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Foto de perfil de Mary Del Priore

Mary Del Priore

Nascimento: 1952 Rio de Janeiro, RJ
Historiadora e escritora carioca, doutora pela USP, autora de mais de 50 livros sobre o Brasil cotidiano, as mulheres e a vida privada. Cadeira 39 da Academia Paulista de Letras.

Quando a história do Brasil vira só data, batalha e herói de bronze, o nome de Mary Del Priore costuma aparecer como o de quem puxa a cortina. Carioca, historiadora, escritora e professora, ela passou décadas perguntando como as pessoas comiam, amavam, nasciam, envelheciam e ocupavam — ou eram expulsas de — a vida pública. O arquivo continua no centro; o leitor comum, também.

Quem busca Mary Del Priore quer biografia, formação, lista de livros e o método que tornou a história social e da vida privada um caminho de leitura, não um recinto fechado da universidade. A autora de História das mulheres no Brasil, Histórias íntimas e da série Histórias da gente brasileira interessa pela pessoa pública — a professora que saiu da USP para escrever para quem não está na banca —, não pela pilha de capas.

Quem é Mary Del Priore

Mary Lucy Murray Del Priore nasceu no Rio de Janeiro em 17 de outubro de 1952. O nome completo aparece em verbetes, currículo e na ficha da Academia Paulista de Letras; em livrarias, jornais e redes, ela assina Mary Del Priore ou Mary del Priore. A especialidade declarada é a História do Brasil, com recortes que atravessam mulheres, infância, família, sexualidade, império, cotidiano e memória.

Em entrevista ao Aventuras na História, ela descreveu uma infância de colégio de freiras, leitura voraz e museus com o irmão — e uma formação tardia em relação ao calendário da própria geração. Casou-se cedo, teve três filhos ainda jovem e só depois, por volta dos 26 ou 27 anos, entrou na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Foi nas aulas de pesquisa histórica que o ofício deixou de ser curiosidade e virou método: documentos, vocabulário antigo, religião, corpo e a vida das pessoas comuns.

Doutorou-se em História Social na Universidade de São Paulo, em percurso acelerado, e fez pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Lecionou na USP, na PUC-Rio e na Universidade Salgado de Oliveira. Em 2001, depois de cerca de onze ou doze anos de docência, saiu da USP com um projeto explícito: escrever história que o leitor pudesse ler com prazer, sem abrir mão da pesquisa.

Formação, Paris e o ofício fora da sala de aula

O período francês pesou no método. Em Paris, Mary Del Priore conviveu com historiadores e com o círculo feminista em torno da revista Penélope, de onde trouxe o que ela mesma chamou de história relacional — a vida das mulheres lida em relação a instituições, afetos, trabalho e poder, não como anexo pitoresco da narrativa nacional. Desse momento saíram obras como Ao sul do corpo, ainda marcada pelo diálogo com a historiografia francesa da vida privada.

A saída da universidade não foi abandono da pesquisa. Foi mudança de palco. Colunas, entrevistas, consultoria para cinema e televisão, palestras, cursos online e o canal Mary del Priore - Clube da História passaram a circular o mesmo arquivo em formatos que o leitor encontra no celular, na livraria e na rádio. A PUCRS e a própria ficha de autor na Amazon registram ainda o programa Rios de História, na CBN.

  • Doutorado em História Social pela USP
  • Pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris
  • Docência na USP, na PUC-Rio e na Universidade Salgado de Oliveira
  • Cadeira 39 da Academia Paulista de Letras, com posse em 2022, na sucessão de Ruy Ohtake
  • Sócia do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

O currículo Lattes e a página da Academia Paulista de Letras sustentam o mapa institucional. O site marydelpriore.com.br reúne livros, cursos, mentoria, palestras e consultoria histórica para livros, roteiros e produções audiovisuais.

O que ela escreve e por que o leitor chega nela

Há um jeito Mary Del Priore de contar o Brasil: olhar pelo buraco da fechadura. Em vez de começar pelo gabinete, ela entra pela casa, pela rua, pelo corpo, pelo quarto e pela igreja. A coleção Histórias da gente brasileira, publicada pela LeYa a partir de 2016, percorre Colônia, Império e República perguntando o que as pessoas vestiam, comiam e temiam — e como isso ajuda a entender o país de agora. A série virou também programa no Canal Curta!, com a própria historiadora na apresentação.

História das mulheres no Brasil, organizada por ela na Editora Contexto em 1997, reuniu dezenas de historiadores e a escritora Lygia Fagundes Telles. Ganhou Prêmio Jabuti e Prêmio Casa Grande e Senzala e segue em circulação como livro de consulta para quem quer a trajetória das brasileiras para além do mito da fragilidade. Já Histórias íntimas, da Planeta, levou sexualidade e erotismo da Colônia ao presente em prosa que circulou como best-seller — a editora fala em mais de 250 mil exemplares nas edições do título.

