Heloísa Périssé estreou no palco em 1988, numa peça de Domingos de Oliveira, e chegou à televisão pela porta do humor: em 1994, entrou para o elenco da Escolinha do Professor Raimundo e nunca mais se afastou do gênero que a tornou conhecida. Nascida no Rio de Janeiro e criada em Salvador, ela construiu uma comicidade de corpo e voz que atravessou Zorra Total, Sob Nova Direção e Avenida Brasil — sempre escrevendo, atuando e reinventando personagens próprios.
Quem busca o nome dela costuma juntar peças de universos diferentes: a Candinha da Escolinha, as esquetes de Cócegas, a Monalisa da novela das nove, os livros da Tati, a Dercy Gonçalves da minissérie. O que costura tudo isso é a autoria. Heloísa não é apenas intérprete: assina textos de teatro, roteiros de televisão e livros, e é nessa dobra entre atuar e escrever que sua trajetória se sustenta.
Quem é Heloísa Périssé e por que ela continua em cena
Heloísa Perlingeiro Périssé de Farias nasceu no Rio de Janeiro em 19 de agosto de 1966 e viveu dos 11 aos 18 anos em Salvador, período que costuma associar à sua formação. Estudou atuação na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e no Teatro Tablado, dois espaços tradicionais da cena carioca.
A estreia profissional veio em 1988, em As Guerreiras do Amor, espetáculo de Domingos de Oliveira. Em 1996, a atuação em Os Impagáveis lhe rendeu o Prêmio Mambembe de melhor atriz — o primeiro de uma série de reconhecimentos que incluiriam dois Prêmios Qualidade Brasil, dois Melhores do Ano e, em 2025, a Ordem do Mérito Cultural.
Da Escolinha ao Zorra: como o humor televisivo a consolidou
A estreia como atriz na televisão aconteceu em 1994, em duas frentes: a minissérie Incidente em Antares e o humorístico Escolinha do Professor Raimundo, no qual interpretou personagens como Candinha. Depois vieram Chico Total (1996) e, entre 1999 e 2003, o Zorra Total, onde seus tipos cômicos se tornaram presença fixa na programação.
No Fantástico, o quadro Papo Irado (2002–2003) apresentou ao público a adolescente Tati, personagem que ela levaria para o cinema anos depois. Entre 2004 e 2007, Sob Nova Direção colocou Heloísa e Ingrid Guimarães à frente de uma série cômica exibida nas noites de domingo, com a personagem Belinha — trabalho que rendeu a ela indicação ao Prêmio Extra de Televisão.
Cócegas, Dercy e Monalisa: os papéis que marcaram a carreira
Se a TV a tornou popular, o teatro firmou sua assinatura autoral. Em 2001, ela e Ingrid Guimarães escreveram e protagonizaram Cócegas, espetáculo que ficou dez anos em cartaz, recebeu indicações ao Prêmio Shell de melhor autora e de melhor atriz e gerou o livro Os Melhores Momentos de Cócegas e um registro em DVD.
Na década seguinte vieram as viradas dramáticas. Em 2009, entrou pela primeira vez em uma novela, Cama de Gato. Em 2012, viveu Dercy Gonçalves na minissérie Dercy de Verdade e a cabeleireira Monalisa em Avenida Brasil, papel que lhe valeu indicação ao Prêmio Extra de melhor atriz coadjuvante. Em 2014, assinou como autora principal e estrelou Segunda Dama, vivendo as gêmeas Analu e Marali. Na sequência, passou por Boogie Oogie, A Lei do Amor, A Vila, TOC's de Dalila, pela série Cine Holliúdy, que integrou de 2019 a 2023, e pela novela Êta Mundo Melhor!, em 2025.
Heloísa Périssé escritora: livros, teatro e roteiro
Desde os anos 2000, a atriz divide a carreira com a escrita. Além das peças E Foram, Quase, Felizes Para Sempre (2013), Loloucas e Lololendi (2018) e A Iluminada (2021), assinou roteiros de TV e três livros: O Diário de Tati (2003), Mãe, você não tá entendendo... (2004) e Cheia de Graça (2024).
Esse lado escritora aproxima seu nome de um público que vai além da comédia televisiva: leitoras que cresceram com a Tati e leitores interessados em relatos de fé, humor e recomeço. Esses títulos dialogam com a literatura brasileira contemporânea e ajudam a entender por que o nome dela segue sendo buscado fora do horário nobre.
Marcos da trajetória
- 1988 — estreia no teatro em As Guerreiras do Amor, de Domingos de Oliveira.
- 1996 — Prêmio Mambembe de melhor atriz por Os Impagáveis.
- 2001 — escreve e estrela Cócegas, com Ingrid Guimarães.
- 2003 — publica O Diário de Tati pela Objetiva.
- 2012 — interpreta Dercy Gonçalves e Monalisa na TV.
- 2024 — lança Cheia de Graça pela BestSeller.
- 2025 — recebe a Ordem do Mérito Cultural.
Cheia de Graça: o que o novo livro revela
Em 2019, Heloísa Périssé foi diagnosticada com um tumor raro nas glândulas salivares. O tratamento e a recuperação — celebrada com cinco anos de cura em 2025 — se tornaram matéria-prima de Cheia de Graça: uma jornada de humor, amor e cura, publicado pela BestSeller em outubro de 2024.
O livro não é uma biografia convencional: reúne memórias, reflexões sobre fé e espiritualidade e o mesmo humor que acompanha a autora desde a Escolinha. Vinte e um anos separam Cheia de Graça dos primeiros livros da Tati, e essa distância mostra uma fase em que ela fala diretamente com um público adulto.
Vida pessoal e onde acompanhar
Heloísa foi casada com os atores André Mattos e Lug de Paula e, desde 2002, é casada com o diretor Mauro Farias. É mãe de Luísa Périssé de Paula e Antônia Périssé Farias, que também seguiu carreira artística.
Nas redes, mantém perfis oficiais ativos no Instagram, no TikTok e no Facebook, onde compartilha cenas de teatro, trechos de entrevistas e encontros com o público. Os projetos ligados à sua obra estão reunidos logo abaixo.





