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Marcos Caruso

Marcos Vianna Caruso

Nascimento: 1952 São Paulo, SP / Rio de Janeiro, RJ
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Ator, autor e diretor nascido em São Paulo. Escreveu Trair e Coçar é Só Começar e marcou a TV como Leleco e como Alex.

Aos dez anos, no Teatro Carlos Gomes, Marcos Caruso apontou o palco de My Fair Lady — Bibi Ferreira e Paulo Autran — e disse à tia-avó que queria estar ali. O recado não ficou em anedota de infância. Virou palco, texto e, só muito mais tarde, novela das oito.

Quem digita o nome hoje quase sempre chega por um personagem: Leleco, Alex, Carlão, Seu Peru. Por trás deles está Marcos Vianna Caruso, nascido em São Paulo em 22 de fevereiro de 1952, criado no Rio de Janeiro, formado em Direito e autor de uma comédia que atravessou décadas em cartaz enquanto a televisão ainda o tratava como coadjuvante de ocasião.

Quem é Marcos Caruso

Ator, autor e diretor. A ordem importa. Ele subiu ao palco profissional no começo dos anos 1970, escreveu o próprio caminho quando o convite para atuar demorava e só estreou na TV Globo em 2001, já perto dos 50. Em 2026, ao comemorar cerca de 54 anos de ofício, descreveu a si mesmo como alguém que diz sim o tempo todo, inclusive a papéis pequenos, porque não acredita em esperar o grande papel para continuar trabalhando.

O público de novela o reconhece pelo rosto. O público de teatro o reconhece pela parceria com Jandira Martini e por Trair e Coçar é Só Começar, comédia de equívocos que ele escreveu aos 27 e só viu estrear anos depois. As duas reputações convivem no mesmo nome, e é isso que a busca precisa separar: o intérprete recorrente da Globo e o dramaturgo de comédia de costumes.

Como o teatro entrou antes da faculdade

Nasceu em São Paulo, filho do contador Alberto Caruso e de Vera Maria Vianna Caruso, que morreu no parto. A criação ficou com a família materna, no Rio. O interesse pelo palco, ele conta, veio cedo: brincadeiras de vestir roupa de outra pessoa e, aos oito, a função de coroinha só para ficar no alto, de frente para a plateia. A ida a My Fair Lady fechou a decisão.

Aos 14 voltou a São Paulo, órfão de mãe, para a casa de uma tia em frente à biblioteca infantil Monteiro Lobato, onde um grupo de teatro pedia crianças. Foi o primeiro palco. Quando o diretor se ausentou, Caruso, já com cerca de 20 anos, assumiu a coordenação e ficou nela por cerca de uma década. A avó costureira deixava retalhos pela casa; com eles ele fazia fantoches para as clientes.

O sonho declarado era a Escola de Arte Dramática da USP. O pai pediu um diploma antes. Ele terminou o ensino médio no Colégio Mackenzie e cursou Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, também na USP. Não chegou a se formar em teatro. Em entrevista à Memória Globo, atribui a formação à biblioteca e ao tempo de plateia. No primeiro ano da faculdade, em plena ditadura, voltou aos grupos políticos — entre eles União e Olho Vivo — e se profissionalizou em cena.

Os créditos de palco da década de 1970 incluem Rei Momo (1973), Maroquinhas Frú-Frú (1974) e O Diário de Anne Frank (1977). A televisão veio em 1978, num papel curto: Marcolino, ajudante de lanchonete, em Aritana, um dos últimos sucessos da Rede Tupi. Ele mesmo ironiza o convite. Disse que foi porque era marido de Jussara Freire, com quem ficou casado de 1974 a 1994. Desse casamento nasceram o diretor Caetano Caruso e Mari Caruso.

Por que Trair e Coçar é Só Começar ainda explica o nome

Em 1979, aos 27 anos, Caruso escreveu Trair e Coçar é Só Começar no molde do vaudeville: intriga, porta que abre na hora errada, suspeita de adultério plantada por uma empregada. O texto ficou na gaveta. A estreia só veio em 26 de março de 1986, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, a temporada contínua começa em agosto de 1989. A empregada Olímpia — primeira intérprete, Marilú Bueno; depois, entre outras, Suely Franco e Denise Fraga — empurra patrões e amigos para uma cadeia de mal-entendidos.

