Luizianne Lins nasceu em Fortaleza, em 18 de novembro de 1968, e passou de militante estudantil a prefeita da capital cearense antes de chegar ao Senado Federal. Jornalista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), ela governou Fortaleza por dois mandatos (2005–2012), foi vereadora, deputada estadual e deputada federal, e em outubro de 2026 foi eleita senadora pelo Ceará com 2.822.806 votos.
A trajetória de Luizianne atravessa todos os níveis da política cearense sem interrupção eleitoral desde 1996: vereadora, deputada estadual, prefeita, deputada federal e, agora, senadora eleita. Ela começou no movimento estudantil nos anos 1980, foi a segunda mulher eleita prefeita de Fortaleza, comandou a cidade por oito anos e, desde 2015, representa o Ceará na Câmara dos Deputados. Com a vitória nas urnas em 2026, ela troca a Câmara pelo mandato de senadora, que começa em fevereiro de 2027 e vai até 2035.
Do movimento estudantil à prefeitura de Fortaleza
Luizianne de Oliveira Lins entrou na política pela porta dos movimentos sociais. Em 1987, passou a participar de organizações populares; dois anos depois, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, legenda que só abandonaria 37 anos mais tarde. Na universidade, presidiu o centro acadêmico da Comunicação Social entre 1989 e 1990 e o Diretório Central dos Estudantes da UFC entre 1991 e 1992. Também foi vice-presidente regional da União Nacional dos Estudantes (UNE) e ocupou a Secretaria Estadual de Juventude do PT.
A vida profissional começou antes da carreira eleitoral. Concursada da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização de Fortaleza, trabalhou na companhia entre 1988 e 1998. Foi pesquisadora e supervisora de campo do Datafolha e chegou a vice-coordenadora do instituto no Ceará, onde atuou por sete anos. Deu aulas de fotografia no Colégio Batista Santos Dumont entre 1991 e 1994 e, em 1995, tornou-se professora de Comunicação Social da UFC — cargo do qual segue licenciada. Concluiu o mestrado em Comunicação Social na PUC-Rio em 2017, com dissertação sobre a marca de governo Fortaleza Bela, e o doutorado em Comunicação e Semiótica na PUC-SP em 2023.
Na eleição de 1996, foi a candidata do PT mais votada para a Câmara Municipal de Fortaleza, com 5.336 votos, e reelegeu-se em 2000 com 9.725 votos. Presidiu a Comissão de Educação, Cultura e Desporto e a Comissão de Defesa da Mulher, da Juventude e da Criança, criada por um projeto de resolução de sua autoria. Em 2002, deu o salto para o legislativo estadual: eleita deputada estadual com 60.821 votos, a quarta maior votação do Ceará e a maior entre as mulheres que disputaram o cargo. Na Assembleia Legislativa, presidiu a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania.
Como foi a gestão de Luizianne Lins em Fortaleza
Em outubro de 2004, Luizianne Lins venceu a disputa pela prefeitura no segundo turno, com 620.174 votos e 56,21% dos votos válidos. Foi a segunda mulher a chegar ao comando da capital cearense, depois de Maria Luiza Fontenele, eleita em 1985. Quatro anos depois, em 2008, garantiu a reeleição ainda no primeiro turno, com 593.778 votos e 50,16% dos válidos, e governou até 1º de janeiro de 2013.
Os dois mandatos na prefeitura ficaram marcados por números da área social, pela atenção a áreas de risco e por um esforço de comunicação das entregas, reunido depois em livro. Entre as ações documentadas da gestão estão:
- ampliação dos programas federais Saúde da Família e Bolsa Família em Fortaleza;
- queda da taxa de mortalidade infantil de 21,2 mortes por mil nascidos vivos, em 2004, para 14,9 em 2008, segundo levantamento noticiado à época;
- limpeza de canais, rios, riachos e lagoas próximos a moradias em áreas de risco;
- programa de construção de casas populares na capital.
Em julho de 2012, a prefeitura lançou o livro Juntos construindo a Fortaleza Bela 2005–2011, um balanço das ações da administração nos mais de sete anos de gestão, com o objetivo declarado de prestar contas à população. No mesmo período, Luizianne apoiou a candidatura de Elmano de Freitas, seu ex-secretário de Educação, à sucessão municipal. Elmano chegou ao segundo turno, mas foi derrotado por Roberto Cláudio, que assumiu a prefeitura em 2013.
