Márcio Bittar é senador pelo Acre, reeleito em 4 de outubro de 2026 com 223.972 votos — 25,59% dos votos válidos. Filiado ao Partido Liberal, construiu uma trajetória de três décadas na política acreana e, desde 2019, ocupa uma cadeira no Senado Federal, onde já foi corregedor-geral da Casa e atua como titular da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
A carreira de Bittar é marcada por viradas. Ele começou na militância estudantil de esquerda, em Campo Grande, e se firmou no Congresso como liberal conservador e integrante da bancada ruralista. No caminho, foi deputado estadual, deputado federal em dois mandatos, candidato derrotado ao governo do Acre e, por fim, relator-geral do Orçamento da União de 2021 e relator da CPI das ONGs, encerrada em 2023. Entender essa linha do tempo é o que explica o senador que hoje faz da soberania brasileira sobre a Amazônia a sua principal bandeira.
Quem é Márcio Bittar
Márcio Miguel Bittar nasceu em Franca, no interior de São Paulo, em 28 de junho de 1963. Filho de Mamede Bittar e Manife Miguel Bittar, passou a infância entre Cuiabá e Jauru, no Mato Grosso, e a juventude em Campo Grande, onde começou a vida política. É casado com Thaís Bittar, pai de quatro filhos e reside em Rio Branco, capital do Acre. Atua também como pecuarista, atividade que consta em seus perfis públicos no Congresso.
Antes dos mandatos, ganhou projeção no Acre à frente do Movimento de Integração do Acre (MINACRE), criado em defesa do asfaltamento da BR-364, a rodovia que conecta o estado ao restante do país. A luta pela pavimentação da estrada se tornaria uma das causas centrais do início de sua vida pública.
Da militância estudantil à política no Acre
Em Campo Grande, Bittar participou do movimento estudantil e militou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), que na época atuava na clandestinidade. Em 1981, tornou-se secretário-geral da Juventude do PMDB e assumiu a presidência da União Campograndense dos Estudantes (UCE), que dirigiu por dois anos. Em 1984, fundou a União Sul-Mato-Grossense dos Estudantes (USMES); na militância, teve a companhia da irmã, Mariluce Bittar, professora que se tornaria uma das fundadoras do PT em Mato Grosso do Sul.
No mesmo período, integrou o Comitê Pró-Pantanal, contrário à instalação de uma usina de álcool na região, e estudou filosofia política e teoria marxista sob orientação ligada ao Partido Comunista da União Soviética. Em 1985, representou a entidade estudantil no Comitê das Diretas Já e participou dos núcleos que defendiam a legalização dos partidos de esquerda.
Já radicado no Acre, elegeu-se deputado estadual pelo PMDB em 1994 e deputado federal em 1998. No início da legislatura, filiou-se ao PPS. Em 2002, disputou uma vaga no Senado e não foi eleito. No ano seguinte, chefiou a Assessoria Parlamentar do Ministério da Integração Nacional, durante o governo Lula — um capítulo anterior à sua guinada conservadora.
Em 2004, disputou a prefeitura de Rio Branco e foi derrotado por Raimundo Angelim. Em 2006, concorreu ao governo do Acre e perdeu para Binho Marques ainda no primeiro turno.
Recorde de votos, derrotas apertadas e a chegada ao Senado
Pelo PSDB, Bittar foi eleito deputado federal em 2010 com a maior votação já registrada no Acre para o cargo e a segunda maior votação proporcional do país naquela eleição. Durante o mandato, ocupou a primeira-secretaria da Câmara dos Deputados.
Em 2014, voltou a disputar o governo do Acre e chegou ao segundo turno contra o então governador Tião Viana. Perdeu com 48,71% dos votos válidos, por uma diferença inferior a 10 mil votos — a disputa mais apertada de sua carreira.
Após divergências internas no PSDB, retornou ao MDB em 2017. Na eleição de 2018, foi eleito senador na coligação que também levou Gladson Cameli ao governo do estado, com 185.066 votos, 23,28% dos votos válidos.
Relator-geral do Orçamento e a PEC Emergencial
O ano de 2021 colocou Bittar no centro das decisões econômicas de Brasília. Como relator-geral do Orçamento da União daquele ano, comandou a tramitação da peça orçamentária no Congresso. No mesmo período, foi o relator da PEC 186/2019, a PEC Emergencial, que abriu espaço de até R$ 44 bilhões para o auxílio emergencial fora do teto de gastos e criou mecanismos de ajuste para conter o avanço das despesas obrigatórias.
