Em 2000, o canal GNT exibiu A Família Braz, um dos filmes da série Seis Histórias Brasileiras, com direção de Arthur Fontes e argumento de Dorrit Harazim. Dez anos depois, diretor e jornalista voltaram à mesma casa para descobrir o que havia acontecido com aquelas pessoas — e o que encontraram virou o documentário A Família Braz: Dois Tempos, vencedor do festival É Tudo Verdade de 2011.
A proposta
Revisitar personagens de um documentário uma década depois é uma operação delicada: o tempo mexe com sonhos, arranjos familiares e expectativas, e o filme se recusa a transformar essa mudança em mero antes e depois. A Família Braz: Dois Tempos acompanha os mesmos personagens do filme original para mostrar como a vida seguiu — a mesma família, outro país e outras circunstâncias —, mantendo a aposta no documentário como forma de reportagem de longo prazo.
A ideia de voltar aos personagens não era só um exercício nostálgico. O primeiro filme havia sido feito para a série Seis Histórias Brasileiras, que levou ao ar retratos de famílias e pessoas comuns longe do noticiário — um tipo de produção que o GNT explorou no início dos anos 2000. O reencontro, dez anos mais tarde, coloca no centro do filme uma pergunta simples e difícil: o que muda e o que permanece em uma família depois de uma década inteira de vida.
Por que o filme importa
- Foi reconhecido com o prêmio do festival É Tudo Verdade, principal mostra de documentários da América Latina, em 2011;
- Representa a passagem da reportagem para o audiovisual na trajetória de Dorrit Harazim, que também idealizou e dirigiu a série de documentários Travessias, entre 2001 e 2006;
- Pertence a um momento em que a produção documental brasileira investia em acompanhamento de longo prazo, tema caro à autora, e em que o GNT se firmava como espaço de documentários;
- Retoma e aprofunda um dos filmes da série Seis Histórias Brasileiras, que levou ao ar retratos de famílias e personagens comuns fora do eixo das grandes manchetes.
Família Braz, Travessias e o documentário de observação
Quem chega ao filme pela assinatura de Dorrit Harazim encontra ali o mesmo método que marcou sua série Travessias: escolher personagens reais, acompanhá-los com tempo e deixar que a história se revele no acúmulo de dias, não em um único depoimento. Entre os dois trabalhos há uma linha direta — o documentário como uma forma de reportagem que não corre atrás da notícia, mas da vida que continua depois dela. É também a ponte entre a jornalista de revista e a diretora de cinema, que codirigiu o filme ao lado de Arthur Fontes, que também assinou a direção do filme original de 2000.
Como assistir
O filme e seu antecessor podem ser localizados em catálogos públicos e festivais de documentário, como a página do título no IMDb, que reúne a ficha técnica da obra. Para quem acompanha o trabalho de Dorrit Harazim, o documentário é a melhor porta de entrada para a fase audiovisual da jornalista, que combina a apuração longa da revista com a observação paciente do cinema documental.


