Existe um vocabulário técnico da fotografia — abertura, velocidade, ISO —, mas o que define uma boa imagem costuma estar longe dos manuais: está na espera, no repertório e no olhar de quem observa. É esse território que Dorrit Harazim percorre em O instante certo, livro publicado pela Companhia das Letras em 2016 que reúne 38 ensaios sobre a imagem fotográfica escritos por uma jornalista que passou boa parte da vida ao lado de fotojornalistas, em coberturas internacionais e nas redações por onde passou.
O que o livro propõe
Os ensaios não formam um curso nem um tratado acadêmico. São textos curtos, nascidos em grande parte da coluna que Dorrit mantinha no site da revista Zum, do Instituto Moreira Salles, entre 2013 e 2015, e organizados agora como um livro sobre a fotografia como linguagem. A autora parte de imagens específicas — de clássicos do fotojornalismo a cenas cotidianas — para discutir o que faz uma fotografia funcionar e para quem ela fala.
Por trás do título está uma ideia simples e difícil de praticar: o "instante certo" não é apenas o momento em que o clique coincide com o acontecimento, mas a soma de repertório, paciência e sensibilidade acumulados por quem observa. É o que o francês Henri Cartier-Bresson chamou de momento decisivo, e o que Dorrit observa com o olhar de quem cobriu guerras, golpes e dez Olimpíadas.
Da coluna na Zum ao livro
Entre 2013 e 2015, Dorrit Harazim assinou uma coluna sobre história e fotografia no site da revista Zum, publicação do Instituto Moreira Salles dedicada à imagem. Muitos dos textos que chegaram ao livro nasceram ali, no exercício semanal de olhar para uma fotografia e extrair dela uma história. A experiência de escrever sobre imagens em uma revista feita para fotógrafos deu ao material um tom que foge do elogio fácil: os ensaios discutem escolhas, contextos e consequências, tratando a fotografia como documento e como interpretação do mundo ao mesmo tempo.
Por que ler
- Para entender a fotografia pela experiência de quem trabalhou ao lado de gerações de fotógrafos em coberturas internacionais;
- Para ler ensaios breves, aptos a leitura avulsa, sem ordem obrigatória;
- Para acompanhar o cruzamento entre jornalismo, história e artes visuais que marca a trajetória da autora;
- Para conhecer a faceta de crítica e memorialista de uma das repórteres mais experientes do país.
Repercussão
O instante certo recebeu o prêmio anual da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de 2016, na categoria Reflexão Crítica em Artes Visuais. O reconhecimento colocou o livro ao lado de uma linhagem de textos brasileiros sobre fotografia que mistura crítica, memória e reportagem — gênero em que a autora se sente em casa.
Para quem é
O livro interessa a fotógrafos amadores e profissionais, estudantes de jornalismo e de artes visuais e a leitores que gostam de pensar sobre como as imagens constroem nossa memória dos fatos. Não é um guia de técnica nem um álbum: é uma coletânea de ensaios para ler com calma, retornando aos textos que mais disserem respeito a quem lê. A edição está disponível em capa comum e também em formato digital, e o título pode ser encontrado em livrarias e na Amazon.