O texto foi aprovado em dois turnos em março de 2021 e promulgado como Emenda Constitucional 109 no dia 15 daquele mês, garantindo a retomada do auxílio emergencial durante a pandemia. Na primeira votação, o placar foi de 62 votos a 16.
A passagem pela relatoria do Orçamento também o colocou no centro do debate sobre as emendas de relator, o chamado orçamento secreto — mecanismo de distribuição de recursos criticado pela falta de transparência e julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em dezembro de 2022.
CPI das ONGs e a agenda da Amazônia
Em abril de 2023, o Senado instalou a CPI das ONGs, criada a partir de requerimento do senador Plínio Valério para investigar a atuação de organizações não governamentais na Amazônia, o repasse de verbas e a influência dessas entidades sobre políticas públicas. Bittar foi escolhido relator.
A comissão ouviu dezenas de depoimentos, entre eles o da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e aprovou o relatório final em dezembro de 2023. O texto relatado por Bittar sugeriu seis projetos de lei e pediu o indiciamento do presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) por corrupção passiva. Em 2024, o Ministério Público Federal no Acre arquivou parte das denúncias por falta de provas, decisão criticada pelo presidente da CPI no plenário do Senado.
A relatoria consolidou a bandeira que Bittar passou a chamar de soberania da Amazônia. Ainda em 2020, ele havia redigido o projeto que ficou conhecido pela proposta de reduzir áreas de reservas ambientais no Acre — texto apresentado pela então deputada Mara Rocha e criticado por organizações ambientalistas. Em seus canais oficiais, o senador defende segurança nas fronteiras, obras de infraestrutura, crédito para produtores rurais e regras mais rígidas para ONGs financiadas do exterior.
Posições políticas e a Assembleia de Deus
Bittar se define como liberal conservador. Na economia, defende a privatização de empresas públicas deficitárias e a redução de entraves regulatórios; nos costumes, é contrário à ampliação das hipóteses legais de aborto, admitido hoje apenas em casos de risco de vida para a gestante, gravidez resultante de estupro e anencefalia fetal. No Congresso, integra a Frente Parlamentar da Agropecuária, a bancada ruralista.
Nos últimos anos, converteu-se ao pentecostalismo e aderiu à Assembleia de Deus, mudança que passou a aparecer em seus pronunciamentos públicos. Em agosto de 2025, deixou o União Brasil e se filiou ao Partido Liberal, sigla pela qual disputou a reeleição em 2026.
A frase sobre Caetano Veloso
Em 29 de abril de 2026, durante a sabatina do indicado Jorge Messias a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, Bittar afirmou que o cantor Caetano Veloso teria "pegado em armas" em guerrilhas durante a ditadura militar. O presidente da sessão, senador Otto Alencar, corrigiu a declaração na hora: "Caetano nunca pegou em armas, só pegou a vida inteira em violão". O episódio repercutiu nacionalmente.
Reeleição em 2026 e o segundo mandato
Em 4 de outubro de 2026, Bittar foi reeleito senador pelo Acre, agora pelo PL, com 223.972 votos, equivalentes a 25,59% dos votos válidos. O segundo mandato tem início previsto para 1º de fevereiro de 2027 e término em 31 de janeiro de 2035.
Na campanha, apresentou como prioridades a reforma das leis ambientais, obras estratégicas de logística na Amazônia, crédito para quem produz na região e regras mais duras para organizações estrangeiras. É o mesmo eixo que ele promete levar para o novo mandato: a defesa de uma agenda amazônica tratada como questão de segurança nacional.
- Deputado estadual (1995–1999) e deputado federal em dois mandatos (1999–2003 e 2011–2015).
- Senador pelo Acre desde 2019, reeleito em 2026.
- Corregedor-geral do Senado eleito em março de 2023 e titular da CCJ.
- Relator da PEC Emergencial (Emenda Constitucional 109, de 2021) e relator-geral do Orçamento de 2021.
- Relator da CPI das ONGs, encerrada em dezembro de 2023.
Quem acompanha a política no Brasil encontra em Bittar um perfil que mistura peso regional e temas nacionais — do Orçamento da União à Amazônia. O perfil oficial no Senado Federal reúne discursos, projetos de autoria e o histórico de votações do senador.



