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Marcos Troyjo

Marcos Prado Troyjo

Nascimento: 1966 São Paulo, SP
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Economista e diplomata paulista. Presidiu o Banco dos BRICS, negociou o Mercosul-União Europeia e lançou Desglobalização em 2016.

No dia 1º de julho de 2016, na Flip, em Paraty, Marcos Troyjo lançou Desglobalização: crônica de um mundo em mudança. O referendo do Brexit tinha acontecido naquele junho. A eleição que levaria Donald Trump à Casa Branca ainda estava meses à frente. Quem procura o nome agora quase sempre quer as duas pontas dessa história: o autor que deu título ao freio da globalização e o brasileiro que, entre 2020 e 2023, presidiu o Novo Banco de Desenvolvimento.

Marcos Prado Troyjo nasceu em 1966, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. Economista, cientista social, diplomata e escritor, ele passou pelo Itamaraty, pela sala de aula em Nova York e pela presidência de um banco multilateral sediado em Xangai. Origem, datas de cargo e livros é o que cabe separar aqui. O crachá de ex-presidente, sozinho, não responde à busca.

Quem é Marcos Troyjo

No evento e na coluna o nome curto basta. O registro completo é Marcos Prado Troyjo. A formação pública começa na Universidade de São Paulo, em Economia e Ciências Políticas, segue no Instituto Rio Branco e chega, em 2005, ao doutorado na mesma USP. A tese, em sociologia das relações internacionais, tem o título Poder e a prosperidade; cenário mundial e nova economia. O pós-doutorado foi feito na Universidade Columbia.

O pai, Mário Troyjo, relojoeiro aposentado, é filho de imigrantes andaluzes. O detalhe localiza a família em Perdizes. Não desenha uma linha reta entre a oficina e o banco de Xangai, e a biografia pública não tenta essa ponte.

Dez anos de serviço exterior

A biografia publicada pelo INSEAD fixa o período no Itamaraty entre 1992 e 2001. Nesses anos Troyjo foi secretário de imprensa da Missão do Brasil junto às Nações Unidas, em Nova York, integrou a delegação brasileira no Conselho de Segurança da ONU no biênio 1998-1999 e chefiou o gabinete do Departamento de Cooperação Científica e Tecnológica do Ministério das Relações Exteriores. Imprensa, assento político e gestão de cooperação científica são funções distintas. Juntas, explicam por que o nome reaparece, décadas depois, em mesa de comércio.

Em 30 de abril de 2019 o Diário Oficial registrou o grau de Grande Oficial da Ordem de Rio Branco. A honraria entra na ficha. O trabalho que costuma interessar ao leitor veio na sequência, já dentro do Ministério da Economia.

Columbia, o BRICLab e a coluna

De 2011 a 2018 ele deu aula de assuntos internacionais e política pública na School of International and Public Affairs da Columbia. Fundou e dirigiu o BRICLab, fórum sobre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, na descrição do INSEAD. O laboratório era extensão acadêmica, não um curso vendido no mercado brasileiro.

A escrita corria ao lado. Em julho de 2016, ao noticiar o lançamento na Flip, a Folha de S.Paulo o apresentava como colaborador regular desde 2013, com texto às quartas sobre economia global e países em desenvolvimento. Entre 2000 e 2001 foi colunista do Portal IG. Também aparece como comentarista em meios como CNN en Español, Financial Times e BRICS Business Magazine.

O livro anterior com recepção mais fácil de localizar é Nação-comerciante: poder e prosperidade no século XXI. A mesma reportagem lembra que a Americas Quarterly, do Council of the Americas, o colocou entre os melhores livros do hemisfério em 2007 nas áreas de economia, negócios e políticas públicas. A tese de 2005 e esse volume formam o par de formação. Desglobalização é o título que ainda organiza a pergunta do leitor.

A secretaria de Comércio Exterior

De 14 de janeiro de 2019 a 26 de junho de 2020, Troyjo foi secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, no período em que Paulo Guedes era o ministro. O posto é o de vice-ministro da área. Nesse intervalo ele foi um dos negociadores do acordo entre Mercosul e União Europeia. A conversa entre os blocos já durava mais de vinte anos. A fase em que ele esteve à mesa é a do anúncio político de 2019, não a da ratificação completa, que continuou nos anos seguintes.

O comunicado do Novo Banco de Desenvolvimento, no dia da eleição dele, acrescenta dois encargos brasileiros daquele período: a presidência da Comissão de Financiamentos Externos e a do Comitê Nacional de Investimentos. Antes da cadeira de presidente, o Instituto de Estudos Avançados da USP também o descreve como presidente do conselho de administração do banco, diretor pelo Brasil, governador suplente no Banco Interamericano de Desenvolvimento e membro do Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial.

A presidência do Banco dos BRICS

Em 27 de maio de 2020 o Conselho de Governadores elegeu Marcos Prado Troyjo por unanimidade. A posse foi em 7 de julho, no lugar de K. V. Kamath, para um mandato previsto até 2025. O banco é o Novo Banco de Desenvolvimento, chamado Banco dos BRICS, com sede em Xangai. A ficha atual do Center for International Studies do MIT registra que ele foi o primeiro ocidental a liderar uma organização multilateral com sede na Ásia.

A página do INSEAD, escrita ainda perto do cargo, aponta dois resultados da gestão: a expansão do número de membros e a criação de um departamento de critérios ambientais, sociais e de governança, além de um escritório independente de avaliação.

O mandato não chegou a 2025. Em fevereiro de 2023 o governo brasileiro pediu a renúncia. Troyjo aceitou em março. No dia 24 de março o conselho aprovou a indicação de Dilma Rousseff, e a presidência mudou de mãos. A sequência está no noticiário da época e na ficha do banco. É troca de indicação do país-membro, não um capítulo à parte da obra escrita.

O que ele faz depois do banco

Em 2026 o MIT o lista como Robert E. Wilhelm Fellow. A página o apresenta como ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, ex-vice-ministro e um dos negociadores do acordo Mercosul-União Europeia. Também o descreve como distinguished fellow do Hoffmann Global Institute for Business and Society, no INSEAD, e como ex-fellow de liderança da Blavatnik School of Government, em Oxford.

O mesmo texto associa o nome a conselhos e assessorias: Banco Europeu de Investimento, Inditex, Minerva Foods, União Química, Bosch, Global Neighbours e a UN Foundation. São vínculos publicados pela universidade. Servem para situar com quem ele conversa fora do governo, não para transformar cada empresa em um projeto pessoal.

O rastro digital estável está no LinkedIn e na conta @MarcosTroyjo no X. Entrevistas longas, como as do Market Makers e a do podcast Os Sócios em março de 2025, ficam em canais de terceiros. Para cruzar este perfil com outros nomes de economia, o recorte é comércio exterior, banco de desenvolvimento e o ritmo da globalização depois de 2008.

  • 1992–2001 — serviço exterior, com a Missão do Brasil na ONU e o biênio no Conselho de Segurança;
  • 2005 — doutorado na USP sobre poder, prosperidade e a economia mundial;
  • 2011–2018 — aula na Columbia e direção do BRICLab;
  • 2016 — lançamento de Desglobalização na Flip;
  • 2019–2020 — Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais;
  • 7 de julho de 2020 a 24 de março de 2023 — presidência do Novo Banco de Desenvolvimento.

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Desglobalização
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Livro de 2016 em que Marcos Troyjo descreve a crise da globalização profunda depois de 2008 e o efeito disso na inserção do Brasil.
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