Ingrid Guimarães chegou ao topo da bilheteria brasileira em 2026 com Minha Melhor Amiga, comédia que levou 3 milhões de pessoas aos cinemas em duas semanas. O resultado coroa uma carreira de quase quatro décadas, construída primeiro no teatro, depois na televisão e, a partir de 2010, também como protagonista do cinema nacional.
A atriz, roteirista e produtora nasceu em Goiânia, mas foi no Rio de Janeiro que encontrou o palco. Hoje, seu nome aparece em filmes de grande público, em uma coluna quinzenal no jornal O Globo e em personagens que atravessaram gerações de telespectadores. Entender Ingrid Guimarães exige olhar para essa travessia: a menina que estudava teatro, a comediante que virou presença fixa na TV e a artista que passou a escrever e produzir suas próprias histórias.
De Goiânia ao Tablado: o começo de Ingrid Guimarães
Ingrid da Silva Guimarães nasceu em Goiânia, em 5 de julho de 1972. Aos 13 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou a estudar teatro no Tablado. Também fez cursos com o diretor Antunes Filho, em São Paulo, e atuou em uma montagem de O Diário de Anne Frank. Sua estreia no teatro aconteceu em 1987.
Antes da fama na televisão, ela participou de Confissões de Adolescente, espetáculo que percorreu o país entre 1992 e 1996 e do qual também foi coautora ao lado de Maria Mariana. O trabalho rendeu o Prêmio Cantão de Teatro Jovem de melhor atriz em 1997 e ajudou a firmar sua veia cômica.
Como Ingrid Guimarães passou do humor na TV ao cinema
A estreia na televisão foi em 1993, em Mulheres de Areia. Depois vieram humorísticos como Chico Total e participações em novelas e seriados. Em 2001, interpretou Leandra Borges na Escolinha do Professor Raimundo; a personagem voltaria ao Fantástico em quadros de moda e verão.
Entre 2004 e 2007, formou com Heloísa Périssé a dupla de Sob Nova Direção, sitcom em que uma dondoca falida e uma taxista tentam reerguer um bar no subúrbio. O programa consolidou Ingrid como comediante de televisão e ampliou seu alcance para além das novelas.
O cinema mudou de escala em 2010, com De Pernas pro Ar. No papel de Alice Segretto, uma executiva demitida que se associa a uma vizinha dona de sex shop, Ingrid ganhou seu primeiro protagonismo no cinema. O filme, dirigido por Roberto Santucci, custou cerca de R$ 5,5 milhões e arrecadou aproximadamente R$ 35 milhões, segundo dados publicados sobre a produção. Duas continuações vieram depois, em 2012 e 2019.
A soma de seus filmes ultrapassa 27 milhões de espectadores, número que a levou a receber o Troféu Cidade de Gramado em 2023, homenagem do Festival de Cinema de Gramado por sua contribuição ao cinema brasileiro.
Roteiro, produção e os filmes que ela assina
A partir dos anos 2020, Ingrid passou a ocupar também o lugar de autora e produtora. Em Minha Irmã e Eu, idealizou a história com Veronica Debom, Célio Porto, Fil Braz e Leandro Muniz, além de contracenar com Tatá Werneck. Em Perrengue Fashion, assina o roteiro com Marcelo Saback, Célio Porto e Edu Araújo e também integra a produção. Já Minha Melhor Amiga nasceu de uma história criada por ela e Mônica Martelli.
- De Pernas pro Ar (2010): a comédia que a transformou em protagonista de cinema e deu origem a uma franquia.
- Minha Irmã e Eu (2023): estrelada e coescrita por Ingrid, levou mais de 1 milhão de espectadores aos cinemas.
- Perrengue Fashion (2025): comédia sobre uma influenciadora de moda que vai parar na Amazônia.
- Minha Melhor Amiga (2026): estrelada e produzida com Mônica Martelli, ultrapassou R$ 100 milhões de bilheteria.
Em 2021, assinou contrato de exclusividade com a Amazon Studios e deixou a Rede Globo após 28 anos. No Prime Video, participou da série Eleita e apresentou o dating show Match nas Estrelas, em 2023.
Teatro, livro e a coluna no jornal O Globo
O teatro continua sendo uma das bases de sua formação. Ao lado de Heloísa Périssé, escreveu e estrelou Cócegas, espetáculo em nove esquetes que ficou em cartaz de 2001 a 2011 e recebeu indicações ao Prêmio Shell. A parceria também gerou o livro Os Melhores Momentos de Cócegas, publicado pela Editora Objetiva em 2002.
Na televisão fechada, apresentou Mulheres Possíveis e Além da Conta, no GNT, e comandou o Modo Mãe. No jornal O Globo, assina uma coluna quinzenal aos domingos, em que escreve sobre temas do cotidiano, cultura e relações.
O que explica o público de Ingrid Guimarães
As personagens mais conhecidas de Ingrid têm um ponto em comum: são mulheres comuns colocadas em situações de atrito. Alice Segretto tenta reconstruir a vida depois de uma demissão; Mirian, de Minha Irmã e Eu, precisa lidar com a irmã e com o desaparecimento da mãe; Paula Pratta, de Perrengue Fashion, descobre que o filho trocou o luxo pela Amazônia; Clara, de Minha Melhor Amiga, encara o ninho vazio aos 50 anos.
A comédia dela raramente depende de uma piada isolada. Funciona pelo acúmulo de situações reconhecíveis, pelo constrangimento de quem tenta manter as aparências e pela capacidade de transformar assuntos domésticos em motor de trama. Essa proximidade com a vida material das mulheres explica parte de seu apelo popular, especialmente entre quem acompanha sua carreira desde os humorísticos da televisão.
Em entrevista ao jornal O Globo sobre Minha Irmã e Eu, Ingrid disse que queria falar sobre irmãs e sobre suas raízes goianas. A frase ajuda a entender por que seus filmes mais recentes combinam humor de situação com temas familiares: irmandade, maternidade, amizade e recomeço.
Reconhecimento e presença pública
Ao longo da carreira, recebeu o Prêmio APETESP de melhor atriz em 1996, o Prêmio Cantão de Teatro Jovem em 1997 e o Prêmio Qualidade Brasil em 2003. Também foi indicada ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2011, ao Prêmio Extra de Televisão em 2017 e ao Festival Sesc Melhores Filmes em 2024.
Fora das telas, mantém uma presença digital expressiva: o perfil oficial no Instagram reúne cerca de 6 milhões de seguidores, e o TikTok ultrapassa 3 milhões. Ela usa esses canais para divulgar lançamentos, comentar o cotidiano e conversar com o público que acompanha seus filmes.
Por onde começar a acompanhar Ingrid Guimarães
Quem chega agora pode escolher a porta de entrada pelo tipo de trabalho que prefere. Para entender a fase de maior público no cinema, De Pernas pro Ar mostra o início de sua trajetória como protagonista. Já Minha Irmã e Eu revela a Ingrid roteirista, enquanto Perrengue Fashion acompanha sua incursão pela comédia de streaming. Para o trabalho mais recente, Minha Melhor Amiga concentra amizade, maturidade e grande bilheteria.
Em 2026, aos 54 anos, Ingrid Guimarães mantém a coluna no O Globo e já tem uma continuação de Minha Melhor Amiga planejada para 2027, segundo o produtor Marcio Fraccaroli. É uma carreira que começou no teatro em 1987 e chegou ao cinema mantendo a televisão e a escrita no mesmo percurso.