O tempo em cartaz entrou no Guinness nas edições de 1994, 1995, 1996 e 1997 como a mais longa temporada ininterrupta do teatro nacional. Relatos de imprensa de 2015 falavam em cerca de seis milhões de espectadores e quase nove mil apresentações. Em 2006, Moacyr Góes levou a peça ao cinema, com roteiro de Caruso e Jandira Martini e Adriana Esteves como Olímpia. Em 2014, o Multishow fez uma série com o mesmo título. O texto da peça saiu em livro em 2012, pela Benvirá, com 224 páginas. Quem lê teatro brasileiro de comédia de costumes encontra essa obra no mesmo mapa de literatura de palco, não numa prateleira de novela.

O que ele escreveu com Jandira Martini

A outra assinatura que segura a carreira de autor é a dupla com Jandira Martini. Sua Excelência, o Candidato, de 1986, ficou anos em cartaz e deu aos dois o Prêmio Molière de melhor autor, então o principal prêmio do teatro brasileiro. Porca Miséria, estreada na montagem original entre 1993 e 1996, olha uma família de imigrantes italianos da Bela Vista em crise de dinheiro. Caruso também estava no elenco. O texto levou, em 1994, os prêmios APCA, Mambembe e Shell de melhor autoria.

A parceria não parou na comédia de imigrantes. Vieram Jogo de Cintura, Os Reis do Improviso e Operação Abafa. Em 2005, a Panda Books reuniu três desses textos — Porca Miséria, Quem Matou Amélie de Port-Salut? e Sua Excelência, o Candidato — no volume Comédias de Jandira Martini e Marcos Caruso. Na televisão, os dois se encontraram de outro jeito: em Éramos Seis (SBT, 1994), ele foi Virgulino e fez par com Jandira, um dos primeiros trabalhos grandes de Caruso como ator de novela. Jandira morreu em janeiro de 2024. O texto que ele publicou nas redes a chamava de maior amiga e de parceira de peças, roteiros, séries e novelas.

Como a Globo chegou depois do teatro

Antes da Globo, passou pela TV Cultura, escreveu na Bandeirantes — em 1983 assinou como autor principal a novela infantil Braço de Ferro — e, na Manchete, foi coautor de A História de Ana Raio e Zé Trovão com Rita Buzzar, a partir de um argumento de Jayme Monjardim. Fez também uma participação curta como o peão Tião em Pantanal (1990).

O convite da Globo nasceu de uma plateia específica. Entre 1998 e 1999, em Honra, Caruso fazia Guilherme ao lado de Regina Duarte. Manoel Carlos e Ricardo Waddington viram o espetáculo. A estreia na emissora foi um papel pequeno em Presença de Anita (2001): Felipe Gonzaga, numa cena de fazenda com José Mayer. Ele descreveu o momento sem enfeite: viu-se na tela da Globo, num primeiro capítulo, por um carinho de Manoel Carlos e de Waddington.

O ano seguinte trouxe Coração de Estudante, a primeira novela dele na casa, como o advogado Raul. Contracenar com Cláudio Marzo, disse depois, era a sensação de ter chegado. Em 2003, de novo com Manoel Carlos, veio Carlão em Mulheres Apaixonadas: o filho que cuida dos pais idosos enquanto a filha Dóris, de Regiane Alves, os maltrata. A trama colocou violência contra idosos no horário nobre no mesmo ano em que o Estatuto do Idoso, Lei 10.741, foi sancionado. O papel não redigiu a lei. Deu rosto cotidiano a um debate que o país estava prestes a transformar em regra.

