A Alegria é a Prova dos Nove leva para a ficção o encontro entre uma artista octogenária e um defensor dos direitos humanos. Dirigido por Helena Ignez, o longa acompanha Jarda Ícone, interpretada pela própria diretora, e Lírio Terron, vivido por Ney Matogrosso, em uma narrativa que mistura memória, desejo e contracultura.
A sinopse parte de uma viagem feita nos anos 1970 ao Marrocos. Jarda se define como artista, sexóloga e roqueira octogenária, dá aulas presenciais e online sobre como as mulheres podem obter o próprio orgasmo e desenvolve, com um grupo de discípulas e amigas, projetos feministas e artísticos autossustentáveis. Lírio é apresentado como defensor dos direitos humanos. A viagem dos dois não terminou, e o filme trabalha justamente com o que ficou dela.
Uma ficção com memória
O filme não é um documentário sobre a vida de Helena Ignez, embora dialogue com a trajetória dela e com a contracultura brasileira. A narrativa usa a ficção para organizar lembranças, encontros e ideias sobre liberdade. O título é uma homenagem a Oswald de Andrade, um dos principais nomes do modernismo brasileiro, e o tom do projeto assume essa filiação de forma explícita.
O elenco reúne Helena Ignez, Ney Matogrosso, Djin Sganzerla, André Guerreiro Lopes, Michele Matalon, Vera Valdez e outros nomes. A presença de atores ligados ao teatro e ao cinema experimental ajuda a criar uma atmosfera de grupo, como se o filme fosse também um encontro entre gerações.
Festivais e lançamento
A Alegria é a Prova dos Nove passou pela Mostra de Tiradentes e pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2023. O longa tem 1h40 e foi lançado em 2024. A circulação em festivais ajudou a apresentar o projeto a um público interessado em cinema experimental e em produções que escapam das fórmulas de mercado.
A recepção crítica destacou a mistura de registros e a liberdade formal do filme. Não se trata de uma obra fácil de resumir: a narrativa vai e volta no tempo, mistura personagens e ideias e constrói um painel sobre envelhecimento, desejo e criação. Quem procura uma trama linear pode estranhar; quem aceita o convite do filme encontra uma experiência próxima do ensaio.
Por que assistir
O filme interessa a quem acompanha a obra de Helena Ignez como diretora, a quem admira Ney Matogrosso e a quem estuda a contracultura brasileira. Também é uma porta de entrada para pensar a velhice fora dos estereótipos, com uma personagem que continua a trabalhar, desejar e inventar.
A obra dialoga com outros filmes de Helena, como Canção de Baal e Luz nas Trevas, mas tem uma energia própria. É um projeto de encontro, feito por uma cineasta que já atravessou várias fases da cultura brasileira e continua a propor perguntas sobre o corpo, a liberdade e o lugar da arte.
Onde encontrar
A Alegria é a Prova dos Nove circula em festivais, mostras e sessões especiais. A crítica publicada no Vertentes do Cinema reúne sinopse, ficha técnica e uma leitura do filme, e pode servir como ponto de partida para quem quer conhecer o projeto antes de assistir. Para quem já acompanha Helena Ignez, é uma das obras mais recentes de uma carreira que segue em movimento.





