TV e as reportagens sobre a passagem dela pela Secom.
A trajetória de Helena Chagas atravessa momentos decisivos da profissionalização do jornalismo político brasileiro e mostra como a fronteira entre imprensa e governo se tornou um dos debates centrais da democracia. Acompanhar o trabalho dela é acompanhar uma leitura de Brasília feita por alguém que conhece os dois lados do balcão.