O que Luizianne Lins fez na Câmara dos Deputados
Luizianne estreou na Câmara dos Deputados em 2015, após ser eleita em 2014 com 130.717 votos. Foi reeleita em 2018, com 173.777 votos — a terceira maior votação do Ceará naquele ano — e novamente em 2022, com 182.232 votos, garantindo o terceiro mandato consecutivo.
Na Câmara, apresentou propostas em áreas como trabalho de cuidado, direitos das mulheres, acessibilidade e serviços essenciais. Entre os projetos de autoria dela que ganharam notoriedade pública estão:
- a inclusão da economia do cuidado no sistema de contas nacionais (PL 638/2019);
- a classificação do assassinato motivado por discriminação contra pessoas LGBT como homicídio qualificado e crime hediondo (PL 7.292/2017);
- a reserva de vagas para pessoas com deficiência em instituições federais de ensino (PL 9.582/2018);
- a continuidade do fornecimento de água, energia, gás e esgoto durante emergências sanitárias (PL 1.067/2020).
Em dezembro de 2025, foi eleita por aclamação presidente da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher, colegiado formado por deputados e senadores, para o biênio 2025–2026. A comissão reúne representantes das duas casas do Congresso para debater e propor medidas de enfrentamento à violência doméstica e de gênero.
Condenação em primeira instância e absolvição no TRE
Em fevereiro de 2014, a Justiça Eleitoral condenou Luizianne em primeira instância por abuso de poder político e determinou sua inelegibilidade por oito anos. A decisão, da 114ª Zona Eleitoral de Fortaleza, responsabilizava a ex-prefeita por coação e demissão de trabalhadores terceirizados da prefeitura durante a campanha municipal de 2012. A defesa negou as acusações e recorreu. Em setembro de 2015, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) acolheu o recurso por unanimidade e absolveu a então deputada federal.
Por que Luizianne Lins deixou o PT
Em 2 de abril de 2026, depois de 37 anos de filiação, Luizianne anunciou a saída do Partido dos Trabalhadores e o ingresso na Rede Sustentabilidade, movimento que ela descreveu como consequência da perda de identidade do PT com a chegada de filiados que, na avaliação dela, não compartilhavam as bandeiras históricas do partido. A mudança foi noticiada pela imprensa cearense e marcou o início da pré-campanha ao Senado, cargo para o qual ela já se movimentava desde o ano anterior.
A Flotilha Global Sumud, a detenção e a libertação em 2025
Antes da eleição, um outro episódio projetou o nome de Luizianne nacionalmente. Em 2025, ela integrou a Flotilha Global Sumud, missão internacional que pretendia levar alimentos, medicamentos e itens de ajuda humanitária à população civil da Faixa de Gaza durante a guerra entre Israel e Hamas. Embarcou para a Itália em 31 de agosto e participou, na Sicília, dos treinamentos para a travessia.
Em 1º de outubro de 2025, o barco Grande Blu, em que ela viajava, foi interceptado pelas Forças de Defesa de Israel em águas internacionais do Mar Mediterrâneo. Luizianne foi detida junto com os demais ocupantes da embarcação. A interceptação provocou protestos em vários países europeus e uma greve geral na Itália. Em 7 de outubro, ela e os outros 12 brasileiros detidos foram libertados e recebidos por diplomatas brasileiros na fronteira com a Jordânia.
O que esperar do mandato no Senado
Nas eleições de 4 de outubro de 2026, Luizianne Lins foi eleita senadora pelo Ceará com 2.822.806 votos, equivalentes a 29,05% dos votos válidos. Ela conquistou uma das duas cadeiras em disputa no estado ao lado de Cid Gomes, do PSB, e terá um mandato de oito anos, de 1º de fevereiro de 2027 a 31 de janeiro de 2035. O primeiro suplente é Chagas Vieira, do PDT.
Entre as bandeiras que ela declara defender no Congresso estão os direitos das mulheres, a cultura, a comunicação, a educação, o combate às desigualdades e o desenvolvimento do Nordeste. Sua atuação mais recente na Câmara, com a presidência da comissão de combate à violência contra a mulher e a autoria de projetos sobre trabalho de cuidado e acessibilidade, indica onde a senadora eleita deve concentrar o discurso na nova casa.
Antes da posse, Luizianne mantém o mandato de deputada federal e a presidência da comissão mista de combate à violência contra a mulher. As propostas apresentadas por ela ao longo de mais de uma década de Congresso seguem em tramitação, incluídas as que tratam da economia do cuidado, da acessibilidade e da proteção a vítimas de violência. A posse no Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027.

