Duas sessões lotadas no Teatro Álvaro de Carvalho, em Florianópolis, marcaram junho de 2008: era a estreia de Putz Grill..., o primeiro solo de Oscar Filho. Em fevereiro daquele ano a Band já tinha contratado o mesmo comediante para o time de repórteres do CQC. Quem procura o nome costuma chegar por um desses dois endereços, o palco de stand-up que ele ajudou a abrir em São Paulo ou o repórter que a bancada passou a chamar de Pequeno Pônei.
Por trás do nome artístico está Oscar Francisco de Moraes Junior, nascido em 22 de agosto de 1978 em Atibaia, no interior paulista. A trajetória que interessa não é uma lista de créditos. É a de um ator formado que entrou no humor quase por acidente, segurou um solo por onze anos, escreveu um livro aos 35 e continuou alternando teatro, televisão, coluna e evento de empresa.
Quem é Oscar Filho
Oscar Filho é apresentador, ator, repórter, humorista e escritor. O nome que circula é artístico. O de registro, Oscar Francisco de Moraes Junior, aparece na ficha do livro e nas biografias públicas. Ele se apresenta, no site oficial, com a frase curta “um pedaço de homem”, e concentra a agenda, o contato para eventos e o arquivo de carreira em oscarfilho.com.br.
A dúvida de quem chega ao perfil costuma ser simples: o Oscar do CQC é o mesmo do stand-up, do livro e da coluna? É. O repórter da Band, o coapresentador do Programa da Maisa, o autor de Autobiografia Não Autorizada e um dos nomes do Stand-up Raiz, ao lado de Danilo Gentili e Diogo Portugal, são a mesma pessoa. O que muda é o ofício da vez.
Atibaia, teatro de escola e a ida para São Paulo
O começo artístico registrado é local e cedo. Em 1991, aos 13 anos, Oscar entrou no teatro amador de Atibaia, no grupo infantil Estar Feliz, da educadora Isis Gonçalves. Depois montou o grupo O Rato Não Era Aquele e encenou, entre outras, Desculpem, Acho Que Entrei Na Peça Errada....
Em 1996, aos 18, ficou em primeiro lugar no 12º Concurso de Contos e Poesias de Atibaia com o conto O Baú e representou a cidade no Mapa Cultural Paulista no ano seguinte. Também passou pela Oficina dos Menestréis, de Deto Montenegro, no Teatro Dias Gomes, em São Paulo. A escrita, portanto, não começou no livro de 2014. Começou num concurso de cidade pequena.
Em 2000 ele se mudou para a capital para estudar artes cênicas e se formou em 2003 pelo INDAC, o Instituto de Arte e Ciência. No mesmo ano entrou em cartaz no Teatro Brasileiro de Comédia e na peça A Matéria dos Sonhos, de Fábio Torres. No meio do caminho, em 2002, trabalhou como mímico da CET, ensinando gente a atravessar a rua. O detalhe parece anedota. Ajuda a entender um comediante que aprendeu corpo e rua antes de aprender câmera.
Como o stand-up virou ofício
O humor pago começou em 2003, por acaso, no grupo OsCretinos, que ficou em teatros de São Paulo até 2005, inclusive na Terça Insana. Em 2005 ele foi um dos fundadores do Clube da Comédia Stand-Up, o núcleo paulistano que empurrou o gênero para bares, festivais e, pouco depois, para a televisão. No mesmo circuito estavam nomes que o público depois separou em programas diferentes, entre eles Danilo Gentili e Fábio Porchat.
Dali saíram o Risadaria, a Terça Insana, o Nunca se Sábado, o Risorama de Curitiba e o Comédia em Pé, no Rio. Em 2006 o Clube lançou um audiolivro, e a jornalista Marcela Besson, na Veja São Paulo, apontou a participação de Oscar como o ponto alto da noite: “Cheio de trejeitos, ele é o ponto alto do show.”
Putz Grill... estreou em junho de 2008 e ficou em cartaz por onze anos. Passou pelo Teatro Frei Caneca, por uma temporada longa em Campinas, por seis anos no Teatro Gazeta e por uma temporada de ano inteiro no Teatro MorumbiShopping, onde foi eleito melhor stand-up de São Paulo no Melhores do Teatro de 2017. Em 2011 o solo levou o 10º Prêmio Jovem Brasileiro na categoria. O registro público do espetáculo fala em mais de um milhão de espectadores e 122 cidades. Em 2022 o mesmo texto virou o álbum Putz Grill... O Álbum, pela Cancel Records, gravado no My F. Comedy Club.
O segundo solo, Alto - Biografia Não Autorizada, só chegou em 2020 e parte do livro, não do primeiro show. Em outubro daquele ano, já na pandemia, Oscar, Gentili e Diogo Portugal reabriram o formato antigo com o Stand-up Raiz, grupo semanal em São Paulo que o site oficial ainda lista na agenda.
