Foi aos 15 anos, entre as primeiras aulas de violão e os versos rabiscados em um caderno, que Klébi Nori começou a compor. Da adolescente que subia em festivais de colégio nasceu uma das vozes mais reconhecíveis da música popular brasileira: cantora de timbre grave, letrista de imagens urbanas e compositora com obra gravada por nomes como Zélia Duncan e Vânia Bastos.
Paulistana nascida em 19 de março de 1961, Klébi Maria Nori é filha do ex-zagueiro Clóvis Nori, jogador que fez história no Corinthians. Foi ele quem acompanhou os primeiros passos da filha em estúdios e shows, enquanto ela montava um repertório próprio, atravessado por São Paulo, pela poesia do cotidiano e por uma autonomia artística rara para a sua geração.
Quem é Klébi Nori
Antes dos discos, vieram os palcos. Ainda adolescente, formou a banda Blush e passou a se apresentar em festivais e casas noturnas de São Paulo. Aos 24 anos, deixou o curso de Filosofia para se dedicar integralmente à música e ganhou espaço em palcos como o Teatro Crowne Plaza, unidades do Sesc e o Centro Cultural São Paulo.
O primeiro álbum, “Klébi”, saiu em 1995 pela Dabliú Discos, com arranjos de Duofel e Skowa. Entre faixas próprias, a interpretação de “Salve linda canção sem esperança”, de Luiz Melodia, tornou-se sua gravação mais conhecida — uma releitura que atravessou rádios e permanece até hoje como porta de entrada para a obra da compositora.
Qual é o estilo musical de Klébi Nori
Verbetes dedicados à música popular brasileira destacam nela um timbre grave e uma interpretação sem excessos, com letras urbanas que falam de amor, cidade e trabalho sem clichês. A própria compositora define sua música como MPB contemporânea, mas a obra transita pelo pop dos anos 1990, pela canção paulistana e, em “Sambarás”, pelo samba de raiz.
Como a carreira de Klébi Nori se firmou nos discos
Nos anos seguintes à estreia, Klébi encadeou uma discografia em que assinava a maior parte das letras e melodias, algo ainda incomum entre intérpretes brasileiras nos anos 1990.
Da Ilusão das Pedras ao disco ao vivo
“Ilusão das Pedras” (1997) foi produzido por João Marcello Bôscoli e Max de Castro e ganhou um acento eletrônico pouco comum na MPB da época. Em “Escolhas” (1999), com produção de Mário Manga e Swami Jr., firmou canções como “A cidade de outro”, “Eu sou paulista” e “O samba de Sampa”, dedicada às escolas de samba de São Paulo, além de interpretar “Mania de possuir”, de Guilherme Arantes. No mesmo ano, participou do projeto Novo Canto, da Rádio JB FM.
“Inverno do Seu Jardim” (2005) trouxe participações de Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, e de Oswaldinho do Acordeom. Já “Daqui” (2007) reuniu onze composições próprias entre as treze faixas, em parceria com o produtor e arranjador José Antônio Almeida, com uma São Paulo de fantasmas urbanos e um Cristo Redentor que tira férias na cidade.
Em 2010, a cantora gravou na Casa das Caldeiras um show em que repassou a própria trajetória, lançado pela Biscoito Fino em CD e DVD ao vivo. O registro tem direção musical de José Antônio Almeida e participações de Guilherme Arantes e Roger Moreira, além de canções inéditas como “Área Irrestrita” e “Lua Morta”. Antes disso, em 2006, havia levado o repertório a temporadas de shows na Europa, incluindo um projeto acústico em navio.
O que Klébi Nori revela em Sambarás
Depois do projeto ao vivo, Klébi mergulhou no samba. “Sambarás”, gravado entre março e julho de 2015 e lançado em janeiro de 2016, reúne doze faixas autorais e marca o retorno da artista à Dabliú Discos, mesma gravadora do álbum de estreia. A produção artística é de Eduardo Gudin, nome histórico do samba paulista, e os arranjos são de Gian Correa, parceiro da compositora em faixas como “Samba na Manga”, “Água Raz” e “Climática”.
O disco foi concebido como um encadeamento de histórias: amor, cidade, trabalho e a própria arte de compor aparecem em canções como “Crime do compositor”, “Samba mulher” e na faixa-título “No tempo desse verbo (Sambarás)”. É a face mais assumidamente tradicional de uma compositora que sempre tratou a canção como ofício.
Klébi Nori também é escritora? A história de Os Castanhos
Antes do primeiro disco, veio o livro. Em 1994, Klébi publicou “Os Castanhos” pela Editora Maltese, um volume de contos que antecipa temas e imagens presentes em suas letras. O título circula fora do catálogo das grandes livrarias e aparece principalmente em sebos — o que ajuda a explicar por que a faceta literária da compositora é menos conhecida do que sua discografia.
Quais composições de Klébi Nori foram gravadas por outros artistas
Além dos próprios discos, a compositora tem canções registradas por intérpretes de diferentes gerações. Zélia Duncan gravou “Que cara tem?”, parceria com Luli e Lucina, e Vânia Bastos registrou “Calendário lunar”, escrita com Silvana Stievano. A circulação dessas músicas mostra que a força de Klébi Nori não está apenas na voz: está na canção que outros artistas escolhem defender.
Discografia essencial de Klébi Nori
Ao longo de mais de duas décadas, a cantora construiu uma obra que atravessa MPB, pop inteligente e samba:
- Klébi (Dabliú Discos, 1995) — estreia com “Salve linda canção sem esperança”;
- Ilusão das Pedras (Velas, 1997) — produção de João Marcello Bôscoli e Max de Castro;
- Escolhas (Velas, 1999) — “A cidade de outro”, “Eu sou paulista” e “O samba de Sampa”;
- Inverno do Seu Jardim (DNZ/Atração, 2005) — participações de Roger Moreira e Oswaldinho do Acordeom;
- Daqui (Atração Fonográfica, 2007) — onze faixas autorais em parceria com José Antônio Almeida;
- Klébi Nori Ao Vivo (Biscoito Fino, 2011) — CD e DVD gravados na Casa das Caldeiras;
- Sambarás (Dabliú Discos, 2016) — doze sambas autorais com produção de Eduardo Gudin.
Onde encontrar Klébi Nori hoje
A artista mantém perfis públicos em que divulga shows, gravações e memórias da carreira. Vale seguir Klébi Nori no Instagram e acompanhar o acervo de sua discografia no canal de artista no YouTube.
A obra dela circula entre a música brasileira e a literatura, duas frentes que resumem sua formação. Quem procura compositoras que assinam o próprio repertório encontra em Klébi Nori um caso de coerência rara: seis álbuns, um DVD ao vivo, um livro e a mesma cidade como matéria-prima.