Há ainda o filão imperial, com biografias e ensaios sobre a Condessa de Barral, o príncipe Pedro Augusto (O príncipe maldito), Leopoldina, a Marquesa de Santos e a família de D. Pedro II. E há a biografia breve de Tarsila do Amaral, Tarsila: uma vida doce-amarga, estreia na José Olympio em 2022, que lê a modernista pela vida afetiva, pelos arquivos e pelos infortúnios, não só pelos quadros canônicos.

Nesse território de história pública, o nome de Mary Del Priore conversa com o de outras autoras e autores já lidos no Brasil contemporâneo. Quem chega a ela pelo Império e pela imagem do poder costuma cruzar o caminho de Lilia Moritz Schwarcz; quem quer narrativa de grande circulação sobre o século XIX encontra o jornalista Laurentino Gomes. São recortes diferentes — arquivo antropológico, reportagem histórica, história do cotidiano — que o leitor de literatura e de história em português costuma colocar na mesma estante.

Prêmios, academias e presença pública

A lista de distinções é longa e documentada. Em 1998, História das mulheres no Brasil levou o Prêmio Jabuti em duas categorias e o Prêmio Casa Grande e Senzala da Fundação Joaquim Nabuco; o mesmo prêmio da Fundação voltou em 2000. O príncipe maldito recebeu o prêmio de não ficção da Associação Paulista de Críticos de Arte em 2008. Condessa de Barral levou o prêmio da Fundação Biblioteca Nacional em 2009. Há ainda o Prêmio Themis do Centro Cultural da Justiça Federal, o Manoel Bonfim, o da União Brasileira de Escritores e, em 1992, distinção do Ministério dos Negócios Estrangeiros da França e da Organização dos Estados Americanos.

Em 9 de março de 2022 foi eleita para a cadeira 39 da Academia Paulista de Letras; a posse ocorreu em 3 de março de 2022, segundo a própria Academia, na sucessão do arquiteto Ruy Ohtake. O patrono da cadeira é Gabriel José Rodrigues dos Santos. A eleição confirma uma carreira que já transitava entre livraria, imprensa, universidade e debate público.

Na imprensa e no audiovisual, Mary Del Priore aparece como consultora de diretores como Daniela Thomas, Beto Amaral e Estevão Ciavatta, e em documentários de história do Brasil. No Instagram @marydelpriore.ofc e no Facebook homônimo, divulga cursos, lançamentos e agendas. Os cursos recentes no site oficial incluem História das mulheres do Brasil, Histórias íntimas, olhares femininos sobre a Independência e a história da velhice no Brasil.

Como acompanhar Mary Del Priore hoje

O ponto de partida mais estável é o site oficial, que reúne livros, cursos gravados, mentoria para pesquisa e escrita, palestras e consultoria. O perfil de autor na Amazon concentra as edições em circulação no Brasil. Wikipedia, Lattes e a ficha da Academia Paulista de Letras fecham o circuito de verificação para quem precisa de data, prêmio e filiação.

Para o leitor de educação e história, o ganho prático é claro: Mary Del Priore oferece uma porta de entrada para o Brasil colonial, imperial e republicano que não exige diploma, mas também não trata o passado como curiosidade de almanaque. Quem quer aprofundar mulheres, intimidade, cotidiano ou a vida da corte encontra, nos livros e nos cursos, o mesmo gesto — devolver ao arquivo a carne, o sangue e a prosa que o manual escolar costuma cortar.

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Projetos de Mary Del Priore

Histórias da Gente Brasileira: Colônia
Histórias da Gente Brasileira: Colônia
Primeiro volume da série de Mary Del Priore sobre o cotidiano do Brasil colonial: casa, comida, roupa, trabalho e a gente comum atrás da história oficial.
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Histórias íntimas
Histórias íntimas
Ensaio de Mary Del Priore sobre sexualidade, erotismo e intimidade na história do Brasil, da Colônia ao presente, em edição da Planeta.
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História das mulheres no Brasil
História das mulheres no Brasil
Volume coletivo organizado por Mary Del Priore na Contexto sobre a trajetória das brasileiras, premiado com Jabuti e Casa Grande e Senzala.
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Tarsila Uma vida doce-amarga
Tarsila Uma vida doce-amarga
Biografia breve de Tarsila do Amaral por Mary Del Priore, entre o modernismo, a vida afetiva e os arquivos da José Olympio.
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