A 74ª Ocupação Itaú Cultural foi dedicada a Helena Ignez e ocupou a sede da instituição, na Avenida Paulista, entre 22 de julho e 18 de outubro de 2026. Mais do que uma exposição biográfica, a mostra propôs uma leitura da artista por meio de núcleos que atravessam teatro, cinema, produção e direção.
O projeto Ocupação existe desde 2009 e costuma combinar exposição física, site e publicação. No caso de Helena, a escolha faz sentido: a trajetória dela não cabe em uma única linguagem. A atriz que começou na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia se tornou uma das figuras centrais do Cinema Marginal e, mais tarde, passou a dirigir seus próprios filmes.
O que a exposição reuniu
A mostra apresentou fotografias, documentos, trechos de filmes e materiais inéditos sobre a atuação de Helena diante e atrás das câmeras. A consultoria ficou a cargo de Djin Sganzerla, filha da artista e também cineasta, e a curadoria foi da equipe do Itaú Cultural. O percurso foi organizado em seis núcleos: “A invenção de Helena”, “Atriz experimental”, “Belair Filmes”, “A antimusa”, “O olhar de Helena” e “Ainda não estou definitiva”.
Cada núcleo aborda uma camada diferente. “A invenção de Helena” trata da formação em Salvador e da passagem pela Escola de Teatro. “Atriz experimental” discute a maneira como ela construiu personagens e participou da criação das cenas. “Belair Filmes” revisita a produtora fundada em 1970 com Rogério Sganzerla e Júlio Bressane. “A antimusa” problematiza o rótulo de musa do Cinema Marginal. “O olhar de Helena” apresenta a cineasta. “Ainda não estou definitiva” acompanha os encontros com gerações mais jovens e a produção recente.
Uma publicação para continuar a visita
Além da exposição, a Ocupação lançou uma publicação digital com textos e ensaios sobre diferentes fases da carreira de Helena. A obra reúne contribuições de Claudio Leal, que revisita os anos de formação na Bahia; Pedro Guimarães, que analisa as personagens e a experimentalidade; Gabriela Maruno, que estuda o trabalho da artista como diretora; e Milena Buarque, que percorre as experiências dela nos palcos.
O site da Ocupação amplia esse conteúdo com materiais exclusivos, vídeos e uma navegação por temas. Para quem não conseguiu visitar a exposição, é a principal porta de entrada para o conjunto. Para quem visitou, funciona como desdobramento e como registro do percurso curatorial.
O que permanece depois da mostra
A exposição física terminou em 18 de outubro de 2026, mas o site e a publicação digital continuam disponíveis. A mostra também ajudou a recolocar em circulação filmes e documentos que atravessam mais de seis décadas de cultura brasileira, do Cinema Novo ao cinema experimental contemporâneo.
Para estudantes, programadores e estudiosos de cinema, a Ocupação oferece um mapa de uma obra que não se resume a um movimento. Helena Ignez foi atriz, roteirista, produtora e diretora, e cada uma dessas funções altera a forma como seus filmes são lidos. A mostra tem o mérito de não separar a artista do contexto histórico em que ela atuou.
O acesso é gratuito no site oficial, que reúne a programação, os vídeos e a publicação. A página também serve como ponto de partida para quem quer conhecer a trajetória antes de assistir aos filmes ou de ler o livro Helena Ignez, Atriz Experimental, das Edições Sesc.