Quais personagens ainda puxam a busca

O trabalho que a crítica tratou como consagração de ator foi Alex, em Páginas da Vida (2006), outra novela de Manoel Carlos. Alex é marido de Marta, papel de Lília Cabral, e pai de Nanda e de Sérgio. No plano original, Caruso faria o advogado Nestor e Zé Carlos Machado faria Alex. A direção trocou os dois no início das gravações. O resultado rendeu o Troféu Imprensa de melhor ator em 2007, além de indicações ao Prêmio Qualidade Brasil e ao Prêmio Extra.

Em 2012, João Emanuel Carneiro lhe deu Leleco em Avenida Brasil, o malandro que a novela transformou em figura de casa. Em setembro de 2026, a TV Globo confirmou a volta do personagem em Avenida Brasil 2, com estreia prevista para janeiro de 2027. Entre uma novela e outra, a lista que o público ainda cita inclui o prefeito Patácio Peixoto, de Cordel Encantado (2011); Pedrinho Guimarães, de Pega Pega; o professor de história Dante, de Travessia (2022), de Glória Perez; e Alaor Amaral, o chamado Rei do Country, de Coração Acelerado (2026).

Há também o humor de tipo fixo. De 2015 a 2020, Caruso foi Seu Peru na nova Escolinha do Professor Raimundo, personagem que tinha sido de Orlando Drummond. Reapareceu com a mesma figura no filme Crô em Família (2018). Em Elas por Elas (2023), fez Sérgio, e descreveu o papel como o primeiro grande vilão de novela da carreira: um homem rico, de caráter duvidoso, diferente do pai carinhoso e do marido que ele já tinha interpretado tantas vezes.

No cinema, Depois Daquele Baile, com Irene Ravache e Lima Duarte, rendeu indicação ao Prêmio Guarani. Polaróides Urbanas (2008), de Miguel Falabella, levou o Prêmio Qualidade Brasil de melhor ator coadjuvante. O monólogo O Escândalo Philippe Dussaert (2016), o primeiro da carreira, deu o Prêmio Shell de melhor ator. Em agosto de 2026, o Festival de Gramado entregou o Troféu Cidade de Gramado pelo conjunto da obra.

  • 1986 — estreia de Trair e Coçar é Só Começar e Prêmio Molière por Sua Excelência, o Candidato, com Jandira Martini.
  • 1994 — APCA, Mambembe e Shell por Porca Miséria; Virgulino em Éramos Seis, no SBT.
  • 2001 — estreia na TV Globo em Presença de Anita.
  • 2007 — Troféu Imprensa de melhor ator por Alex, em Páginas da Vida.
  • 2012 — Leleco em Avenida Brasil.
  • 2016 — Prêmio Shell de melhor ator por O Escândalo Philippe Dussaert.
  • 2026 — Troféu Cidade de Gramado pelo conjunto da obra.

O que a vida pessoal muda no modo de ler a carreira

O casamento de vinte anos com Jussara Freire atravessa a primeira metade do trabalho: é dela a novela de estreia na Tupi, e são dos dois os filhos que depois cruzam o ofício do pai. Caetano, diretor, trabalhou com ele em Elas por Elas, em Travessia e na assistência de direção de Depois Daquele Baile. Em entrevista de 2026, Caruso falou em três netos e num pai que chegou aos 98 com saúde.

Desde 2018 vive com o técnico de enfermagem Marcos Paiva. Reportagens de 2025 o situam num apartamento de frente para Ipanema, no Rio, e registram a frase com que ele recusa o verbo “assumir”: diz que a relação com o marido é do mesmo tipo de vínculo que teve com as mulheres com quem se casou, e que a diferença óbvia é a de gênero. Não é detalhe de bastidor. É a forma pública como ele pede para ser lido — sem rótulo novo colado sobre uma vida que ele apresenta como contínua.

Não há site pessoal estável no nome dele. O canal direto é o Instagram @marcos_caruso, onde a apresentação cabe numa linha: ator, autor, roteirista, diretor de teatro e de televisão. O resto da trajetória está nas peças que continuam sendo montadas, nas novelas que a Globo ainda reprisa e no texto de 1979 que o país não tirou de cartaz.

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