Mãe, você não tá entendendo... é a continuação de O Diário de Tati, lançada pela Objetiva em 2004, com texto de Heloísa Périssé e colaboração de Tiza Lobo. A adolescente Tati volta em crise: com o corpo, com os próprios pensamentos e sobretudo com a mãe.
O que muda nesta segunda parte
Se o primeiro livro apresentava uma garota tentando entender o mundo, o segundo aprofunda o conflito mais difícil de casa. Tati tem dias em que prefere sumir do mapa; em outros, se desmancha em lágrimas e pede colo. Na hora de sair com as amigas, a irritação aparece; dentro de casa, a convivência com a mãe vira o tema central.
O livro mantém o formato de diário e o humor como recurso de leitura, mas encara de frente uma relação que nem sempre é fácil — sobretudo quando a filha em questão se chama Tati.
Por que a relação mãe e filha rende tanta identificação
A escolha de escrever sobre a convivência entre mãe e filha adolescente faz deste livro uma leitura que atravessa gerações. Quem lê pelo lado da filha reconhece as cobranças; quem lê pelo lado da mãe encontra um retrato afetuoso, ainda que emburrado, da convivência doméstica.
Heloísa Périssé escrevia para um público jovem, mas sem abandonar o que sempre marcou sua comédia: observar a vida familiar de perto e devolver essa observação em cenas engraçadas e reconhecíveis.
Lugar na obra da autora
Mãe, você não tá entendendo... fecha a fase juvenil de Heloísa Périssé como autora. Depois dele, ela se dedicou sobretudo ao teatro, à televisão e às peças que escreveu e estrelou, como E Foram, Quase, Felizes Para Sempre (2013) e A Iluminada (2021). O retorno aos livros aconteceria vinte anos depois, já com Cheia de Graça (2024), voltado ao público adulto.
Para leitoras que cresceram com a Tati, reencontrar a personagem nesta continuação é entender como a escrita da autora amadureceu junto com seu público. O livro funciona como segunda parte de um mesmo diário e pode ser lido em sequência ao primeiro.
Como encontrar
A edição da Objetiva costuma ser encontrada em sebos e no mercado de usados. Quem procura a obra completa da autora encontra no volume a ponte entre a escrita juvenil dos anos 2000 e os livros de memórias que vieram depois.




