Contexto e proposta de A Idade de Ouro do Brasil
A Idade de Ouro do Brasil, publicado pela Alfaguara em 2019, leva o leitor a 2009: Lula no auge do poder, o país no grupo dos BRIC e o pré-sal alimentando otimismo. Em uma mansão no interior de São Paulo, durante o feriado de Páscoa, seis políticos e empresários bem-sucedidos se reúnem para articular a criação de um novo partido — e o que parecia um fim de semana tranquilo vira uma disputa de poder tragicômica.
Dois imprevistos desorganizam o encontro: a chegada de um ex-capitão do Exército, que coloca os presentes em xeque, e a entrada em cena das Afrodites da Pauliceia, trupe de travestis comandada pela veterana Vera Bee — professora universitária durante o dia, performer à noite. Nas noites de excesso que se seguem, os antagonismos se acirram e ninguém sai ileso.
Uma comédia ácida sobre o poder
O romance retoma um roteiro escrito por Trevisan nos anos 1980 e o atualiza para o Brasil do pré-sal e da crise que viria depois. O resultado é uma sátira política em que empresários, religiosos e a noite paulistana se cruzam sem heróis nem inocentes. A crítica brasileira leu o livro como um retrato do país que ainda não sabia o que estava por vir.
Para quem acompanha a obra de Trevisan, o romance mostra outra face do autor: depois de Devassos no Paraíso e dos relatos memorialísticos, ele volta à ficção com humor e crítica social, em diálogo com a tradição da literatura política brasileira.





