Putos Branco é um vinho do Alentejo com o nome inventado por Oscar Filho e o rótulo desenhado por Danilo Gentili. A garrafa parece piada antes de ser bebida. Em Portugal, “puto” quer dizer garoto. Oscar explicou a escolha assim: três comedianos da primeira geração do stand-up brasileiro, tratados como dinossauros do gênero, chamarem a si mesmos de meninos. No Brasil a palavra soa irritada. O trocadilho é o produto.
A linha foi lançada em 2022 por Oscar, Gentili e Diogo Portugal. A ideia de entrar no vinho é associada a Diogo. A caricatura dos três no rótulo, com cara de retrato antigo, é de Danilo. A produção e o engarrafamento ficam com a cooperativa Carmim, em Reguengos de Monsaraz, na Denominação de Origem Controlada do Alentejo. A importação exclusiva para o Brasil ficou com a Casa Flora e a Porto a Porto.
O que há dentro da garrafa branca
O Putos Branco é corte de Antão Vaz, Gouveio e Arinto. As fichas públicas da Porto a Porto e de lojas que vendem o rótulo descrevem um branco seco, de cor amarelo-palha, aroma de frutas brancas maduras, corpo leve e acidez equilibrada. A harmonização indicada aponta frutos do mar, peixes e carnes brancas. Nada disso transforma o vinho em item de coleção. É um branco português de cooperativa, com comunicação de comediante.
Os outros dois rótulos da mesma linha não são a mesma garrafa. O rosé leva Aragonez, Syrah e Touriga Nacional. O tinto leva Alicante Bouschet, Aragonez e Trincadeira. Tratar os três como um único item de prateleira confunde quem quer comprar. Esta página é a do branco, o rótulo que voltou a ser oferecido com ficha e foto próprias.
A briga com o Pétrus e o que ainda se vende
O rótulo brinca com a pose de um tinto famoso de Bordeaux, o Pétrus. A semelhança rendeu processo. No site de imprensa de Oscar, a versão pública é direta: a venda do branco e do rosé foi liberada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, e o tinto seguia em julgamento. Em setembro de 2025 a Porto a Porto anunciou a volta do branco e do rosé ao mercado brasileiro e manteve o tinto suspenso pela Justiça. Os números de garrafa que circularam em 2022, acima de 40 mil nos primeiros meses, descrevem o lançamento da linha, não o estoque de hoje.
O caso também passou pelo registro da marca. Oscar escreveu, na coluna e em texto próprio, que o INPI recusou o pedido por moral e bons costumes, e que a palavra, no uso brasileiro de “estar puto”, não é sexual. Essa discussão é de nome e de desenho. Não altera a uva nem a região. Quem compra o branco compra um DOC do Alentejo com três caricaturas no rótulo, não uma sentença.
Quem leva essa garrafa para casa
O público é duplo e o produto não esconde isso. Há quem chegue pelo stand-up, reconheça os três desenhos e queira a piada na mesa. Há quem olhe a ficha técnica e decida por Antão Vaz e Arinto, sem saber quem é o comediante. As duas leituras cabem. O que não cabe é esperar um manual de enologia ou um ingresso de show dentro da caixa.
Oscar não é enólogo e não apresenta o vinho como obra solo. O nome é dele. O desenho é de Gentili. A porta de entrada no projeto é de Diogo Portugal. A cooperativa e as importadoras fazem o resto. Em agosto de 2026 a marca ainda rendeu um shampoo, o Putos Machos, da Prohall Selve, em parceria com o mesmo trio. É outro produto, de outro fabricante. A garrafa que esta página descreve continua sendo o branco do Alentejo.