O repórter que a bancada chamava de Pequeno Pônei
A contratação pela Band, em fevereiro de 2008, veio das apresentações de stand-up, como registrou o Estado de S. Paulo. No CQC o apelido grudou: Pequeno Pônei. Entre 2012 e o fim de 2013 ele também sentou na bancada, ao lado de Marcelo Tas e Marco Luque, depois da saída de Rafinha Bastos. A saída da bancada foi anunciada no fim de 2013. Anos depois, na comemoração de dez anos do programa, Oscar contou que soube da demissão minutos antes de entrar no ar.
Algumas matérias ficaram maiores do que o quadro. Em 2010, num bar de Buenos Aires, durante o jogo de Argentina e Nigéria na Copa, ele desligava a televisão com um controle remoto nos lances decisivos. No mesmo ano entrevistou Tom Cruise na passagem do ator pelo Brasil e entregou uma camiseta da seleção escrita “Tomzinho”. A imagem rodou jornais fora do país. Houve também o lado de denúncia do Proteste Já, com casos de merenda, nepotismo e a campanha Não Foi Acidente, de 2012, por leis de trânsito mais duras para motorista embriagado.
Livro, Maisa e o que veio depois do CQC
Em 3 de abril de 2014, na Saraiva do Shopping Eldorado, ele lançou Autobiografia Não Autorizada, pela Benvirá, com prefácio de Danilo Gentili. O título brincava com a briga pública da época sobre biografias não autorizadas. Aos 35 anos, Oscar dizia que uma biografia séria não teria muito o que contar, e que o livro reunia histórias engraçadas, não lição de vida. A primeira edição, de 288 páginas, teve tiragem inicial de 10 mil exemplares. Em 2019 as vendas estavam em cerca de 7 mil. Em 2021 a primeira edição estava esgotada.
O texto virou palco em 7 de março de 2020, no Teatro Itália, com o solo Alto - Biografia Não Autorizada e locução de Cid Moreira. Houve uma apresentação e a pandemia tirou o espetáculo de cartaz. Ele voltou em 2021, passou pelo Risorama, ficou em temporada no navio Costa Diadema e reestreou em 2022 no Teatro MorumbiShopping.
Entre o livro e o segundo solo houve um retorno claro à TV aberta. Em 2019 o SBT o contratou para coapresentar o Programa da Maisa, no ar de março daquele ano até outubro de 2020, também na FOX. No programa o apelido mudou de Pequeno Pônei para Unicórnio. Na internet ligada à atração ele fazia o StalkShow e o quadro Pergunte ao Unicórnio.
- 2005: fundação do Clube da Comédia Stand-Up, em São Paulo.
- 2008 a 2014: repórter e, por um período, bancada do CQC, na Band.
- 2008 a 2019: solo Putz Grill..., com álbum em 2022.
- 2014: livro Autobiografia Não Autorizada, editora Benvirá.
- 2015 e 2016: Gonzalito nos filmes de Carrossel e César em Xilindró, no Multishow.
- 2019 a 2020: coapresentação do Programa da Maisa, no SBT.
- 2020: estreia de Alto - Biografia Não Autorizada e do Stand-up Raiz.
Coluna, empresas e o vinho com nome de trocadilho
O site oficial trata o corporativo como linha própria desde 2003: mestre de cerimônias, apresentador, mediador e humorista. O material de contratação fala em mais de 450 empresas e mais de um milhão de pessoas. A conta é dele, e explica a presença em convenção além do teatro.
Em 2022 ele, Gentili e Diogo Portugal colocaram no mercado a linha de vinhos Putos, produzida no Alentejo pela Carmim e trazida ao Brasil pela Casa Flora e pela Porto a Porto. Oscar conta que inventou o nome: em Portugal, “putos” significa garotos, uma ironia para três comedianos da primeira geração do stand-up brasileiro. Danilo desenhou as caricaturas do rótulo. O branco e o rosé voltaram às prateleiras depois de uma disputa judicial com o rótulo francês Pétrus. O tinto, segundo a Porto a Porto em setembro de 2025, seguia com a venda suspensa. Em agosto de 2026 a Prohall Selve lançou o shampoo Putos Machos em parceria com o mesmo trio. É licenciamento de marca, não uma vinícola nem uma fábrica de Oscar.
A escrita diária ganhou endereço fixo em 24 de novembro de 2025, quando o iG anunciou a coluna semanal. Os textos misturam política, cultura e o noticiário do dia no tom que ele já usava em vídeo. Em julho de 2026 a Jovem Pan estreou Quem Tem Razão?, com a jornalista Paula Nobre, de terça a sexta, das 22h às 22h30. Em setembro do mesmo ano, veículos que cobrem a emissora noticiaram o fim do programa, cerca de dois meses depois da estreia, dentro de um corte mais largo na grade.
O que permanece visível, fora dessa janela curta de televisão, é o circuito antigo: agenda de Stand-up Raiz no site, canal no YouTube, vídeos no TikTok e no Instagram, e a coluna no iG. O telefone e o e-mail de agenciamento estão no próprio site.




